sexta-feira, 16 de abril de 2010

O meu "jeito Arch"

Em Maio desse ano, completarei 3 anos como usuário Arch Linux. Embora nesse meio tempo eu tenha tentado utilizar outras distribuições Linux, invariavelmente voltei ao Arch (e talvez só o trocaria pelo Gentoo). Por quê?

1. Simplicidade e transparência

O sistema todo é estruturado de forma bastante transparente, com a configuração centralizada em alguns arquivos no /etc. Interfaces gráficas para a configuração (shaman, Arch Assistant etc...) estão disponíveis aos interessados, mas não são obrigatórias para o uso do sistema.

Os arquivos de configuração são altamente comentados e usam uma sintaxe bastante clara (nada de XML para cá e para lá, como vemos em algumas outras distros). É o complexity without complication, conceito também definido na Arch Way.

Contrastar com algumas distros quais TUDO é realizado a partir de um painel de controle central (o que, por si só, contraria a Arch Way), e os arquivos de configuração muitas vezes são tão obscuros a ponto de fazer a pessoa que está configurando desistir.

2. Modelo de empacotamento

Pacotes podem ser gerados facilmente a partir de um arquivo PKGBUILD. Posteriormente, eles podem ser enviados para o AUR, repositório mantidos pela comunidade e que é alimentado por uma seleção baseada no feedback e nas demandas da comunidade: pacotes bastante votados entram para o [community], já aqueles que atendem um nicho (jogos, plug-ins para o GIMP, bibliotecas para a linguagem Haskell, drivers para hardwares exóticos etc...) continuam disponíveis aos interessados.

Recompilar um pacote com opções personalizadas (por exemplo, adicionando um patch ou mudando flags) também é prontamente feito a partir do ABS (Arch Build System).

Não existem pacotes -devel ou -doc como em outras distribuições, um pacote como o do GTK já incluirá toda a bateria de ferramentas necessárias para compilações. Evidentemente, isso é uma péssima ideia para usuários de conexões lentas ou de sistemas com pouco espaço em disco, mas eles certamente não são o público mais adequado para o Arch.

Não existe o conceito de meta-pacote (pacote que não contém arquivos, mas sim depende de outros pacotes e, portanto, os traz quando da sua instalação). Lembro de, nos Ubuntu antigos, haver um ubuntu-desktop que dependia de TUDO. Se eu quisesse remover o Evolution (que eu não usava), eu era praticamente obrigado a quebrar o sistema.

3. Comunidade

Tem uma relação sinal-ruído ótima; a Wiki do Arch também é bastante completa (embora às vezes esteja defasada). A participação dos usuários é encorajada de forma simples, o exemplo mais claro é o AUR, no qual vemos a importância da cultura do it yourself para o Arch.

Comparar com distribuições que criam todo um formalismo ao redor do processo de empacotamento ou de sugestão de patches ou melhorias.

4. Rolling Release

Não é preciso esperar sair uma versão nova da distro para ter um kernel novo ou a última versão de cada pacote. Não existe o conceito de um dist-upgrade como nas derivadas do Debian (um pacman -Syu basta), e uma mesma instalação pode durar anos.

Também, a necessidade de forçar a instalação de um pacote (sobrescrevendo arquivos já existentes) é rara (exceto, é claro, em atualizações mais radicais, como uma versão nova do KDE, ou quando uma máquina fica meses sem ser atualizada).

Evidentemente, esta característica torna o Arch inadequado para servidores de aplicações críticas ou máquinas cuja conexão com a Internet seja inexistente ou limitada (por exemplo, conexão discada).

Comparar com distros que confundem estabilidade com antiguidade. Ao menos em desktop, se a versão 2.0 de um programa está disponível oficialmente (ou seja, não compilada de GIT/SVN/CVS etc...), faz sentido empacotar uma versão anterior?

5. Desempenho

Na prática, notei que o Arch foi uma das distros mais rápidas na inicialização (inicia em menos de 20 segundos com diversos serviços ligados), e o Pacman também é um dos gerenciadores de pacotes mais rápidos. Claro que isso não é um benchmark formal, apenas baseado em observações práticas. Provavelmente isso se deve à simplicidade do seu processo de inicialização.

6. User-Centric.

O Arch é feito de geeks para geeks, de e para pessoas que têm condições e conhecimento para administrar seu próprio sistema. Como já afirmado no item 1, não há "wizards" ou interfaces gráficas para operações de sistema.

As outras distribuições que eu testei falhavam, principalmente, nos aspectos 1, 3 (não acho que seja adequado esperar uma versão nova da distro, ou ter que catar repositórios alternativos, para que eu possa ter um Firefox 3.6 ou um Wine sempre na versão mais atualizada - algo crucial para uma ferramenta em rápida evolução) e 6 (não considero que eu tenha necessidade de um next-next-finish).

Não serei eu que irei convencer alguém a usá-lo, até porque considero que, se uma pessoa precisa ser convencida ou forçada a usar ele, o Arch não é a distro mais adequada. Mas provavelmente recomendaria-o a todos aqueles que querem abandonar a condição de "end-user", um mero passageiro, para se tornarem verdadeiros pilotos dos seus sistemas Linux.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Reflexões sobre o mundo acadêmico

Comecei o 3° semestre, sou um veterano agora, e acho que cabem algumas reflexões nesse ano de aulas, estudo, provas etc... Cheguei a algumas dessas conversando com colegas meus e com os bixos.

Esse artigo está mais centrado na Engenharia, mas várias das sugestões aqui valem para outros cursos.

- Primeiramente: ESTUDAR NÃO É TUDO. Não adianta, não tem como tirar esse preconceito da cabeça de muitos. A educação formal não é tão relevante para o mercado quanto era há 30 anos atrás, quando um diploma era garantia total de um bom emprego, até porque TODOS os que se formam terão o conhecimento (ao menos é o que se espera).

Nenhum empregador vai querer ver teu histórico escolar e dizer NOSSA, tenho que contratar essa pessoa, ela tirou 10 em todas as matérias nos 3 últimos semestres!. Vai pesar muito mais aquele projeto que você fez com seus amigos, aquele que te ensinou a ir além do que o professor ensinava na aula, que te obrigou a correr atrás e aprender noções de administração, trabalho em equipe, gerenciamento de projetos etc...

-- Responsabilidade, profissionalismo, ética. Atitudes que não se aprendem em sala de aula, mas que somente são desenvolvidas quando cultivadas de forma sistemática. A começar pela universidade. O que podemos esperar de um aluno que cola em provas, inventa desculpas para faltar a compromissos, copia trabalhos, entre outros? Muito pouco.

- Querer mostrar conhecimento, ser pedante, também não levará a lugar nenhum. Tenho professores que dão aula há mais de 25 anos, e não vão ser eles a serem enganados por alguém que fala difícil para impressionar. No máximo irá trazer um monte de amizades falsas, daquelas que só se juntam para fazer trabalhos.

Da mesma forma, pessoas que resumem o seu conhecimento a recitar livros de cabeça terão sérias dificuldades em um ambiente no qual o "core dump" mental é inaceitável.

- JAMAIS se engane com o primeiro semestre: normalmente ele é bastante fácil, mesmo as disciplinas críticas (Cálculo e Física, normalmente) estão em um nível bastante acessível ao aluno interessado (eu mesmo raramente estudei Cálculo A e tirei 7,5 na média). Entretanto, nos outros semestres a dificuldade crescerá de forma exponencial.

Da mesma forma, procurar iniciação científica nos semestres iniciais é uma péssima ideia. Você não tem nenhum conhecimento específico e, em um laboratório, será um peixe fora d'água, servindo como um auxiliar de serviços gerais. Eu recomendo esperar até o 3° semestre, no qual você já saberá o que quer para seu futuro profissional e terá condições de se aprofundar em um assunto (já saberá Cálculo e Física, por exemplo), e terá de 3 a 4 anos para produzir.

(Inclusive, muitos professores, rejeitam alunos do básico para iniciação, exceto quando o aluno já tem experiência na área - por exemplo, cursos técnicos)

- NÃO SE RESTRINJA à simplesmente estudar aquilo que foi visto em sala de aula. Procure assuntos relacionados, na área em que você quer seguir. Isso dá um excelente boost para os estudos, ao menos para quem entende melhor através de exemplos e aplicações. Aprenda a usar softwares específicos da sua área (principalmente para as engenharias), leia artigos científicos (as universidades federais têm acesso ao Portal de Periódicos, seu melhor amigo nessas horas) e livros em outros idiomas (afinal, você não quer esperar anos por uma tradução para o português), entre outros.

- Qualquer curso VAI exigir sacrifícios. Inclusive a tão temida ausência de vida social. Agora, pondere o que é melhor para você (aproximadamente o que o meu professor de Física I disse): ficar eternamente na faculdade bebendo cachaça e indo em botecos ou sacrificar agora, constituir uma carreira e poder ir em lugares melhores? Isso não contradiz o primeiro item dessa lista, estudar continua não sendo tudo, mas mais cedo ou mais tarde você precisará transformar o sábado à noite em um dia útil para fazer seu TCC ou escrever um artigo.

- Reprovar em uma ou duas disciplinas invariavelmente irá acontecer para muitos, devido à carga horária. O que se deve evitar é perder o semestre reprovando em mais da metade das disciplinas, e um mau desempenho naquelas que são dependências das outras (por exemplo, o aluno que reprova em Física I não pode cursar Física II e, portanto, já vai ficando para trás)

Essas foram as conclusões que eu tirei no meu primeiro ano no ensino superior. Provavelmente, com o tempo, de cada pessoa virão outras.

O tempo que você passa na universidade pode ser os melhores 3/4/5/6 anos da sua vida, ou os piores. Para quem tratá-la simplesmente como um local de estudo, provavelmente irá achar um saco. Mas para quem transformá-la em um local de APRENDIZAGEM (nas mais diversas formas), ela provavelmente será muito mais agradável,

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

MPD (Music Player Daemon): introdução

Há mais de um ano atrás, adotei o mpd como meu player de áudio principal, quase ao mesmo tempo em que abandonei desktop environments e migrei para o Openbox. Neste artigo venho a escrever um pouco mais sobre essa ferramenta.

Vantagens:

- Leveza: o daemon consome apenas 15MB de RAM mesmo com uma playlist de 20 mil itens.
- Compatibilidade com a filosofia UNIX: pode-se interagir com o mpd usando shell scripts, programas externos ou bindings para linguagens como C, Python, Ruby, Java etc..., ou mesmo por telnet. Ele também pode ser integrado com programas como o conky.

A principal desvantagem dele, para alguns, é o fato dele não ter eye candy, nem recursos como integração com sites de download de música ou o Last.fm.

Mas, para quem procura simplesmente ouvir música e ter um player robusto e que possa ser controlado remotamente, ele é uma excelente opção.

Instalação/Configuração:

- No Arch Linux basta apenas um pacman -S mpd e depois adicionar mpd à linha DAEMONS do rc.conf.

Depois, criamos um arquivo /etc/mpd.conf com as configurações dele.
O arquivo exemplo (mpd.conf.example) é extremamente bem-comentado, mas incluo o meu mpd.conf com as opções necessárias à maioria dos usuários.


- Também precisamos de algo para interagir com o player. Recomendo instalar os 'mpc' e o ncmpcpp-git (disponível na AUR), um cliente em modo-texto (ncurses) para o mpd. Opções gráficas são o 'gmpc', o 'sonata', entre outros.

Este último também tem um arquivo de configuração que deve ser salvo em ~/.ncmpcpp/config e que, novamente, é muito bem documentado. Meu exemplo encontra-se aqui.

- Agora, iniciemos o daemon com '/etc/rc.d/mpd start'. Se tudo der certo, ele deve demorar um pouco para construir a lista de músicas.

Uso:

- Para criar uma playlist, execute o ncmpcpp, aperte [Tab] e use a barra de espaço para adicionar uma pasta. A operação desse browser é similar a de um gerenciador de arquivos.

- Depois, voltando à playlist (aperte [Tab] novamente), selecione uma música e aperte ENTER para começar a reprodução.

As teclas de atalho mais importantes são (notando que o programa é sensível a maiúsculas e minúsculas):

's' = parar
'P' = pausa
'< >' = faixa anterior/próxima
'b/f' = retroceder/avançar na música
setas esquerda e direita = diminuir e aumentar volume
'r' = modo de repetição
'z' = modo aleatório
'y' = repetir a mesma faixa
'R' = modo 'consume' (tira as faixas da playlist depois que elas
tocarem)
'Z' = embaralhar a playlist
'u' = atualizar o banco de dados (usar quando novas músicas forem
adicionadas; o mesmo pode ser feito pelo comando 'mpc update').
'/' = procurar na playlist

O programa tem um help completo, bastando apertar F1.

- Para manipular o player pela linha de comando (ou por shell scripts, atalhos de teclado etc...), usamos o 'mpc'. Não irei copiar o help dele (acessível pelo 'mpc help'), mas alguns comandos básicos são (acredito que os nomes sejam bastante óbvios):

mpc stop mpc play mpc next mpc previous mpc toggle (alternar play/pause) mpc stats (mostrar informações do DB: quantas faixas, quantos artistas, quando foi a última atualização).

- Para que o mpd envie faixas ao last.fm, podemos usar o
mpdscribble. Sua configuração, novamente, é bem simples; acredito que quem chegou até aqui não terá dificuldade em fazê-lo seguindo o exemplo.

Conclusão:

Embora o mpd talvez não atenda aos usuários que procuram toneladas de recursos em um player, ele é bastante adequado para os usuários de ambientes leves (como eu, que normalmente uso o Openbox) e que procuram um tocador leve, simples e que segue a filosofia UNIX. Além, é claro, da vantagem dele ser completamente independente do X.

Figuras:





















Modo alternativo comparado com o modo clássico (a diferença é a barra no topo; o '0 terminal 1 IRC...' abaixo não é do ncmpcpp, mas sim do screen)





























Modo colunas comparado com o modo tradicional.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Think Indifferent

Há alguns dias comecei a ver, na mídia online, o hype formado sobre o iPad, o tablet da Apple lançado hoje (dia 27/01/2010). E o resultado já era de se esperar: me mantive na bolha da indiferença enquanto todo o mundo especulava sobre o próximo iNãoSeioQuê da empresa do Jobs.

Nessas horas, comecei a considerar os motivos que me levavam a ignorar e não ser afetado pelo campo de distorção da realidade criado por essa empresa, e cheguei aos seguintes:

1. Não tenho motivos para usar

Não sou exatamente a pessoa mais interessada em smartphones, nem tenho condições financeiras para comprar programas na App Store (nem músicas no iTunes, mesmo que o serviço estivesse disponível em nosso país). Não faço parte do público-alvo da Apple e provavelmente usaria o Mac OS X como eu uso qualquer outro UNIX-like: predominantemente na linha de comando e com aplicações livres.

Minha necessidade para qualquer forma de criação multimídia é muito baixo (programas como o GIMP, o Inkscape, o digiKam e o Audacity suprem todas minhas necessidades audiovisuais); nessas áreas sou apenas um consumidor de conteúdo (atendido, novamente, pelos programas disponíveis para Linux), o que me exclui do público-alvo de programas como os da Adobe (as principais 'killer app' para o OS X).

2. Distância financeira

Na minha situação atual (e que provavelmente se estenderá por um bom tempo) comprar produtos da Apple é inviável, tendo em vista as opções PC que encontro (e que muitas vezes permitem o reembolso da licença do Windows) por preços similares. Por exemplo, há uns dias atrás, me mostraram um modelo de MacBook (o básico) por R$ 2799, com 160GB de HD e 2GB de RAM. Ocorre que tal configuração não me atende: seria necessário, imediatamente, colocar no mínimo um HD de 250GB e 4GB de RAM, o que se traduz em cerca de R$ 400 a mais, negando o benefício.

Para o iPhone, idem: além de não ter condições para gastar tanto no dispositivo, sou usuário de celular pré-pago, assim não podendo usar o potencial todo do aparelho sem que isso incorra em um gasto inadmissível.

Também existiria a dificuldade em conseguir manutenção, ainda mais considerando que moro em uma cidade não muito grande e bastante atrasada tecnologicamente.
3. Incompatibilidade com Linux

iPhone, iPod e outros, até hoje, têm compatibilidade fraca com Linux. Eu espero poder tratar dispositivos desse tipo como mídia de armazenamento (mass storage), como recomenda a filosofia UNIX que eu tento seguir. Não gostaria de ter que usar um programa externo para passar músicas para o meu dispositivo, e nem de ter que manter uma instalação do Windows justamente para isso.

4. Falta de uma 'killer app'

Nenhum dos programas que eu uso é Mac OS X-only (aliás, muitos deles nem sequer têm versões para esse sistema), mas vários deles ou são nativos para Linux ou rodam no Wine ou sob virtualização. Assim, a migração para esse sistema seria desnecessária e até mesmo perigosa, um exercício de paciência.

5. Inflexibilidade da plataforma

A possibilidade de comprar uma máquina personalizada, com componentes escolhidos por mim, para a Apple é inexistente (a menos que se considerem os hackintoshes, de legalidade e funcionalidade questionáveis). Não permito que me obriguem a aceitar a meia-dúzia de opções que o fabricante me dá, e mais a meia-dúzia de possibilidades de upgrades. O único modelo da Apple que ainda me permitiria isso é o Mac Pro, que obviamente está fora do meu alcance.

Meu perfil de usuário não combina com máquinas all in one, nas quais o único jeito de adicionar um segundo HD é por via externa ou que não permitem a instalação de uma segunda placa de vídeo.

6. Alienação ao fabricante

Talvez esse item soe como xiitismo meu, mas com o uso de Linux e outros softwares livres aprendi a sempre questionar (e, quando possível, evitar) o uso de padrões, formatos e sistemas proprietários. Não me interessa em nada a ideia de precisar de hacks para usar o Mac OS X em máquinas não-Apple, ou de ter meu estilo de vida digital amarrado a um único desenvolvedor.

7. Incompatibilidade com meu perfil de usuário

Esse item pode ser visto como uma continuação do primeiro da lista. Aprendi - principalmente, com o uso do Arch Linux, a apreciar programas configuráveis em arquivos texto, scripts sofisticados em linha de comando, programas leves, entre outros.

Não acho que interfaces de configuração sejam ruins, desde que elas criem arquivos legíveis e façam seu trabalho de forma simples e direta. Coisas que, até onde vai meu conhecimento, não existem nos produtos da Apple: não é muito fácil configurar aplicações pela linha de comando, por exemplo.

8. Fanboys evangelizadores

Acredito que, ao lerem os 7 itens acima, vários fanboys irão vir aqui e tentar me convencer. E talvez seja essa a coisa que eu mais odeio em relação à Apple. Os incansáveis evangelistas, presos em seus campos de distorção da realidade, inventando necessidades que eu (e muitos outros usuários) não temos.

E, com incrível incapacidade de responder sobre detalhes técnicos, como sempre, se esquivando quando faço perguntas mais avançadas.

Acredito que esses sejam os principais motivos pelos quais eu não me interesso pelos produtos da Apple. E, enquanto toda a imprensa para e acompanha o mais novo lançamento da empresa do Jobs, fico com o meu think different, que faço há um bom tempo: não me deixar enrolar pelas propagandas, nem tentar me adaptar a um estilo de vida digital que em nada combina comigo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Blog em modo de baixa tensão

Devido a problemas físicos fora do meu controle, provavelmente só atualizarei o blog em Fevereiro. Janeiro tem sido um dos - senão o - mês mais tenso até agora, totalmente sem condições.

Fiquem na espera, pretendo voltar com algo relativamente interessante até lá.

Obrigado,
Renan

sábado, 5 de dezembro de 2009

Mais engenharia, menos gambiarras

Infelizmente, ainda é muito comum vermos gambiarras vindas de diferentes áreas da engenharia. De instalações elétricas feitas naquelas, passando por máquinas consertadas com peças inadequadas, placas de circuito nas quais foram empregadas quantidades industriais de Super Bonder, circuitos elétricos sobrecarregados com milhares de tomadas e canos projetados para uso com água sendo usados para substâncias inflamáveis, muitos são os jeitinhos que vemos por aí, em grandes construções, indústrias e outros lugares.

Nessas horas, pergunto: o que houve com a educação de nossos profissionais? Esqueceu-se o fazer certo? Prefiro acreditar que não, mas o fato é que muitas vezes as pressões pelo fazer mais rápido, pelo cortar qualidade em nome do custo final, pesam demais. E, infelizmente, por mais que tentemos rejeitá-las, é o que o mercado cobra em muitos casos. Mesmo que o custo venha depois, e em dobro.

Soma-se a isso o fato de isso criar uma cultura do faz de qualquer jeito, de forma que a educação para a segurança do trabalho se torna algo impossível. Afinal, como podemos criticar alguém que decidiu que um fusível pode ser substituído por um pedaço de arame farpado, se muitas vezes os próprios engenheiros são culpados de diversos mal-feitos?

Também há a mania - não tão difundida na Engenharia, até mesmo pela regulamentação dessa profissão, mas tristemente comum na Informática - de chamar o filho do vizinho do namorado da Fulana, que supostamente "entende tudo" e cobra muito menos que uma hora técnica. Para a vítima, digo, o cliente, é um excelente negócio. Até a hora do problema, na qual o "entendido" desaparece ou se recusa a reconhecer a responsabilidade pelo que fez.

Ou mesmo quando o cliente decide dar o seu próprio jeitinho, para economizar um pouquinho de dinheiro. Mesmo que não valha a pena.

Isso também colabora para a criação de uma segurança através da obscuridade, aquela que sabemos ser pouco eficiente, e causadora de diversos problemas na hora em que surge a necessidade de uma manutenção. Para o projetista, parece uma excelente ideia, que garantirá seu emprego (pois apenas ele conhece o sistema ou o projeto). Talvez funcionasse, se o trabalho em equipe não fosse cada vez mais constante nas empresas. E, para tal forma de trabalho, esconder os detalhes não apenas é inútil como é perigoso.

Todo mundo que já tentou desmontar e consertar um eletrônico descartável já foi vítima do problema do parágrafo acima. Prefiro me manter cego às gambiarras que provavelmente foram feitas internamente.

Como futuro profissional de engenharia, considero inadmissíveis tais comportamentos anti-profissionais, que podem levar ao prejuízo da imagem de uma pessoa ou mesmo de uma empresa. Por mais que seja divertido resolver problemas de forma não-ortodoxa, com materiais inusitados e montagens diferentes do comum, lembremos que a Engenharia exige planejamento, regularidade, documentação, possibilidade de manutenção e, principalmente, profissionalismo. O que nem de longe combina com gambiarras, jeitinhos e outras "soluções" do tipo.

E, por mais que isso doa no bolso dos clientes, é necessário que seja criada uma consciência que objetive resolver problemas por inteiro, e não simplesmente um toma lá dá cá. Uma análise e prevenção sistemática das causas que levam a defeitos ou falhas. Se um fusível estoura diversas vezes, uma máquina elétrica sobreaquece com facilidade, ou um disjuntor desarma repetidamente, há um motivo por trás, e não adianta mascarar o problema com um pedacinho de fita isolante ou um grampo desdobrado.

É, também, necessário que se delimitem as funções. Operadores de máquinas não são engenheiros ou técnicos de manutenção para realizarem tal função, da mesma forma que pessoas sem capacidade de assumir a responsabilidade pelo que fizeram não devem ter autorização para assinar ou gerenciar projetos.

Sendo a engenharia uma ciência, não há espaço para jeitinhos que se acumulam em cascata e resultam em uma catástrofe depois de um tempo. Não existe sistema perfeito, mas sim sistemas projetados para serem resistentes e robustos. O que não irá se obter com rolos de fita isolante, nem com ligações diretas entre pinos. É hora de se criar uma cultura do bem-feito na engenharia, que abranja do profissional ao cliente.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Cuidado, idiotas ao volante!

Esses dias, dentro do campus da UFSM (ou seja, um lugar onde supostamente todos são relativamente inteligentes), quase fui atropelado por um motorista que pensava ser a faixa de segurança uma mera decoração. Bem, "quase atropelado" é um exagero, mas tive que voltar pra calçada pois o condutô não viu que... passavam pessoas na frente dele.

Provavelmente essa ignorância em relação à faixa de segurança é o comportamento mais comum entre os idiotas motorizados que vemos. Especialmente em uma cidade cercada por outras menores, na qual o trânsito é completamente diferente: é bastante claro que alguns motoristas se comportam de forma análoga a de quem dirige em uma cidade de 3, 4, 5 mil habitantes, como verdadeiros donos da rua.

Outras atrocidades no trânsito também são comuns por aqui (e em qualquer cidade relativamente grande, acredito): ultrapassagens que desafiam as leis da Física, estacionamentos em locais inadequados, total desprezo à sinalização, e outras coisas que - acredito eu - deveriam ser ensinados como maus exemplos no trânsito, assunto esse que seria desnecessário se houvessem menos motoristas metidos a machões.

Não preciso nem entrar no mérito da masturbação sonora automotiva, praticada por tais pessoas, pois esse assunto já foi praticamente espancado neste blog, exceto que em vários casos ela vem acompanhada de irresponsáveis, que usam o veículo como dispositivo de auto-afirmação sexual, fingindo que estão arrasando nas pistas dos rachas, pegas e afins com seus equipamentos "tunados".

E como não lembrar, já que falei nesse assunto, dos motoqueiros (não confundir com os motociclistas) metidos a espertalhões, aqueles que cortam e se atravessam por qualquer brecha que veem entre os carros? Ironicamente, alguns deles são os que protestam contra a violência no trânsito. Não quero generalizar, até porque não faria sentido, mas é triste ver que um pequeno grupo mancha a imagem de todos.

Ou mesmo daqueles que decidem transformar uma avenida movimentada em um palco para suas acrobacias e palhaçadas diversas, irritando todo mundo com o barulho de suas máquinas, isso quando não colocam todos em risco, ou brincar de dar arrancadas e mostrar quem manda. De novo, o carro faz o papel de objeto sexual.

Lembremos, também, dos babacas que acreditam ser uma boa ideia jogar lixo pela janela do carro, ou mesmo parar o carro para jogarem uma latinha pela janela. É interessante ver que, depois de um tempo, esses serão os que reclamarão da sujeira, da poluição, entre outros problemas ambientais que eles mesmos criaram. E daqueles que exercitam a multitarefa no carro, comendo ou conversando alegremente no celular enquanto fingem dirigir com uma mão só.

Tudo isso colabora com a minha tese de que a tecnologia, nas mãos erradas de pessoas despreparadas, é um excelente amplificador para a ignorância e a estupidez. E, como pedestre, cansei de pessoas que transformam as ruas em campos de guerra com seus tanques motorizados. Só quero que atravessar a rua (já transformada em autódromo informal por alguns) não seja uma aventura, e que não sejamos vítimas de motoristas que acreditam que o seu assento é um lugar adequado para falar no celular ou fumar, jogando a bituca pela janela.

Coisas simples, mas que não são ensinadas em nenhuma auto-escola, e nem precisariam ser. Então, acredito que esteja na hora de vermos - ao lado das campanhas pela prevenção de acidentes - campanhas por um mínimo de bom-senso e de comportamento no trânsito.