Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Coisas que aprendemos em um semestre de universidade

Além de Cálculo, Algoritmos, Desenho, Química, Organização de Computadores, Oficina e Introdução à Engenharia, aprendi algumas coisas no meu dia-a-dia de estudante do 1° semestre de Engenharia Elétrica na UFSM:

- Computadores sempre trancam ou dão algum problema no meio de apresentações. Se você levar o notebook, como eu sabiamente fiz em algumas aulas, não há tomadas suficientes nas salas. Máquinas de uso promíscuo são excelentes lugares para dar um vírus de presente ao seu pen-drive.

- Existem maus professores e professores maus. Vários dos meus caíram na primeira classificação. Por sinal, esqueça a ideia de que na universidade só tem gente inteligente ou que ela é um oásis de conhecimento; aparentemente há muitos que só estão lá a passeio. Ah, há pessoas que odeiam Matemática e Física e cursam Engenharia.

- Dormir em aulas é uma atividade gratificante. Especialmente quando um dos seus professores não fala, sussurra, e usa um projetor empoeirado com lâminas idem. Ou quando seu professor de Desenho espera que você incorpore o espírito de M.C. Escher.

- Por sinal, Desenho Técnico é uma excelente forma de contrair uma dor nas costas. E, ainda nesta disciplina, a única coisa que pode tornar sua aula mais agradável é o fato de, na sala imediatamente à frente da sua, estudar uma turma da Arquitetura formada basicamente por mulheres e seres de sexualidade indefinida.

- Na mesma disciplina, você terá vontade de pegar uma régua-T e usá-la como arma para um massacre.

- Muitas pessoas ainda vão tratar você como engenheiro elétrico. Inclusive futuros colegas de profissão.

- Na UFSM, podemos perder mais tempo na fila do RU do que comendo a excelente carne de monstro e a sola de sapato acebolada, acompanhada por um delicioso copo de ácido.

- Em todo lugar haverá um mala que acha bonito dar pitaco naquilo que você está fazendo, com conselhos extremamente úteis como não é assim que se faz, faz isso, isso e aquilo entre outras palavras de sabedoria para alegrar nosso dia e nos tornar mais iluminados.

- No meio do ônibus, você irá lembrar que esqueceu o pen-drive, com uma apresentação importantíssima. Depois, quando chegar lá, você será salvo por uma professora que faltou ao trabalho.

- Bibliotecas são excelentes lugares para se achar livros da época das réguas de cálculo e das válvulas, periódicos publicados na União Soviética e documentos da Alemanha Oriental, e alergias a formas de vida desconhecidas.

- Há pessoas que não sabem ler e, incrivelmente, passaram em um vestibular: para elas, terminal somente para consulta de livros significa máquina para ficar mandando e-mails e fazendo compras, assim atrasando todo o resto das pessoas que desejam procurar livros.

- Essas mesmas pessoas, ou pessoas de uma mesma espécie, entendem que o laboratório de informática é um lugar adequado para baixar músicas e assistir vídeos no volume máximo, assim atolando a rede e o conforto dos outros idiot... usuários.

- Esse mesmo laboratório acha interessante trocar as máquinas e não trocar os monitores azulados, além de criar uma imagem de disco com vírus que posteriormente será copiada para todas as máquinas.

- Com honrosas exceções, mulheres da Engenharia são seno e cosseno: precisa elevar ao quadrado e somar para dar uma.

- Banheiros da Engenharia não vêem desinfetantes há séculos. Banheiros do Departamento de Geociências são verdadeiros paraísos em se tratando de limpeza.

- O Portal do Aluno é algo extremamente bem-feito, de forma a dar erro na semana de matrículas.

Esperamos que o segundo semestre nos forneça uma experiência similar. Ou não...

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Preencher os embutidos suínos é "out"

Considere a seguinte afirmação: "Um dos fatores cruciais para o aumento sistemático, estocástico e não-determinístico da minha intolerância perante meu interlocutor é o uso de uma linguagem saturada com estruturas gramaticais intrincadas e nebulosas e vocábulos rebuscados, notadamente em se tratando de mero discurso sem algum valor construtivo.": Mais de 300 caracteres e 44 palavras.

Agora, considere a decodificação dela em uma linguagem mais acessível aos meros mortais: "Não tenho paciência para quem quer enrolar falando difícil". Uma frase cujo significado é bastante claro para qualquer pessoa que tenha conseguido chegar a esse blog.

Normalmente, esperar-se-ia que a segunda forma seria mais usada e aceita. Mas, infelizmente, não. Há pessoas que gostam da primeira forma, seja por ela parecer algo intelectual, difícil, ou mesmo para disfarçar uma falta de conhecimento do assunto com uma linguagem complexa, que desvie a atenção do ouvinte. Um rebuscamento forçado, talvez em uma tentativa de provar que sabe e que não fala errado.

Isso não seria um problema, não houvesse um grande número de pessoas que se impressionam e se deixam levar pela eloquência. Assim sendo, ela é a ferramenta perfeita para vendedores picaretas, advogados picaretas, políticos picaretas, entre outras, aquela classe infeliz de seres que se alimenta da ingenuidade dos outros. Perfeita para convencer, afinal quem irá duvidar de um dotô?

Outra característica normalmente apresentada por essas pessoas é a necessidade de abusar dos estrangeirismos - ainda que hajam palavras similares na língua portuguesa - para parecerem poliglotas (mesmo que com isso pareçam trogloditas, como no clássico episódio de Chaves), cosmopolitas ou, simplesmente, sofisticadas. Não existe mais liquidação na loja de departamentos, existe uma sale na megastore. As boas ideias viraram 'insights'. DVDs (ou Blu-Rays) são executados em players e assistidos em displays. E o design não é mais restrito ao profissional diplomado nesta área: o músico virou sound designer. E o velho confeiteiro tornou-se um cake designer (essa era nova para mim), ao mesmo tempo que transformava sua padaria em um sofisticado ambiente, cuja iluminação foi projetada por um lighting designer. A propósito, ele quer seu feedback sobre a nova decoração, pode colocar ali na caixinha de sugestões.

Longe de parecer xenófobo (afinal, ninguém gostaria de ter que falar telemóvel ou digitalizadora [1], e nem de retirar termos como modem, timer ou reset do vocabulário), mas será tão grande a força por trás dessa necessidade de parecer intelectual e sofisticado, que até o vocabulário torna-se algo tão forçado e superficial quanto as próprias pessoas?

Cansei de linguagens forçadas. Se for para demonstrar conhecimento do idioma, que ele seja feito falando corretamente. A propósito, é importante não confundir escrever de forma simples com escrever errado (como muitos fazem, depois acusam os outros de preconceito linguístico). Muito pelo contrário: escrever corretamente, de forma a ser entendido facilmente, é uma das formas mais simples e eficientes de escrever.

Mas nunca usando os vocábulos como conteúdo para preenchimento de embutidos de origem suína. Por sinal, acabo de ter um insight no meio de uma sessão de brainstorming. Tenho que voltar ao meu job de design de engenharia, cujo objetivo é aumentar o feedback de um loop de players interconectado a um conjunto de displays. Fui.

[1] vulgo scanner.

Domingo, 21 de Junho de 2009

Notas e questionamentos sobre copyright online

Recentemente, apareceu na mídia o caso da mulher condenada a uma multa milionária por baixar 24 (sim, apenas vinte e quatro) músicas, ou dois CDs (que, em uma loja, custariam muito menos). Algumas emissoras, como a Globo, comemoraram, ainda que implicitamente, esse fato.

Extrapolando essa estatística, se fôssemos contar todas as músicas (e filmes, softwares, livros etc...) baixados no Brasil, e condenar todos (inclusive o nosso glorioso Senado, com seu servidor pirata interno), provavelmente seríamos todos obrigados a pagar uma multa maior, muito maior, que o nosso PIB.

Além disso, um político (ironicamente, ligado a uma Igreja que possui uma gravadora e uma emissora de TV) recentemente propôs uma lei que faria com que o usuário violador de copyright tivesse sua conexão suspensa (ao modelo francês, que, por sinal, foi pesadamente criticado e revogado a alguns dias atrás).

A partir dessas, surgem alguns questionamentos. Sobre a primeira parte:

- Por favor, me mostrem uma gravadora ou estúdio de cinema famoso (pois são eles os que mais reclamam) que tenha ido à falência e por causa da pirataria, de forma a me permitir mudar minha opinião de estarem elas reclamando de barriga cheia, exatamente como uma pessoa gananciosa, nunca satisfeita com o que ganha e sempre precisando pisar em outros (inclusive em artistas, tratados como produtos descartáveis por elas: acabou a modinha? é hora de jogar fora e convocar todos os executivos e publicitários, verdadeiros engenheiros da arte de enganar e criar ilusões, para fabricar mais outra) para satisfazer seus interesses?

- Se as gravadoras são tão afetadas assim, por que motivo elas gastam cada vez mais para fabricar modinhas de sucesso (pois, na publicidade, quase não há limites para o gasto, desde que o retorno seja bom - como normalmente é)?

Normalmente, espera-se que quem está em crise economize e não gaste em futilidades como megaproduções de "artistas" de terceira linha, vendidos como objetos brilhantes "da moda" em revistas ou sistematicamente martelados no rádio ou na TV. Como isso não acontece (ao menos nada que tenha saído na grande mídia), diria que as supostas perdas dessas empresas são meras lágrimas de crocodilo.

Não concordam? Corrijam-me, com o balanço contábil da gravadora na mão, provando que de fato o prejuízo ocorreu e que, portanto, elas se viram obrigadas a cortar custos.

- Qual parte da multa, se ela vier a ser paga, irá para os artistas (supostamente, as vítimas), e quanto irá para as gravadoras? Espero que, sendo os primeiros os maiores sofredores, eles receberão indenizações maiores.

Sobre a segunda parte:

- Na universidade onde estudo, há várias conexões wireless ABERTAS, SEM CONTROLE DE USUÁRIOS, como parte do seu programa de inclusão digital.

Se eu, ou qualquer outra pessoa, for lá fazer downloads, será ela a vítima da desconexão? Iria ser realmente interessante ver uma manchete Universidade Federal de Santa Maria tem sua conexão com a internet cortada.

Podemos generalizar essa situação para telecentros e empresas (embora, nesses casos, esperar-se-ia que o administrador de sistemas tomasse as devidas providências).

- Nessa mesma universidade, já vi funcionários baixando livros em horário de serviço usando máquinas funcionais. Novamente, será ela a desconectada? Como apontar o exato culpado do suposto crime?

- Como provar, no caso de uma conexão compartilhada por múltiplos usuários, que foi o usuário A e não B que fez os supostos downloads ilegais?

- Como poderá um provedor monitorar o tráfego sem causar prejuízos a todos os usuários, visto que tal operação exige tempo de processamento e banda e, portanto, gastos?

- Qual a justificativa para tamanha vista grossa perante os camelôs, que vendem produtos piratas e contrabandeados, ao mesmo tempo que há o urgente interesse em combater uma suposta ameaça que é o download?

- E, simplesmente, isso não seria PUNIR SEM JULGAMENTO, ou seja, pura e simplesmente algo inconstitucional? É exatamente igual a prender alguém por uma denúncia sem que haja provas, além de caracterizar violação de sigilo.

Várias perguntas que a grande mídia ignora, de forma a conseguir manter o estado de medo dos usuários mais desinformados (que, infelizmente, constituem a maioria). Assim sendo, recomendo simplesmente ignorar os comentários daqueles cujo interesse é justamente fabricar conteúdos de qualidade questionável, com o mero objetivo comercial, e tirar suas próprias conclusões como um usuário (e, na improvável hipótese das leis serem aprovadas, vítima em potencial da ganância - que, por sinal, pode ser relacionada direta ou indiretamente com toda a problemática atual - de um pequeno grupo).

E, antes que venham com a clássica pergunta e se fosse o seu trabalho?, faço questão de - sempre que possível - libertar qualquer coisa que eu produzi, produza ou venha a produzir sob licenças livres, como a Creative Commons e a GPLv3 (no caso de software), como uma forma de demonstrar minha insatisfação e ódio perante a opressão imposta pelos conglomerados produtores de "cultura", ou mesmo como forma de garantir que todos nós, sem discriminação financeira ou de educação, possamos ter a oportunidade de produzir, divulgar e remixar conhecimento.

Além disso, para os advogados ou simpatizantes que alegarem apologia à pirataria por minha parte, recomendo olharem atentamente os computadores e MP3 players dos computadores de seus filhos, familiares ou melhores amigos. E então, ainda querem penas extremas para quem faz downloads?

Se os programas P2P e os sites de compartilhamento causam a pirataria, então as colheres causam a obesidade. -- Renan Birck Pinheiro

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

A arte do desperdício e do mal-feito, em uma universidade federal

Terça-feira passada, eu vi um funcionário da portaria do RU (Restaurante Universitário) da UFSM navegando na Internet e jogando on-line em pleno horário de serviço. A fila crescendo rapidamente e ele bem feliz olhando fotos no Orkut e brincando no seu joguinho. Em uma máquina cuja única função é rodar um browser, que acessa uma única página. Esperar-se-ia, portanto, que houvesse um sistema de bloqueios para evitar usos indevidos.

Em outra situação, vi (e, às vezes, ainda vejo) pessoas usando as máquinas das salas informatizadas da UFSM para downloads. A conexão fica lenta para todos e, quando vejo ao lado, uma pessoa está com o 4Shared ou o RapidShare abertos, alegremente enchendo seu pen-drive ou MP3 player com músicas e fazendo com que todos os outros patetas, digo, usuários precisem esperar minutos para abrir páginas.

Ainda por cima, vejo pessoas usando os terminais de CONSULTA (cujo objetivo já é claramente informado pelo nome) da biblioteca do CT sendo usados para acesso a internet (inclusive longas visitas ao orkut e compras on-line) e digitação de trabalhos. Mesmo que eu tente ser diplomático e apenas fique esperando (e olhando torto) a pessoa entender que aquilo não é o computador da casa dela, não adianta. Ironicamente, a mesma sala informatizada está disponível para qualquer aluno que faça um pequeno cadastro, criando um login e uma senha. Teoricamente, espera-se que pessoas aprovadas em uma universidade federal tenham um pouco de bom-senso, ainda que ele não seja ensinado em cursinhos.

Nessas horas, eu pergunto: onde está a administração de sistemas? Onde está aquele mesmo sysadmin que bloqueia várias palavras-chave relevantes (por exemplo, todas as URLs com 'blog' são bloqueadas, ainda que muitos projetos tecnológicos sejam divulgados em... blogs, e tal mídia não seja mais um reduto de aix genthi, hoje meuh diah foi fodástico, beijinhas)? Onde estão as proteções contra o desperdício de banda e de recursos?

Sei, assim como todos os alunos do CT, que há um proxy perfeitamente funcional, que regula o acesso dos alunos à rede. Entretanto, nem todas as máquinas estão integradas a ele. Se isso ocorresse, poder-se-ia, por exemplo, limitar o acesso dessas máquinas de uso específico. Mas não, é mais fácil chamar um "técnico" e aplicar não-soluções (como reinstalar o sistema e nem mesmo instalar os drivers).

Mas tudo bem, nessa mesma instituição, o desperdício é uma constante. Me canso de ver papéis mofando nos murais, documentos que estão disponíveis em formato eletrônico, palestras e eventos que já passaram, ofertas de estágio de 3 anos atrás, de empresas que inclusive foram afetadas pela crise econômica. Folhas inteiras usadas para imprimir uma única frase. E o pior: folhas BRANCAS, nada de papel reciclado ou mesmo reaproveitado (a velha e extremamente eficiente técnica de usar os dois lados). Onde está, nessas horas, a tão falada consciência ambiental? Gostaria que eles aplicassem o resto zero, tão divulgado no RU, nessas circunstâncias.

Também é comum ver, nas várias bibliotecas, livros antigos, muitas vezes com conteúdos desatualizados. Alguém se interessa, por exemplo, em um livro de informática de 35 anos atrás, com exemplos em cartão perfurado? Ou em catálogos de eletrônica da década de 40, da época das válvulas e da TV preto-e-branco? Ou em livros de 100 anos atrás caindo aos pedaços? Por mais que livros antigos sejam interessantes, garanto que há coisas muito mais importantes a serem feitas do que guardar papel que poderia ser reciclado e, novamente, gerar economia que poderia ser investida nos livros novos de que a universidade tanto necessita.

E no galpão-casa de máquinas-almoxarifado da Engenharia Elétrica, que visitei esses dias, encontram-se diversos eletrônicos velhos. Alguém se interessa por um poderoso XT, ou por drives de disquete de 5¼? Ainda garanto que esses dispositivos teriam utilidade como fonte de componentes eletrônicos para experimentos diversos. Pode não ser muito, até devido à idade desses componentes pode ser difícil achar documentação, mas é muito mais interessante do que uma sala coberta com pó.

Garanto que, se fosse economizado dinheiro nessas pequenas coisas, seria possível fazer todas as compras de que a universidade tanto necessita. Seria possível trocar os livros de 40 anos atrás por alguns atuais. Seria possível atualizar o hardware e o software das salas de informática. Seria possível contratar mais funcionários para o RU (mas não funcionários que usassem os seus computadores funcionais para fins pessoais). Entre muitas outras necessidades urgentes para aquela que é, ou gostaria de ser, considerada uma das melhores universidades do Brasil.

Sábado, 13 de Junho de 2009

Bom-senso on-line: é de graça e faz bem

De novo, acho que estou atrasado, como os leitores do blog já sabem. Simplesmente não entendo como alguém pode gostar de se expor e pagar tanto ridículo na internet. Tirar fotos em posições vulgares ou em trajes inadequados, perfis de mau-gosto, descrições que beiram o ininteligível, etc... Coisas que, normalmente, ninguém faria em público (exceto, talvez, sob efeito de drogas) são fichinhas na internet.

Basta dar uma navegada no buraco chamado orkut, o lugar de encontro de toda a geração inclusa digitalmente, para vermos coisas como essas tentativas infelizes de parecer sexy:

























































Ou nessa moderna, belíssima tatuagem cheia de significado:















Ou, para alegrar o já passado dia dos Namorados, essa belíssima e poética declaração de amor:



Seja qual foto for, ou em qual mídia digital for, o que aconteceu com o bom-senso dessa geração inclusa digitalmente? Aparentemente foi esquecido, afinal a internet é um excelente lugar no qual a anonimidade de todos está garantida, ao menos para eles.

Mas o pior não são essas fotos, é o fato de que muitas pessoas sentem atração por essas bizarrices. Basta olhar nos comentários das fotos dessas mulheres que tentam parecer sexies (mesmo que para tal propósito tenham de ser completamente vulgares) para ver cantadas diversas. Como nesse: (AVISO: IMAGENS FORTES)













E aquele velho ditado: "o orifício anal da pessoa em estado de intoxicação etílica não está sujeito às leis de propriedade privada (ou .. de bêbado não tem dono)" pode ser renomeado para direito de imagem de bêbado não tem dono, depois dessa:















Ironicamente, é bem provável que essas pessoas irão depois reclamar que sua imagem foi usada indevidamente na internet e irão demonizar o orkut (o que, convenhamos, não seria tão ruim se reduzisse a concentração de babacas on-line) e a internet como um todo.

Então, por favor, sei que eu estou lutando contra tudo e todos, mas será possível que essa geração conseguirá ligar aquele pedacinho do cérebro responsável pelo parar-e-pensar realmente quero que as pessoas me vejam como uma bunda ambulante? antes de ligar o computador?

É só isso que eu peço: uma pequena quantidade de bom-senso na internet. Algo tão simples, mas que muitas pessoas jogaram fora, afinal a internet é o lugar para ser cool.

Domingo, 7 de Junho de 2009

MPn, onde lim n = ∞ (ou: entre NOKLAs, HiPhones e VAICs)

Estou desatualizado tecnologicamente, não consigo mais acompanhar os lançamentos de gadgets. Aparentemente, há pouco tempo os MP3 players (assim nomeados por suportarem o formato de arquivo MP3) e os MP4 (que, muitas vezes, não suportam o formato homônimo de vídeo) foram superados por aparelhos chamados 'MP9', 'MP10' e outros MPs, crescendo com um limite que tende ao infinito. Para mim, e para todos os outros países senão o Brasil, MP5 e MP9 são armas, e esses dispositivos deveriam sere chamados de PMP (Portable Media Players). Mas a invenção de tecnologias que não existem é especialidade dos vendedores, não minha.

Supostamente eles fazem de tudo: tiram fotos, filmam tocam música, têm touch-screen, recebem TV e rádio FM... ah, e telefonam. Produtos perfeitos para uma geração que precisa cada vez mais de recursos, recursos e RECURSOS!!!!! nos seus eletrônicos, mesmo que não saibam usar, e que precisam de uma marca para pagar pau, ainda que seja indiretamente, por um produto pirata.

Não tem dinheiro para comprar um iPhone, ou um smartphone de uma marca de verdade? Vá de HiPhone ou de VAIC. Ou mesmo confira esse excelente modelo da Nokla (não errei, não é a Nokia):



Ou um bizarro iPhone da Nokia, como relatado por esse site (em italiano).

O HiPhone e o VAIC já aterrissaram no nosso país e estão disponíveis no Mercado Livre, a precinhos módicos (basta comparar um iPhone com um HiPhone) Quanto aos outros, é questão de alguém trazer para cá esses verdadeiros negócios da China. Isso é, se você preferir não olhar as letrinhas miúdas (convenientemente ignoradas pelos vendedores e menosprezadas pelos compradores, fascinados com o super-celular-computador-player-câmera que eles têm em mãos).

A partir delas, e com uma pequena quantidade de bom-senso, descobrimos alguns detalhezinhos bem interessantes e relevantes. A câmera, com seu poderoso e fodástico sensor VGA, produzirá borrões redimensionados (ou, no jargão dos anunciantes, interpolados), não fotos.

Assistir televisão - ainda mais analógica - neles? Uma tarefa impossível, mesmo que espichemos a antena até o fim. Sim, antena. Esse dispositivo da época dos celulares-tijolo está de volta.

Outra coisa legal: você pode ouvir rádio e MP3 sem usar os fones! Todas as pessoas a um raio de 50 metros de você podem apreciar seu maravilhoso gosto musical. Muito bom para usar naquele ônibus lotado.

Pergunto: por que motivos alguém iria querer se torturar com um desses dispositivos falsificados (e, talvez, de uso ilegal no Brasil, visto que não são homologados pela Anatel), com seu hardware e software lentos e problemáticos e custo/benefício horríveis?

Provavelmente é a velha necessidade de parecer _cool_ e _atualizado tecnologicamente_ sem gastar muito, mesmo que para isso precisem gastar muito e se iludir pensando terem feito um excelente negócio com "o china" e que ninguém irá reparar no seu hiPhone, que ele será confundido com um iPhone, e todos dirão óóóóoóóóóóoh, o Fulano é rico e pega todas as garotinhas, ele tem um iPhone!!!!1111!!!. (Incidentalmente, gostaria de ver o que aconteceria se, porventura, o iPhone se tornasse popular e deixasse de ser símbolo de status e sonho de consumo da maioria das pessoas - exceto eu e 0,0000001% do mundo)

O melhor a ser feito é dizer não aos KIRF (Keeping It Real Fake, que é o termo que o Engadget usa para tais dispositivos). Você não perde nada ao não comprar esses dispositivos ridículos, que nem como jogadores de mídia (sim, jogadores de mídia, é a tradução que alguns deles usam para Media Player) funcionam direito. Guarde seu dinheiro e gaste em outras porcarias mais interessantes, como um celular de verdade.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Deixe o troll morrer de fome

Ele está em quase todas as comunidades on-line. Normalmente chega do nada, criando mensagens aparentemente polêmicas, mas sem nenhum conteúdo aproveitável, ou desrespeitando as regras dessa mesma comunidade, apenas para causar confusão e criar uma bagunça que eles preferem chamar de "atitude". E, obviamente, quando confrontados com argumentos irão sair correndo, xingando todo mundo. Pergunto: onde foi parar a atitude nessas horas? É bem fácil jogar fogo e sair correndo.

Ele é o troll. Geralmente uma criança sem vida que pegou o computador e as senhas do papai sem que ele visse, e achou que, para animar suas noites de tédio, era uma boa ideia entrar em uma comunidade 'eu odeio' e dizer que todo mundo 'tem é inveja, porque fulano é rico, poderoso e come 20 homens/mulheres por dia', ou colocar a carapuça de crente fanático, entrar em um grupo ou fórum sobre rock/heavy metal e decidir chamar todos de "satanistas, que morram no fogo do inferno" (embora algumas das pessoas desse tipo se digam sem preconceitos, porque Deus castiga). Ou, na ironia das ironias, dizer que todo mundo precisa comer alguém. Por favor, trolls, coloquem em prática o que vocês pregam.

O seu objetivo? Contar para os amiguinhos que ownou alguém ou algum lugar, fazendo com que eles pensem nossa, o Fulano é hacker. Chamar a atenção, mesmo que seja para receber xingamentos. Ou mesmo demonstrar sua intolerância e incapacidade de aceitar opiniões, de forma a impressionar pelo seu suposto e falso conhecimento obtido em alguns minutos de Ctrl-C e Ctrl-V no Google, sem nem mesmo ler o conteúdo lido, afinal o troll é aquele que de tudo sabe, tudo vê e nunca está errado.

Ou, ainda, virar notícia por interromper - ou tentar interromper - o trabalho de um fórum que muitas vezes tem conteúdos e debates úteis e é indexado por mecanismos de busca. Tudo isso para descarregar a frustração de não ter feito nada de remotamente útil. Ele quer seu ódio, para poder usar aqueles velhos clichês a sua ... é a minha força.

Ele é nada mais que um parasita, alimentando-se da paciência dos outros. Então, por favor, se você achar um desses seres em qualquer lugar, deixe ele de lado. Não o masturbe, não responda (por mais tentador que seja), apenas deixe o moleque morrer de forma silenciosa, sem que ele possa atingir sua meta de perturbar a relação sinal-ruído do meio.

(Foto original: http://www.flickr.com/photos/eldave/3332622539/)