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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A importância da boa comunicação

Duas situações que me aconteceram esses dias e que ilustram o tema desse post, a importância de se comunicar de forma simples e efetiva:

  • Outro dia vi num desses grupos de vendas no Facebook alguém perguntar se um produto era original ou réplica (eufemismo para falsificado). A resposta: não é réplica. Não é réplica (frase essa que poderia teria sido dita mais claramente: é original) ou não, é réplica? Ficou a dúvida, causada pela simples ausência de uma vírgula.
  • Em outra situação, fui avisado por um colega (chamá-lo-ei de A) que precisava fazer um outro trabalho de uma disciplina para ser entregue no mesmo dia: entrei em pânico, até que conversei com outro colega meu - o qual confirmou que A se referia a um trabalho que já tinha sido proposto (mas que A não tinha feito ainda). 
Para quem não me conhece: sou chato com erros de escrita, principalmente os grosseiros e evitáveis (cada vez que eu leio alguém errando algo básico, eu choro). Aliás, tenho para mim que boa parte dos mal-entendidos são causados pela má comunicação. Frases sem sentido, vocabulário inadequado, pensamentos mal-estruturados, a necessidade inteira de adivinhar o que o interlocutor está dizendo. 


Acho que todos nós podemos lembrar de algum exemplo onde fomos induzidos ao erro, a conclusões inadequadas ou incorretas, etc... por uma ambiguidade ou por uma frase mal-escrita, ou mesmo de quando perdemos a paciência com gente que precisa falar muito para dizer pouco.

Não é questão de falar difícil: isso muitas vezes mais atrapalha do que ajuda! Há pessoas que infelizmente precisam mostrar que sabem e transformam qualquer frase em um texto rebuscado. É questão de falar de forma minimamente adequada para a situação: e-mails profissionais não combinam com vc ou com migo, e nenhuma situação combina com FALAR GRITANDO SEM VÍRGULAS.  

Outra situação, infelizmente comum, é entender o inglês de algumas pessoas (que deveriam se preocupar primeiramente em aprender a estruturar um raciocínio ou uma sentença, em sua língua nativa mesmo). São erros aqui, abreviaturas para cá, etc... que acabam afetando o entendimento da frase.

Por mais que meu inglês tenha alguns problemas, eu nunca precisei (e nem vejo sentido, não estou escrevendo um telegrama cobrado por palavra) trocar you por u: isso mais atrapalha do que ajuda. A propósito: não, um tradutor on-line não é um bom substituto para aprender o idioma, no máximo ele quebra um galho quando você não entende uma palavra ou uma frase.

O que precisamos, ao menos em situações profissionais, em situações mais sérias, é comunicarmos bem: sermos objetivos, diretos e respondermos ao que é pedido ou perguntado, de forma clara. É simples, mas é algo que muitos não dominam - até por que essa habilidade não é treinada. Ao contrário: por vários motivos, criou-se a cultura do lero-lero, do colocar texto para encher páginas. Daí temos manuais de instrução que não instruem, notícias que não noticiam, picuinhas semânticas sobre o significado de uma palavra, etc...

Outro fator importante é a precisão: a dúvida é sobre X? Pergunte sobre X, mas não só sobre ele: o que levou você a chegar até X. Dê todos os dados necessários para resolver o problema. Não fale mais do que o necessário, nem menos (mas na pior das hipóteses é mais fácil dar mais informações: em último caso pode-se descartar o que não interessa). 

Falta de comunicação, ou a má qualidade dessa, mata, atrapalha, atrasa projetos e cria situações desagradáveis. Mas infelizmente muitos não conseguem superá-la, seja por desconhecimento, seja pela necessidade de falar difícil (especialmente quando é para enganar os outros), ou simplesmente pela preguiça ou descaso de escrever com maiúsculas e sem abreviações. 


domingo, 13 de novembro de 2011

Platitudes diversas

Uma palavra bem interessante que descobri esses dias: platitude. Segundo o  Wikicionário, significa um comentário aparentemente inteligente, porém banal, raso. E perfeitamente adequado para descrever o uso de algumas outras palavras e expressões que vemos por aí.

A primeira, e a mais empregada, delas, é a tal da consciência. A moda é ser consciente. É conscientizar. Colocar essa palavra em qualquer sentença é bem eficaz para passar a ideia de engajamento. Mesmo que essa consciência seja apenas no momento em que se compartilha uma foto no Facebook. Consciência se veste como quem veste uma camiseta de marca - e é tão profunda quanto uma. Mas afirmar que está consciente de um problema qualquer é bonito, tem uma beleza oculta que palavras como conhecer, entender etc... não têm.

Outra grande platitude é aquela que permeia as marchas contra a corrupção, pelo meio-ambiente etc...: alguém em sã consciência é a favor da corrupção (excetuando aqueles que por ela são beneficiados)? Alguém que tenha o mínimo de inteligência (excetuando-se aqueles que deliberadamente a desligam para lucrar mais) é a favor da destruição ambiental? Atiram em todas as causas ao mesmo tempo, e não acertam em nenhuma. Mas tudo bem, é bom para a sofrida e escorchada Classe Média.

Também temos aquele discurso comercial recheado dessas, empregando-as como se fossem grandes inovações: Otimizar. Disponibilizar. Dinamizar. Sustentabilidade. Inovação. Empresas pagando grandes somas para assessorias de imprensa escreverem que Objetivando dinamizar o mercado, a Padaria do Zé oferece um novo conceito em pão.... Como se impactar (de forma positiva ou negativa) o mercado não fosse o objetivo de qualquer empresa, e como se disponibilizar produtos e serviços inovadores, de forma eficiente e sustentável, não fosse o que todas as empresas fazem (ou ao menos fingem).

Quase qualquer discurso político tem um delicioso recheio de platitudes. Melhorar a cidade/estado/país através da educação/saúde/indústria etc... são falados de forma pomposa. A criminalidade é um problema; também o são a corrupção, o meio-ambiente e as desigualdades sociais. Deixam em aberto como isso será (se é que será) feito - resolvê-los é atribuição básica de um político, e não uma meta em si. Mas isso cai bem nos discursos deles: se no mandato de um prefeito, 3 pessoas em uma cidade de 100 mil deixarem de ser pobres, tecnicamente, isto é uma melhoria.

E a auto-ajuda? Basicamente um conjunto de platitudes embebidas em um discurso obscurantista, sendo vendidas como conhecimento profundo e secreto. Palestras de motivação: não se deixar abalar pelos erros, procurar conhecimento etc... Regras foram feitas para serem quebradas, e Deus ajuda quem cedo madruga. Fica bonito vindo da boca de um palestrante, não acham?

Platitudes são uma ótima ferramenta para parecermos intelectuais, cultos, profundos, engajados, para nos escondermos sob um discurso, ou mesmo se quisermos ser demagógicos e manipuladores. E enquanto isso, continuemos objetivando disponibilizar melhorias sociais sustentáveis de forma consciente, para vencermos os desafios, pois afinal a fila anda.

sábado, 18 de abril de 2009

O português implora por socorro

Pode parecer chatice minha, mas ainda mantenho o hábito de falar e de escrever certo. Às vezes erros acontecem, mas certamente nenhum deles é tão grosseiro quanto os que vemos por aí.

É bem comum vermos, e ouvirmos, pessoas com pobremas de crobrança que estarão sendo atendidas pelo suporte técnico, ou que se sentem obicervadas e perçeguidas. Já vi lugares que vendem e consertam lavadouras e secadouras de ropa, refrigeradoures e elétro domésticos em gerau. E pessoas que foram no shopin cênte, compraram um rome tíeter e uma TV de LSD para assistir o futebolsinho enquanto tomam uma serveja jelada.

Mas todos os erros se encontram na internet. Nela, o português é brutal e sistematicamente violentado. Gerundismos, seje uma pessoa de menas iprocrizias, menas falçidades, menas sinica e mais onesta, auguém de felisidade que vive brincano, pessoas centimentais apaichonadas...

Sem entrar no espectro do miguxês, tiopês e derivados, basta entrar em Orkuts, chats e outros sites para vermos coisas como:



A clássica desculpa: não estudei, não tive acesso à educação. Há 60 anos atrás, talvez ela seria válida, mas na internet não há desculpa, pois há serviços como o Google e a Wikipédia a disposição, bastando interesse em pesquisar. Fechem o orkut e o MSN e... ao trabalho. Na internet, só fala errado quem quer.

Além disso, muitos dos que erram são jovens, talvez em uma fútil tentativa de não parecerem caretas e parecerem "modernos". Se for por isso, continuo sendo o velho e bom caretão, um chato de galochas que repara nos erros de português de todo mundo.

Ou pior ainda: eu só escrevo errado na internet. Não sabia que já havia no mercado um botão escrever certo/escrever errado para instalação rápida e indolor. Ou melhor, não sabia que uma pessoa que escreve certo no dia-a-dia conseguiria tolerar erros de português.



Seria muito pedantismo meu obrigar alguém a ser um autor barroco na hora de escrever, só gostaria de ver um pouco mais de respeito pela língua. Concerteza, naum quero qui o portugês seje maxucado.






crédito da foto do interruptor: http://www.flickr.com/photos/gregoryjameswalsh/2497481416/sizes/l/

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Aprendeno a recramar

Eu tenho a mania de ler o Reclame Aqui! nos momentos de tédio. Mania tosca minha, mais pra ver de quais empresas fugir. Mas de vez em quando saem pérolas como essa:



Eu também guero o meu devauta, estão mecrobrando (parente do Marlon Brando? Aquela coisa de culinária macrobiótica?) demais por uma mesajem nao altorisada, seja lá o que for isso. Será uma variante do tiopês?

Depois ninguém entende porque vendedores e atendentes de SAC se estressam (ou, no último caso, estarão se estressando).

Antes de reclamar, favor aprender a escrever -fikdik.

Obs: fora até 1° de março. Obrigado.

ouvindo: Rush - Distant Early Warning