Gostaria de poder dizer que sempre tive excelentes professores na faculdade, mas infelizmente a realidade é outra. Tais professores, infelizmente, parecem cada vez ser mais uma exceção, e a maioria deles são os professores mais-ou-menos (os professores ruins e muito ruins existem, mas são poucos - considero como 'mais ou menos' o que o pessoal chamaria de 'professor ruim').
Normalmente, o professor mais-ou-menos é aquele que se contenta com pouco. Se contenta com ir para a faculdade, dar sua aula e depois voltar para casa. Nunca está disponível para ajudar os alunos, não se envolve em nenhum projeto de extensão, de pesquisa ou de reciclagem. Pode ficar com o mesmo conhecimento para sempre, afinal é o que basta para ele dar a mesma aula durante anos.
Ele usa o mesmo material de aula há muito tempo, várias vezes com os mesmos livros que ele usou na graduação. E é irônico ver que, ao passo em que a cobrança para com os alunos em relação à atualização é ferrenha, o professor pode se dar o luxo de ficar estagnado e repetindo o mesmo conteúdo mecanicamente durante anos.
É aquele professor que encontra motivos para prejudicar seus alunos: desconta pontos por picuinhas em uma prova, tais como um passo não-crucial omitido em um cálculo, rejeita o uso de calculadoras pela paranoia dos alunos poderem usá-las para colar, diminui a nota da turma toda pelo erro de um aluno, etc... exceto na hora de ajudar as meninas que ele sonha em comer. Que transforma uma matéria interessante em algo absolutamente chato.
Já que eu falei em ajudar as meninas, posso citar uma historinha que aconteceu semestre passado comigo: durante uma prova, o professor se levanta e do mais absoluto nada começa a ajudar uma menina da sala. Se um menino fosse lá fazer a mesmíssima pergunta para ele, recebia um belo te vira, estamos em prova. Hipocrisia, hipocrisia ou tentativa de um professor forever alone de puxar o saco de alguém?
Ele não sabe como reagir perante os avanços nas ferramentas de ensino: slides? Apenas para serem lidos de forma monótona e mecânica. Trabalhos? Precisam obrigatoriamente serem entregues impressos - pergunto o que esse professor faz com os trabalhos de semestres passados. Internet? Não presta, tem muita besteira (e de fato tem, mas espera-se que todo aluno universitário, e que todo professor saiba separar a informação válida da ruim, verificar fatos e fontes etc...).
É aquele professor que surfa na onda da estabilidade, que chegou à sua zona de conforto e que dela só sairá quando se aposentar. Que confunde experiência com direito a estagnação, ou anos de carreira com experiência - já vi muitas pessoas há anos fazendo a mesma coisa e que não melhoram, continuam sendo mais-ou-menos nisso. Por sinal, o profissional experiente não é aquele que sobe de nível na cadeia empresarial, recebendo mais responsabilidades e afazeres por isso?
Ele cobra dos alunos o que ele não consegue oferecer: exatidão, organização, responsabilidade e compromisso. O que dizer de um professor que não planeja as aulas e vai fazendo tudo on the fly, decidindo aleatoriamente qual é o próximo assunto? De um professor que enche dois quadros com cálculos para chegar no fim e "ah, eu errei lá no começo"? Lamentável.
Confunde quantidade com qualidade, atola os alunos com exercícios que podem ser feitos de maneira mecânica, ao invés de dar uma pequena quantidade de exercícios de alta qualidade e que façam o aluno pensar. Dá provas de decoreba, de resolução de problemas teóricos [1].
E talvez eu seja pessimista, cínico etc... mas infelizmente noto que os bons professores são poucos, e cada vez mais raros. E normalmente esses bons professores são jovens, ao contrário do que alguns insistem em dizer no que toca a experiência (o professor mais experiente supostamente deveria ser melhor).
Enquanto isso, vamos com os professores mais-ou-menos, já que principalmente nas universidades federais os alunos têm pouco poder de decisão: não vão ser eles que vão conseguir demitir um professor, a menos que algo muito grave ocorra. Os professores mais-ou-menos estarão lá até que a morte ou a aposentadoria os separe das mesmas aulas chatas que eles dão há anos.
[1] É claro que há disciplinas onde tais problemas são necessários - Cálculo e Física, por exemplo. Mas nas disciplinas de aplicação, nas profissionalizantes, é válido obrigar o aluno a decorar informações puramente teóricas e despejá-las no papel, em vez de fazer com que ele pense e aplique o que ele sabe para resolver um problema - assim como no mundo real?
Opiniões e considerações sinceras sobre temas diversos, vindas de um engenheiro que escreve nas horas vagas (ou o contrário).
domingo, 3 de abril de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Anotações sobre alunos incompetentes na universidade
Normalmente, reconhece-se um aluno potencialmente incompetente ainda no ensino médio. É aquele aluno que só estuda para as provas um dia antes, que dá um jeitinho de fazer trabalhos no copia-e-cola ou Fulano, coloca o meu nome aí, que vai pra aula pra bater boca e xingar o professor. Embora hajam exceções, tais características invariavelmente tendem a se transportar quando ele entra no ensino superior.
Ele é o legítimo aluno-porta. É aquele que não adiciona nada às aulas, que não argumenta, que não opina, nada. Comporta-se como se estivesse no ensino médio, só que com bebida e festas. Deixa estudos para a última hora, fazendo madrugadões e depois dormindo em cima da prova, e assim faz com que sua formatura fique para o infinitésimo semestre.
Ele é desinteressado, e sempre deixa pra fazer trabalhos na última hora, copiando e colando - e às vezes mudando a ordem das palavras, para evitar eventuais detecções de plágios que possam ocorrer. Apresentações de trabalhos? Ele dá um jeitinho de se esquivar, ou de fingir muito bem, o suficiente para não reprovar. Aliás, não reprovar é com ele mesmo - o que é diferente de saber a matéria: ele sempre dá um jeitinho de colar nas provas.
Não se interessa por nada e não vai atrás de assuntos que o interessem, espera que todo o conhecimento venha aparecer na cabeça dele por osmose - o que invariavelmente não ocorre. É aquele aluno que não liga para nada e está interessado apenas em se formar de qualquer jeito.
Pergunto: que profissional será ele quando se formar? Certamente não será nenhum grande profissional. Há então duas opções: ou será um mau profissional, daqueles que será proibido de exercer a profissão, ou será um profissional mais-ou-menos, que faz um trabalho meia-boca, só para tapar buracos e garantir seu salário no fim do mês. Mesmo tendo o diploma, ele não terá a responsabilidade necessária para exercer a sua profissão - algo que se constrói durante a universidade, com trabalhos, projetos etc... os quais ele sempre dava um jeitinho de burlar.
Ele não se valorizará como profissional: pegará o emprego mais mixaria que puder, por não ter capacitação para exercer um cargo onde as exigências sejam altas - visto que ele sempre fugia de todas as dificuldades e desafios que a universidade fornecia para ele aprofundar seus conhecimentos. Não vai precisar querer colocar em prática o quase-nada que ele sabe.
E esse aluno incompetente, infelizmente, está tomando o lugar de alguém interessado. Alguém que conseguiria tirar algo dos seus anos na universidade, mas que não conseguiu passar no vestibular. Alguém que realmente aproveitaria a oportunidade.
A universidade requer uma mudança na forma de pensar e de encarar os estudos. O aluno está nela por opção (tirando os raros casos em que os pais obrigam, ou vencem pela teimosia ou birra) e dela pode se desligar se quiser: não está mais no ensino obrigatório. Mas, se prefere estar nela, que o faça de forma efetiva, e não apenas fingindo.
E também é necessária mais dureza por parte dos professores: é necessário coibir (e punir quando necessário) o copiar-e-colar, e projetar provas que exijam que o aluno pense, e não apenas despeje informações e cálculos nela. Pois é assim que qualquer profissão funciona: não há perguntas teóricas, há problemas a serem resolvidos - os quais necessitam do conhecimento teórico e dos cálculos para tal.
Foto: "What you don't want to see by your student programmer's computer", do usuário quinn.anya no Flickr.
Ele é o legítimo aluno-porta. É aquele que não adiciona nada às aulas, que não argumenta, que não opina, nada. Comporta-se como se estivesse no ensino médio, só que com bebida e festas. Deixa estudos para a última hora, fazendo madrugadões e depois dormindo em cima da prova, e assim faz com que sua formatura fique para o infinitésimo semestre.
Ele é desinteressado, e sempre deixa pra fazer trabalhos na última hora, copiando e colando - e às vezes mudando a ordem das palavras, para evitar eventuais detecções de plágios que possam ocorrer. Apresentações de trabalhos? Ele dá um jeitinho de se esquivar, ou de fingir muito bem, o suficiente para não reprovar. Aliás, não reprovar é com ele mesmo - o que é diferente de saber a matéria: ele sempre dá um jeitinho de colar nas provas.
Não se interessa por nada e não vai atrás de assuntos que o interessem, espera que todo o conhecimento venha aparecer na cabeça dele por osmose - o que invariavelmente não ocorre. É aquele aluno que não liga para nada e está interessado apenas em se formar de qualquer jeito.
Pergunto: que profissional será ele quando se formar? Certamente não será nenhum grande profissional. Há então duas opções: ou será um mau profissional, daqueles que será proibido de exercer a profissão, ou será um profissional mais-ou-menos, que faz um trabalho meia-boca, só para tapar buracos e garantir seu salário no fim do mês. Mesmo tendo o diploma, ele não terá a responsabilidade necessária para exercer a sua profissão - algo que se constrói durante a universidade, com trabalhos, projetos etc... os quais ele sempre dava um jeitinho de burlar.
Ele não se valorizará como profissional: pegará o emprego mais mixaria que puder, por não ter capacitação para exercer um cargo onde as exigências sejam altas - visto que ele sempre fugia de todas as dificuldades e desafios que a universidade fornecia para ele aprofundar seus conhecimentos. Não vai precisar querer colocar em prática o quase-nada que ele sabe.
E esse aluno incompetente, infelizmente, está tomando o lugar de alguém interessado. Alguém que conseguiria tirar algo dos seus anos na universidade, mas que não conseguiu passar no vestibular. Alguém que realmente aproveitaria a oportunidade.
A universidade requer uma mudança na forma de pensar e de encarar os estudos. O aluno está nela por opção (tirando os raros casos em que os pais obrigam, ou vencem pela teimosia ou birra) e dela pode se desligar se quiser: não está mais no ensino obrigatório. Mas, se prefere estar nela, que o faça de forma efetiva, e não apenas fingindo.
E também é necessária mais dureza por parte dos professores: é necessário coibir (e punir quando necessário) o copiar-e-colar, e projetar provas que exijam que o aluno pense, e não apenas despeje informações e cálculos nela. Pois é assim que qualquer profissão funciona: não há perguntas teóricas, há problemas a serem resolvidos - os quais necessitam do conhecimento teórico e dos cálculos para tal.
Foto: "What you don't want to see by your student programmer's computer", do usuário quinn.anya no Flickr.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
A maldição das impressoras
"Além dos cartuchos custarem mais caro que as impressoras, o que é mais irritante é quando a sua impressora deixa de funcionar a menos que todas as cores estejam disponíveis.
ERRO: Impossível imprimir 'AlgumDocumentoEmPretoEBranco.doc' pois a impressora está sem tinta ciano."
Hoje eu queria imprimir uma coisinha com a minha multifuncional. Coisinha simples, uma única página preto-e-branco. Porém, estou sem cartucho colorido (ele queimou depois de várias recargas), o que não deveria me afetar, obviamente.
Exceto que... ela simplesmente se recusa a operar sem cartucho colorido. Mesmo para um documento em preto-e-branco, preciso de um cartucho de R$ 50 e que não dura nada, visto que tem apenas 5 ml - isso nos dá incríveis R$ 10 mil por litro. Nem o petróleo é tão caro assim. Nada justifica que a tinta seja tão cara assim - se ela contivesse sangue de uma espécie rara de unicórnios encontrados apenas em uma pequena ilha no Atlântico Norte, quem sabe. Não é nenhum vinho sofisticadíssimo, é apenas uma mistura de derivados de petróleo!
Obviamente, isso se deve a uma estratégia análoga à venda a droga por um preço baixo e crie viciados. O objeto do "vício" é o cartucho de tinta; a impressora é vendida por um preço muito baixo, no conceito de loss leader: vende-se um produto pelo preço abaixo do mercado, e o lucro será obtido vendendo acessórios/suprimentos/planos para ele.
E muitas vezes, tenho a impressão (sem trocadilhos) que impressoras são os únicos eletrônicos que não evoluíram tanto quanto o ecossistema computacional ao seu redor. Aliás, tenho muitas vezes a impressão que elas regrediram.
Uma impressora de 10 anos atrás faz o mesmo trabalho que uma atual, mas não tem tantos badulaques, não precisa de um driver gigante [1], tem botões que me permitem pausar/cancelar uma impressão - ao contrário das atuais, onde tudo é por software, e me permite recarregar os cartuchos sem precisar de 'reset' ou afins para burlar os sistemas "anti-recarga" neles embutido.
Outra coisa que nunca me interessou é a impressão de fotos, sinceramente nunca vi motivação para fazer isso em casa: uma das coisas que mais gosto na fotografia digital é justamente não imprimir, e se eu quiser fazer isso, é muito melhor colocar as fotos em um CD ou pen-drive e levar a um laboratório fotográfico, onde posso imprimí-las por um preço razoável e com qualidade melhor.
Acabo fazendo a maioria das minhas impressões no xerox da universidade onde estudo. Pode ser mais caro, mas a qualidade é muito melhor, posso encadernar ali mesmo por uma pequena quantia a mais, e a longo prazo, a relação custo/benefício acaba compensando.
Tenho pouca utilidade para uma impressora ou multifuncional em casa, e portanto gostaria de alguma coisa simples, voltada àqueles que imprimem textos e ocasionalmente imagens, e que escaneiam uma figura ou foto de vez em quando. Nada de impressoras com sistemas operacionais completo em telas touch-screen, recursos para imprimir fotos em alta qualidade, scanners de alta definição, leitores de cartões para trocentos formatos e milhões de configurações: algo que apenas imprima, escaneie e copie.
Recomendo a leitura do excelente "Why I Believe Printers Were Sent From Hell To Make Us Miserable", de onde tirei a imagem que ilustra este post, para entender os principais problemas com as impressoras. Enquanto isso, vou me estressando com a impressora.
[1] A minha primeira impressora, há 10 anos atrás, vinha com um CD com todos os drivers necessários para os sistemas operacionais em uso à época, e estes mal ocupavam 100MB na mídia. Apenas despachei ela devido ao fato dela usar a porta paralela e não ter drivers para os Windows após o XP.
A minha impressora atual veio com dois CDs: um para Windows e outro para Mac. O driver ocupa uns 500MB na instalação mínima com todos os utilitários, e se eu quiser instalar apenas o driver? Boa sorte. Felizmente a HP é razoavelmente inteligente e os drivers para Linux são muito bons.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
"Review": HD externo Hitachi XL1000
Obs: NÃO TENHO MAIS ESSE HD! NÃO TENHO COMO RESPONDER PERGUNTAS SOBRE ELE!
Comprei recentemente um HD externo Hitachi XL1000, de 1TB, para suprir minha necessidade por armazenamento e backup. Ele não é exatamente portátil (até onde eu sei não existe HD de 1TB 2.5", e ele efetivamente é um HD de desktop em uma case), tem a espessura de um livro mais grosso e precisa de fonte de alimentação externa (não é alimentado pela USB).
Meu primeiro passo foi formatá-lo em outro sistema de arquivos. Escolhi o NTFS mesmo, devido à compatibilidade com ambos Windows e Linux. Mas testei ele brevemente com ReiserFS, criando e deletando arquivos, e não houve problema algum.
O desempenho dele é bom: não espero rodar uma máquina virtual a partir dele, mas testei com vídeos e eles rodaram bem. Uma possibilidade bem interessante, mas que não explorei por ela ser desnecessária para mim, é a de instalar um Linux em uma partição nele, encher o resto com drivers/utilitários/imagens de disco e e usar ele como um "HD de restauração" para o técnico/profissional de TI que precisa consertar computadores no seu dia-a-dia.
Uma sacada inteligente PRA CARAMBA dele é permitir que o usuário escolha qual o tipo de tomada que o adaptador usa. Realmente, MUITO bem pensado, especialmente para quem viaja para o exterior.
Outra coisa inteligente é o fato dele entrar em stand-by automaticamente quando o computador é desligado, ou seja, pode-se deixá-lo ligado sempre na tomada.
Os problemas dele:
- O LED de acesso faz com que o logotipo da Hitachi piscando, e isso se torna irritante após um tempo.
- Conectores são bastante frágeis e não inspiram confiança para conexão-desconexão repetitivos.
- Um pouco barulhento, mas isso não chega a afetar seu uso no dia-a-dia.
- O "startup" dele é lento, demora uns 15 segundos até estar disponível.
E infelizmente, se eu quiser acessar o HD em ambos Linux e Windows, eu precisarei formatá-lo no NTFS (não considero FAT32), e o ntfs-3g (aliás, primeira vez que uso ele: quando ele surgiu, eu já não fazia dual-boot e tampouco precisava de NTFS), mas isso não é culpa do dispositivo.
Só o tempo dirá se ele é um dispositivo robusto, mas no momento estou bastante satisfeito: consigo fazer backup dos meus arquivos do notebook (uns 160GB) e ainda sobra uma boa quantidade de espaço.
Comprei recentemente um HD externo Hitachi XL1000, de 1TB, para suprir minha necessidade por armazenamento e backup. Ele não é exatamente portátil (até onde eu sei não existe HD de 1TB 2.5", e ele efetivamente é um HD de desktop em uma case), tem a espessura de um livro mais grosso e precisa de fonte de alimentação externa (não é alimentado pela USB).
Meu primeiro passo foi formatá-lo em outro sistema de arquivos. Escolhi o NTFS mesmo, devido à compatibilidade com ambos Windows e Linux. Mas testei ele brevemente com ReiserFS, criando e deletando arquivos, e não houve problema algum.
O desempenho dele é bom: não espero rodar uma máquina virtual a partir dele, mas testei com vídeos e eles rodaram bem. Uma possibilidade bem interessante, mas que não explorei por ela ser desnecessária para mim, é a de instalar um Linux em uma partição nele, encher o resto com drivers/utilitários/imagens de disco e e usar ele como um "HD de restauração" para o técnico/profissional de TI que precisa consertar computadores no seu dia-a-dia.
Uma sacada inteligente PRA CARAMBA dele é permitir que o usuário escolha qual o tipo de tomada que o adaptador usa. Realmente, MUITO bem pensado, especialmente para quem viaja para o exterior.
Outra coisa inteligente é o fato dele entrar em stand-by automaticamente quando o computador é desligado, ou seja, pode-se deixá-lo ligado sempre na tomada.
Os problemas dele:
- O LED de acesso faz com que o logotipo da Hitachi piscando, e isso se torna irritante após um tempo.
- Conectores são bastante frágeis e não inspiram confiança para conexão-desconexão repetitivos.
- Um pouco barulhento, mas isso não chega a afetar seu uso no dia-a-dia.
- O "startup" dele é lento, demora uns 15 segundos até estar disponível.
E infelizmente, se eu quiser acessar o HD em ambos Linux e Windows, eu precisarei formatá-lo no NTFS (não considero FAT32), e o ntfs-3g (aliás, primeira vez que uso ele: quando ele surgiu, eu já não fazia dual-boot e tampouco precisava de NTFS), mas isso não é culpa do dispositivo.
Só o tempo dirá se ele é um dispositivo robusto, mas no momento estou bastante satisfeito: consigo fazer backup dos meus arquivos do notebook (uns 160GB) e ainda sobra uma boa quantidade de espaço.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Mais uma da nossa amiguinha MPAA: desconectar o Google
A mais recente da MPAA: ela ameaçou tirar o Google da internet por supostas violações de copyright. Mais uma ideia daquelas que só poderia vir de advogados e executivos sem nenhum conhecimento técnico.
Primeiramente, o Google não tem um provedor. Ele É seu próprio provedor, e usa serviços de vários outros em vários países. Desconectar o Google não vai ser algo tão simples assim - se é que é possível. Gostaria de ver o mecanismo que a MPAA propõe para isto: vão cortar as rotas BGP do Google, deixando ele no escuro?
Após: na remota hipótese de porcos voarem, vacas tussirem e isso ocorrer, o que será feito? Todos os domínios *.google.com redirecionarão para um this page was removed due to violation of the terms of service? Os serviços hospedados no Google morrerão - os mesmos que certamente são usados pelos próprios advogados da MPAA e dos estúdios, e por esmagadora maioria da internet? Isso irá causar um protesto de quase toda a internet.
Outra coisa importante é que todos os mecanismos de identificação por endereço IP são falhos: é muito comum empresas terem um conjunto de conexões de internet para si, e elas servirem de conectividade para toda a empresa. Uma empresa com 5 mil funcionários pode ter 50 endereços IP alocados - ou seja, em caso de recebimento de denúncia, identificar quem-quando-onde-como torna-se praticamente impossível. Ao menos é o caso com o IPv4; com o IPv6, onde não há NAT e teoricamente TODOS podem ter endereços IP válidos, esse problema provavelmente será resolvido.
Um usuário doméstico, cuja conexão recebe um IP dinâmico a cada vez que ele liga o modem/disca para o provedor, pode ser erroneamente punido pelo que outro usuário fez com aquele mesmo endereço IP há alguns meses antes.
Por fim, tenho minhas dúvidas: DUVIDO que os executivos da MPAA, ou familiares deles, não tenham nada pirata em suas casas.
DUVIDO que as redes dessa própria MPAA não tenham sido usadas para pirataria.
Lembro que, na cidade onde eu morava há alguns anos atrás, um policial foi visto... comprando CDs piratas. Irônico, não? Quem observa os observadores?
Além disso, eles introduziram MUITAS pessoas ao mundo da pirataria: lembro da época em que ela ainda engatinhava, no underground da internet, e apenas os mais iniciados conseguiam usar o IRC para baixar uma música ou um filme.
E, do jeito que a MPAA/RIAA/* gostam de cantar vitória cada vez que um site com conteúdo pirata é tirado do ar... garanto que muitos leigos, que antes não sabiam o que era "baixar músicas", ouviram falar nisso com a grande mídia.
Tudo caminha em direção a uma vitória pírrica para a indústria da propriedade intelectual, algo suficiente para abalar a imagem de tais instituições, já degradada devido a tantos anos de paranoia injustificada (estamos em 2011, há uns 5 anos que eu cobro um estudo científico sobre o real efeito da pirataria no lucro da indústria) e infrutífera. Espero que os porcos voem e que este seja o tiro no pé definitivo para essas a$$ociaçõe$ repre$entante$ de uma indú$tria de produções de baixa qualidade.
Primeiramente, o Google não tem um provedor. Ele É seu próprio provedor, e usa serviços de vários outros em vários países. Desconectar o Google não vai ser algo tão simples assim - se é que é possível. Gostaria de ver o mecanismo que a MPAA propõe para isto: vão cortar as rotas BGP do Google, deixando ele no escuro?
Após: na remota hipótese de porcos voarem, vacas tussirem e isso ocorrer, o que será feito? Todos os domínios *.google.com redirecionarão para um this page was removed due to violation of the terms of service? Os serviços hospedados no Google morrerão - os mesmos que certamente são usados pelos próprios advogados da MPAA e dos estúdios, e por esmagadora maioria da internet? Isso irá causar um protesto de quase toda a internet.
Outra coisa importante é que todos os mecanismos de identificação por endereço IP são falhos: é muito comum empresas terem um conjunto de conexões de internet para si, e elas servirem de conectividade para toda a empresa. Uma empresa com 5 mil funcionários pode ter 50 endereços IP alocados - ou seja, em caso de recebimento de denúncia, identificar quem-quando-onde-como torna-se praticamente impossível. Ao menos é o caso com o IPv4; com o IPv6, onde não há NAT e teoricamente TODOS podem ter endereços IP válidos, esse problema provavelmente será resolvido.
Um usuário doméstico, cuja conexão recebe um IP dinâmico a cada vez que ele liga o modem/disca para o provedor, pode ser erroneamente punido pelo que outro usuário fez com aquele mesmo endereço IP há alguns meses antes.
Por fim, tenho minhas dúvidas: DUVIDO que os executivos da MPAA, ou familiares deles, não tenham nada pirata em suas casas.
DUVIDO que as redes dessa própria MPAA não tenham sido usadas para pirataria.
Lembro que, na cidade onde eu morava há alguns anos atrás, um policial foi visto... comprando CDs piratas. Irônico, não? Quem observa os observadores?
Além disso, eles introduziram MUITAS pessoas ao mundo da pirataria: lembro da época em que ela ainda engatinhava, no underground da internet, e apenas os mais iniciados conseguiam usar o IRC para baixar uma música ou um filme.
E, do jeito que a MPAA/RIAA/* gostam de cantar vitória cada vez que um site com conteúdo pirata é tirado do ar... garanto que muitos leigos, que antes não sabiam o que era "baixar músicas", ouviram falar nisso com a grande mídia.
Tudo caminha em direção a uma vitória pírrica para a indústria da propriedade intelectual, algo suficiente para abalar a imagem de tais instituições, já degradada devido a tantos anos de paranoia injustificada (estamos em 2011, há uns 5 anos que eu cobro um estudo científico sobre o real efeito da pirataria no lucro da indústria) e infrutífera. Espero que os porcos voem e que este seja o tiro no pé definitivo para essas a$$ociaçõe$ repre$entante$ de uma indú$tria de produções de baixa qualidade.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Removendo recursos em nome do "minimalismo": o caso do GNOME 3
Uma das "novidades" no GNOME 3 será que o seu laptop/netbook automaticamente entrará em 'suspend' quando a tampa dele for fechada. No GNOME 2, o usuário pode escolher a atitude a ser tomada nessas circunstâncias, já no GNOME 3 tal opção somente poderá ser desativada pelo dconf.
A argumentação dos desenvolvedores do GNOME 3 gira em torno de ideias: "notebooks podem sobreaquecer e incendiarem quando fechados" e "queremos fazer uma interface simples". Ideias facilmente refutáveis de um ponto de vista mais power-user.
Para o caso da primeira, considero - do ponto de vista da engenharia - que nenhum laptop bem-projetado deva incendiar. Todos os processadores atuais têm mecanismos de proteção térmica, que modulam o seu clock ou desligam a máquina em caso de sobreaquecimento. E não vai ser com workarounds, mascarando problemas de hardware com software, que se resolverão defeitos em camadas inferiores (no kernel, ou mesmo falhas de projeto).
Eu não quero ter que interromper todos meus downloads que deixei rodando durante a noite com o notebook fechado (de forma a preservar a lâmpada e diminuir o consumo de energia), tampouco quero perder as conexões ssh ou chats no IRC que deixei abertos, ou mesmo uma compilação que leva a noite toda para rodar.
Soma-se a isso o fato do suspend não ser algo 100% funcional para todos os drivers (Intel com kernel antigo, por exemplo - suspend não funciona adequadamente), o que poderia gerar uma onda de frustrações e dores de cabeça - no meu caso, implicaria que não posso fechar meu laptop!
O segundo ponto: considero que de nada adianta simplificar e, no processo, prejudicar os usuários tirando recursos que em versões anteriores funcionavam bem e eram acessíveis de forma fácil (certamente muito mais fácil do que editar valores no dconf).
É uma pena que o GNOME esteja entendendo o menos é mais como tirar recursos que já funcionavam bem é tudo: ele poderia, se houvesse mais interesse dos desenvolvedores nesse aspecto, virar um exemplo de como é possível fazer um ambiente fácil de usar sem necessariamente privar os usuários de sua flexibilidade.
Mesmo o Windows permite que o usuário configure esse item, e a interface para tal parece suficientemente intuitiva mesmo para um não-geek. Pode não ser um primor de usabilidade, mas claramente é muito mais usável que editar entradas num registro (uma das grandes dores-de-cabeça do Windows, agora disponível para o Linux) - o que ironicamente contradiz as ideias de usabilidade e simplicidade.
Como solução, certamente aparecerão ferramentas no estilo do Ubuntu Tweak, que permitirão ao usuário desativar tal recurso - espero que o pessoal do GNOME seja esperto o suficiente para retornar os controles às mãos do usuário, e não sujeitá-los às arbitrariedades de pessoas que não conhecem o perfil de uso de cada pessoa.
Mas obviamente, precisar de uma ferramenta de terceiros para tapar os buracos de algo que já existia e foi extirpado, já complica as coisas para o usuário não-geek, aquele que o Linux quer (e precisa) cativar - o que é mais simples de fazer, digamos, por telefone: "fulano, vai em Sistema, depois em Preferências e depois em Energia, daí tu desativa" ou "instala tal coisa, depois vai em tal lugar, depois em outro"?
Sinto que o GNOME está indo pelo caminho errado: tratando o usuário como um idiota que não precisa - e nem deve - configurar nada, que sempre se contenta com programas com meia dúzia de configurações, e que aceita que outras decisões se imponham na forma como ele trabalha.
Pelo menos já migrei para o KDE, que me oferece uma boa quantidade de configurações facilmente acessíveis, e que não se apega a um minimalismo mamãe, quero ser Apple! que acaba se tornando restritivo, ao obrigar o usuário a mudar sua forma de trabalhar em vez de se adaptar ao meu dia-a-dia.
A argumentação dos desenvolvedores do GNOME 3 gira em torno de ideias: "notebooks podem sobreaquecer e incendiarem quando fechados" e "queremos fazer uma interface simples". Ideias facilmente refutáveis de um ponto de vista mais power-user.
Para o caso da primeira, considero - do ponto de vista da engenharia - que nenhum laptop bem-projetado deva incendiar. Todos os processadores atuais têm mecanismos de proteção térmica, que modulam o seu clock ou desligam a máquina em caso de sobreaquecimento. E não vai ser com workarounds, mascarando problemas de hardware com software, que se resolverão defeitos em camadas inferiores (no kernel, ou mesmo falhas de projeto).
Eu não quero ter que interromper todos meus downloads que deixei rodando durante a noite com o notebook fechado (de forma a preservar a lâmpada e diminuir o consumo de energia), tampouco quero perder as conexões ssh ou chats no IRC que deixei abertos, ou mesmo uma compilação que leva a noite toda para rodar.
Soma-se a isso o fato do suspend não ser algo 100% funcional para todos os drivers (Intel com kernel antigo, por exemplo - suspend não funciona adequadamente), o que poderia gerar uma onda de frustrações e dores de cabeça - no meu caso, implicaria que não posso fechar meu laptop!
O segundo ponto: considero que de nada adianta simplificar e, no processo, prejudicar os usuários tirando recursos que em versões anteriores funcionavam bem e eram acessíveis de forma fácil (certamente muito mais fácil do que editar valores no dconf).
É uma pena que o GNOME esteja entendendo o menos é mais como tirar recursos que já funcionavam bem é tudo: ele poderia, se houvesse mais interesse dos desenvolvedores nesse aspecto, virar um exemplo de como é possível fazer um ambiente fácil de usar sem necessariamente privar os usuários de sua flexibilidade.
Mesmo o Windows permite que o usuário configure esse item, e a interface para tal parece suficientemente intuitiva mesmo para um não-geek. Pode não ser um primor de usabilidade, mas claramente é muito mais usável que editar entradas num registro (uma das grandes dores-de-cabeça do Windows, agora disponível para o Linux) - o que ironicamente contradiz as ideias de usabilidade e simplicidade.
Como solução, certamente aparecerão ferramentas no estilo do Ubuntu Tweak, que permitirão ao usuário desativar tal recurso - espero que o pessoal do GNOME seja esperto o suficiente para retornar os controles às mãos do usuário, e não sujeitá-los às arbitrariedades de pessoas que não conhecem o perfil de uso de cada pessoa.
Mas obviamente, precisar de uma ferramenta de terceiros para tapar os buracos de algo que já existia e foi extirpado, já complica as coisas para o usuário não-geek, aquele que o Linux quer (e precisa) cativar - o que é mais simples de fazer, digamos, por telefone: "fulano, vai em Sistema, depois em Preferências e depois em Energia, daí tu desativa" ou "instala tal coisa, depois vai em tal lugar, depois em outro"?
Sinto que o GNOME está indo pelo caminho errado: tratando o usuário como um idiota que não precisa - e nem deve - configurar nada, que sempre se contenta com programas com meia dúzia de configurações, e que aceita que outras decisões se imponham na forma como ele trabalha.
Pelo menos já migrei para o KDE, que me oferece uma boa quantidade de configurações facilmente acessíveis, e que não se apega a um minimalismo mamãe, quero ser Apple! que acaba se tornando restritivo, ao obrigar o usuário a mudar sua forma de trabalhar em vez de se adaptar ao meu dia-a-dia.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
2 anos de blog
Hoje, 25/01/2011, esse blog faz dois anos. Nesse período falamos de Linux e outros softwares livres, copyrights, música, educação, mundo acadêmico etc....
Esse post foi só pra poder usar a foto desse bolo.
(fonte da foto: http://www.sxc.hu/photo/536471)
Esse post foi só pra poder usar a foto desse bolo.
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