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segunda-feira, 13 de abril de 2009

A esquecida arte do auto-respeito

É, confirma-se que estou ficando velho. Não consigo entender o motivo pelo qual, cada vez mais cedo, pessoas de ambos os sexos decidem se expor em imagens e atitudes vulgares, muitas vezes sem nem mesmo estarem preparadas para as consequências.

Basta ir a um baile funk para ver meninas de x anos (onde lim x = 0) colocando quase-roupas para atrair homens desesperados pela oportunidade de "comer uma novinha", em verdadeiros filmes pornô populares, quase uma prolefeed (não sei o termo em português), termo usado por Orwell no seu livro 1984 para a leitura, filmes e música superficiais e vulgares usados para manter a prole satisfeita. [1]

Saímos dos prostíbulos a céu aberto e vamos para outro lugar, supostamente de gente bonita, gente legal: as baladas. Lugares onde pessoas se reúnem para ouvirem e "dançarem" (nada a ver com a verdadeira arte da dança) ao som de músicas sem personalidade para pessoas idem, em um volume tão alto, que nada mais faz do que destruir a audição.

Lugares onde a "pegação" impera. O senso crítico e a seletividade dão lugar à necessidade de pegar e comer N pessoas, onde N = M+1, sendo que M é o número de pessoas que a "MiGuXa dO S2" pegou, e soltar "eu te amo" como quem diz "bom dia". Tudo isso sob o efeito do álcool, para depois chegar em casa, vomitar e ficar mentindo para si mesmo que "nunca mais vai beber" e "essa é a última vez". Chegamos ao ponto em que pessoas tornam-se objetos pegáveis, comestíveis e descartáveis, mas isso é assunto pra outro post.

Sobre este último ponto, interessante ver que em muitas festas, cria-se uma relação obrigatória entre beber descontroladamente e se divertir. Quem não bebe, ou o faz com moderação, é "careta", "chato", etc... Parece que todos os outros tipos de diversão morreram, e que o único sentido na vida dessas pessoas é viver um porre atrás do outro.

Saindo desses locais e indo para as ruas, especialmente em regiões mais pobres, a decadência vem na forma de um movimento conhecido como "vida loka". Ao invés de tentarem mudar a si próprios, e talvez mudarem o ambiente em que vivem, preferem usar a violência e o culto à personalidade de alguns criminosos como forma de "protesto" e de expressar rebeldia. Para eles, escolas não são lugares para estudar e serem alguém, mas sim para picharem siglas de gangues e cometerem atos de violência. Justificativa? "O sistema é uma merda", seja lá qual sistema for, é uma forma de parecerem politizados enquanto tiram fotos com armas. Ah, e depois esses vão reclamar que "a educação no Brasil é uma merda". Claro, não é das melhores, mas como teremos um sistema educacional eficiente quando os professores saem humilhados pelos alunos de uma sala?

Em outras áreas encontramos pessoas que precisam de um estilo. Mas PRECISAM! Por falta de capacidade de serem elas mesmas, acabam jogando uma roupa preta no corpo, deixando o cabelo crescer, ouvindo algumas músicas e se dizendo "tr00 black metal headbanger", "gothic from hell 666". Mesmo que seja apenas para se dizer satanista e fazer "rituais anti-Cristo", ou arranjar confusão com outros estilos. Mesmo que não conheçam nada sobre seu estilo, precisam se sentir incluídas, seguindo um clichê: use preto, pareça triste e solte frases vazias mas que pareçam poéticas ou filosóficas.

É, parece que o auto-respeito não faz mais parte dessa geração, cujo único interesse na vida é sentir prazer e poder contar para os filhos que "pegava todas na balada" ou que era a "rainha do funk" ou o "lord dark 666 from hell". Mesmo que, daqui alguns anos, venha o arrependimento. O melhor, infelizmente, é que eu feche meus olhos e lamente. Apenas lamente pelas gerações perdidas, visto que eu não conseguirei mudar ninguém por ter minhas ideias rotuladas como "chatices", "caretas"...

E antes que alguém venha com pregações religiosas, não precisei de nenhuma divindade ou livro sagrado para descobrir o caminho certo. Apenas de mim mesmo.

[1] Não li o livro (está na minha lista TO-DO, antes de conquistar o mundo), essa informação foi baseada em pesquisas.