Vejo muita gente querendo matar o papel, alegando que ele é insustentável, não é prático, etc.... Não vou entrar no aspecto ambiental ou econômico, mas analisar os principais pontos (na minha opinião) pelos quais o papel ainda é mais eficiente que muitas tecnologias.
Primeiro: Usar notebook em sala de aula? Coisa de filme. Infelizmente não é praticável em muitas situações, por diversos motivos.
Talvez a situação seja diferente em faculdades particulares ou em cursos mais de TI/computação, mas no curso que faço e na universidade onde estudo, isso é algo raro - usei notebook em algumas poucas cadeiras. E na maioria das vezes, o uso deles era o mais banal possível: acompanhar os slides que o professor passava sem precisar forçar meus olhos, pois muitas vezes acho mais confortável sentar no fundo da sala.
Começa pela falta de tomadas: cada sala tem uma meia-dúzia delas, distribuídas nas paredes. Ou seja, se tiver mais que 6 ou 7 notebooks na sala, é aquela gororoba de fios pela sala (piadinha tem fio demais aí em 10... 9... 8...). Esse é o problema mais fácil de resolver: basta colocar um número razoável de tomadas de chão (uma excelente ideia, que infelizmente vê-se pouco por aí).
Passa pela falta de redes sem fio: seria necessário um roteador em cada sala, devido à espessura das paredes. Não bastasse isso, seria também importante uma ferramenta de filtragem de conteúdo (para evitar que o aluno ficasse a aula inteira baixando tranqueiras e atolando a conexão de todos). Também não é algo difícil para um CPD/datacenter implementar usando-se um proxy, firewall, etc.... [1]
Por fim, em uma universidade federal, pública e gratuita, nenhum professor pode obrigar os alunos a terem um notebook/tablet. Pode-se recomendar (até porque boa parte dos alunos tem, e os notebooks mais low-end - muitas vezes suficientes para o uso em sala de aula - já são bastante acessíveis), mas não se pode colocá-los como obrigatórios, o que seria necessário para, por exemplo, realização de provas com consulta ao "material eletrônico".
Segundo: Para quem tem dificuldade de se concentrar, ou para quem não tem paciência para estudar, estudar com papel e caneta ainda é a melhor opção. Não existe a tentação de ah, vou ver se alguém mandou um e-mail, ah, vou ver se as notas de tal saíram, etc... O papel simplesmente está lá, ele não faz multitarefa, ele não tem eye-candy, nada.
Soma-se a isso o fato que a universidade precisaria dar acesso a uma coleção de e-books para os alunos. Aliás, isso seria algo interessante, poderia inclusive ser algo no mesmo modelo do Portal de Periódicos. Mas, atualmente? O aluno que precisa de um e-book muitas vezes precisa se contentar com um PDF de baixa qualidade, com as páginas escaneadas como imagens (ou seja, nada de copiar e colar uma fórmula).
Terceiro: para anotações free form, papel continua imbatível. Não conheço nenhuma ferramenta (para Linux) que me dê esse tipo de anotação ao mesmo tempo que me permite incorporar gráficos, diagramas, equações etc....
O basKet quase chega perto do que eu quero. QUASE, pois ele não tem um bom suporte a equações. De preferência algo do estilo do LaTeX: é muito mais ágil um $I = C \frac{dv}{dt}$ (uma jujuba pra quem entender a equação) do que clicar em menus e arrastar e soltar objetos.
Quarto: o professor, se ele quiser que os alunos usem mídias eletrônicas nas salas de aula, precisa se reinventar. As velhas lâminas não servem mais; tampouco serve encher o quadro. E como vai ficar aquele professor de Matemática/Física do século passado que odeia calculadoras tipo as HP, porque permitem que os alunos colem?
E, por fim: mesmo que essas condições sejam atendidas, o modelo eu tenho a informação ao alcance dos meus dedos não condiz com a avaliação por provas. Óbvio que, em algumas cadeiras (como as teóricas), substituir as provas é impossível. Mas nas cadeiras mais avançadas do curso, considero perfeitamente possível a realização de trabalhos - que obriguem o aluno a não apenas pesquisar, mas sim entender o que leram e expressar com suas próprias palavras - em substituição a provas de decoreba e de despejo de conhecimento.
Fora da sala de aula, o problema continua: eu não tenho coragem de usar um notebook, ou mesmo um tablet, dentro de um ônibus. E isso que eu moro em uma cidade relativamente pacífica (não me recordo do último assalto à ônibus aqui); até mesmo carregar um notebook em uma cidade maior pode transformar a pessoa em uma vítima de bandidos (que provavelmente irão roubar o notebook não pensando nos dados da pessoa, mas sim em trocar por uma pedra de crack - mas isso não é o tópico deste post).
Quanto aos e-books? Começa passando pelo problema dos direitos autorais. Daqui a 20, 25 anos, nossos filhos não poderão ler os e-books que nós líamos em 2010, porque a licença venceu. E se você quer quebrar o DRM? Boa sorte, ladrão de propriedade intelectual. Enquanto aqueles que continuam com o livro em papel, poderão ter retrocompatibilidade pelos próximos infinitos anos.
Depois: o e-book não se presta a anotações. Quando eu leio/estudo, gosto de ir puxando setinhas, anotando ideias nas margens da página, sublinhando, etc etc... , tudo isso que um e-book não me fornece.
Um caderno e uma caneta podem não serem cool, podem não ter uma App Store nem serem multitarefas, mas desempenham o trabalho deles muito bem. E nenhum tablet irá tão cedo substituí-los. Assim como o velho e bom livro em papel.
O papel pode não ser sustentável (buzzword do momento), pode não ser fácil de arquivar, mas é extremamente eficiente para aquilo que se propõe: não tem e nem suporta DRM, pode durar séculos se bem-conservado, não tem incompatibilidade de formatos etc.... Continua sendo o melhor amigo do estudante.
[1] E de fato, essa foi a argumentação para o CPD da universidade onde estudo não colocar mais pontos wireless: o problema dos heavy users, que ficam consumindo toda a banda. Ou foi uma desculpa para "não queremos colocar filtragem porque vai dar trabalho"?
Opiniões e considerações sinceras sobre temas diversos, vindas de um engenheiro que escreve nas horas vagas (ou o contrário).
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Por quê simplificar se podemos complicar? O caso do Portal do Software Público
Vi no BR-Linux uma notícia sobre o software Editom, editor de partituras, hospedado no Portal do Software Público. Resolvi baixar e... preciso me cadastrar. Para BAIXAR o programa, preciso deixar nome e e-mail. Na hora perdi a vontade de testá-lo.
Cadastro esse com direito a preencher um CAPTCHA que jogou combinações inadequadas de cores: um rosinha claro em um fundo branco. Ou seja, um deficiente visual, um daltônico, já estão excluídos por tabela. Onde está o discurso bonito de inclusão agora?
Somando-se a isso o fato de que, com um cadastro compulsório, torna-se bem mais difícil - talvez até impossível - escrever um script que baixe e empacote automaticamente o programa. Ou seja, significa que dificilmente o veremos nos repositórios de qualquer distro, a menos que algum desenvolvedor empacote-o manualmente.
Pergunto, agora: por quê simplificar alguma coisa se podemos complicá-la, colocando toneladas de barreiras entre o usuário e seu objetivo? Tudo isso para poder alardear a comunidade tem mais de 9000 membros, inflando estatísticas, construindo comunidades ilusórias? Infelizmente, é o que parece. É a mesma coisa que considerar alguém que ocasionalmente visita um site como visitante assíduo.
SourceForge, Google Code, GitHub e outros serviços para compartilhamento de software livre e desenvolvimento, não requerem cadastro para baixar um programa ou seu código-fonte - apenas para participar em fóruns, bug trackers, etc... (e ainda assim, podem-se acessá-los sem cadastro, apenas sendo necessário para postar) ou para enviar colaborações. Um método muito menos frustrante.
E inflar comunidades? É igual aqueles scripts siga 5 mil pessoas no Twitter, ou aqueles que ficam mendigando me add no Orkut. Adianta afirmar que uma comunidade tem um enorme número de membros se... boa parte deles só entraram ali por curiosidade, para ver se um programa atendia às necessidades deles, e depois saíram - ou não, ficaram por lá mesmo mas nunca mais voltaram?
Software livre não combina com burocracia e complexidade desnecessárias. E não vai ser manipulando números que se irá chegar a algum lugar. Nem obrigando seus leitores a se cadastrarem.
Enquanto isso, vivam os serviços como o Mailinator, que permitem a fácil criação de e-mails descartáveis.
Cadastro esse com direito a preencher um CAPTCHA que jogou combinações inadequadas de cores: um rosinha claro em um fundo branco. Ou seja, um deficiente visual, um daltônico, já estão excluídos por tabela. Onde está o discurso bonito de inclusão agora?
Somando-se a isso o fato de que, com um cadastro compulsório, torna-se bem mais difícil - talvez até impossível - escrever um script que baixe e empacote automaticamente o programa. Ou seja, significa que dificilmente o veremos nos repositórios de qualquer distro, a menos que algum desenvolvedor empacote-o manualmente.
Pergunto, agora: por quê simplificar alguma coisa se podemos complicá-la, colocando toneladas de barreiras entre o usuário e seu objetivo? Tudo isso para poder alardear a comunidade tem mais de 9000 membros, inflando estatísticas, construindo comunidades ilusórias? Infelizmente, é o que parece. É a mesma coisa que considerar alguém que ocasionalmente visita um site como visitante assíduo.
SourceForge, Google Code, GitHub e outros serviços para compartilhamento de software livre e desenvolvimento, não requerem cadastro para baixar um programa ou seu código-fonte - apenas para participar em fóruns, bug trackers, etc... (e ainda assim, podem-se acessá-los sem cadastro, apenas sendo necessário para postar) ou para enviar colaborações. Um método muito menos frustrante.
E inflar comunidades? É igual aqueles scripts siga 5 mil pessoas no Twitter, ou aqueles que ficam mendigando me add no Orkut. Adianta afirmar que uma comunidade tem um enorme número de membros se... boa parte deles só entraram ali por curiosidade, para ver se um programa atendia às necessidades deles, e depois saíram - ou não, ficaram por lá mesmo mas nunca mais voltaram?
Software livre não combina com burocracia e complexidade desnecessárias. E não vai ser manipulando números que se irá chegar a algum lugar. Nem obrigando seus leitores a se cadastrarem.
Enquanto isso, vivam os serviços como o Mailinator, que permitem a fácil criação de e-mails descartáveis.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
É DE MAIS DE 8 MIL! (ou Expen$ive Apple is Expen$ive)
Outro dia brinquei com um iMac 27". Confesso: até achei legalzinho. Então, fui ver na nossa Apple Store quanto saía. Resultado? OVER 9000, digo, over R$ 8199. Numa configuração razoável para uma máquina midrange: i5, 8GB RAM... de forma a não precisar de upgrades aftermarket depois.
E aparentemente a Apple usa hardwares banhados a ouro e instalados por ruivas de olhos azuis, pois como justificar que um HD de 2TB custe R$ 530 A MAIS que um HD de 1TB, e que 8GB de RAM custem R$ 700 a mais que 4GB? Nem aqui no interior, onde as lojas passam a faca devido à falta de concorrência, há uma diferença tão grande.
Só colocando um HD de 2TB e 8GB de RAM, meu iMac já foi pra R$ 8 mil. Sim, eu sei, isso se deve aos impostos. Mesmo assim, desqualifica o Mac para muita gente - incluindo eu. E não duvido que, por trás do excelente preço, mesmo que tiremos os impostos, ainda haja um quê de elitização de marca - ou a Apple gostaria de ver o moleque usando um iPhone pra ouvir funk no "buzão" e assistir filme pornô on-line (ops, me esqueci, não tem Flash no iPhone, ou seja, nada de RedTube, YouPorn e afins), ou os inclusos digitais instalando o Photoshop pirata nos seus Macs para fazer montagens horríveis?
Posso, com isso, montar uma puta de uma máquina (indo uns R$ 4 mil em um caso extremo - sinceramente não imagino como eu conseguiria gastar tudo isso em um PC, visto que não me interesso por placas de vídeo fodonas nem produtos "gamer"), investir em um par de monitores gigantes (uns R$ 1500, talvez?) e ainda sobra dinheiro para comprar uma mesa sofisticadíssima, ou um notebook low-end, ou um smartphone, ou uma câmera profissional. Ou mesmo comprar um Fusca. De qualquer forma acaba sendo melhor negócio que um iMac.
"Ah, mas Mac tem o Mac OS X, e esse teu 'PC montado' não!", gritam os Macmaníacos. É, é uma pena... ou não. Não acho que o Mac OS X valha essa mega diferença. Se um dia eu tiver o desejo de instalar o Mac OS X na minha máquina, posso tecnicamente apelar para os "hackintoshes" (embora eu dificilmente vá ter paciência ou mesmo vontade de fazer isso - talvez se eu ainda tivesse 13 anos e curtisse "warez"). Mas numa máquina dessas? Prefiro rodar um Linux. Sim, o mesmo Linux "feio" que eu uso na minha máquina atual. E os winusers mais fanáticos, com seus gritinhos "mas Linux não tem jogos!", "vai montar uma puta máquina pra rodar a MERDA do Linux?", por favor, experimentem o poder da Santa Granada de Mão. Grato.
Como eu já disse aqui no blog, não sou o público-alvo da Apple, e nem estou no perfil de usuário de Mac OS X. Meu "estilo de vida digital", se é que eu o tenho, não precisa de um iLife ou de um iTunes - e, aliás, quero distância desse último. Se, porventura, eu me visse usando tal sistema (e podem saber que choverá epicamente antes disso acontecer), iria usá-lo de forma similar a que uso Linux: terminais para todos os lados, ferramentas de linha de comando, softwares livres... Talvez a app mais "Mac-only" que eu usasse seria o Office.
Ah, na mesma oportunidade brinquei com o iPad, e achei o dispositivo completamente chato para um geek Linux. Mas provavelmente tudo isso se deve a eu ter uma certa blindagem ao campo de distorção de realidade e não simpatizar com o modelo centralizador da App Store. (e já vi alguns Mac users dizendo que "quem reclama da App Store é porque é a favor da pirataria". Excelente correlação binária, digna de um facepalm).
E aparentemente a Apple usa hardwares banhados a ouro e instalados por ruivas de olhos azuis, pois como justificar que um HD de 2TB custe R$ 530 A MAIS que um HD de 1TB, e que 8GB de RAM custem R$ 700 a mais que 4GB? Nem aqui no interior, onde as lojas passam a faca devido à falta de concorrência, há uma diferença tão grande.
Só colocando um HD de 2TB e 8GB de RAM, meu iMac já foi pra R$ 8 mil. Sim, eu sei, isso se deve aos impostos. Mesmo assim, desqualifica o Mac para muita gente - incluindo eu. E não duvido que, por trás do excelente preço, mesmo que tiremos os impostos, ainda haja um quê de elitização de marca - ou a Apple gostaria de ver o moleque usando um iPhone pra ouvir funk no "buzão" e assistir filme pornô on-line (ops, me esqueci, não tem Flash no iPhone, ou seja, nada de RedTube, YouPorn e afins), ou os inclusos digitais instalando o Photoshop pirata nos seus Macs para fazer montagens horríveis?
Posso, com isso, montar uma puta de uma máquina (indo uns R$ 4 mil em um caso extremo - sinceramente não imagino como eu conseguiria gastar tudo isso em um PC, visto que não me interesso por placas de vídeo fodonas nem produtos "gamer"), investir em um par de monitores gigantes (uns R$ 1500, talvez?) e ainda sobra dinheiro para comprar uma mesa sofisticadíssima, ou um notebook low-end, ou um smartphone, ou uma câmera profissional. Ou mesmo comprar um Fusca. De qualquer forma acaba sendo melhor negócio que um iMac.
"Ah, mas Mac tem o Mac OS X, e esse teu 'PC montado' não!", gritam os Macmaníacos. É, é uma pena... ou não. Não acho que o Mac OS X valha essa mega diferença. Se um dia eu tiver o desejo de instalar o Mac OS X na minha máquina, posso tecnicamente apelar para os "hackintoshes" (embora eu dificilmente vá ter paciência ou mesmo vontade de fazer isso - talvez se eu ainda tivesse 13 anos e curtisse "warez"). Mas numa máquina dessas? Prefiro rodar um Linux. Sim, o mesmo Linux "feio" que eu uso na minha máquina atual. E os winusers mais fanáticos, com seus gritinhos "mas Linux não tem jogos!", "vai montar uma puta máquina pra rodar a MERDA do Linux?", por favor, experimentem o poder da Santa Granada de Mão. Grato.
Como eu já disse aqui no blog, não sou o público-alvo da Apple, e nem estou no perfil de usuário de Mac OS X. Meu "estilo de vida digital", se é que eu o tenho, não precisa de um iLife ou de um iTunes - e, aliás, quero distância desse último. Se, porventura, eu me visse usando tal sistema (e podem saber que choverá epicamente antes disso acontecer), iria usá-lo de forma similar a que uso Linux: terminais para todos os lados, ferramentas de linha de comando, softwares livres... Talvez a app mais "Mac-only" que eu usasse seria o Office.
Ah, na mesma oportunidade brinquei com o iPad, e achei o dispositivo completamente chato para um geek Linux. Mas provavelmente tudo isso se deve a eu ter uma certa blindagem ao campo de distorção de realidade e não simpatizar com o modelo centralizador da App Store. (e já vi alguns Mac users dizendo que "quem reclama da App Store é porque é a favor da pirataria". Excelente correlação binária, digna de um facepalm).
sábado, 2 de outubro de 2010
O ouvido como penico dos políticos
Amanhã, como todos sabemos, serão realizadas as eleições para deputados, senadores, governadores e presidentes. E vários candidatos decidiram divulgar seu número através de carros de som. A qualquer hora do dia - e principalmente nas horas mais inconvenientes - podemos ouvir os jingles de campanha deles. Hoje mesmo, a rua onde moro virou uma enorme carreata, com buzinaços de todos os tipos.
Uma perguntinha que nenhum deles respondeu: eles pretendem atrair eleitores matando cachorro a grito, transformando os ouvidos dos seus eleitores em penicos e tentando ganhar votos por exaustão dos eleitores, em uma mídia na qual não é possível conhecer nada sobre as propostas deles?
Outra constante em qualquer grande cidade são as placas estrategicamente posicionadas para atrapalhar a visão dos motoristas e pedestres. Como se alguém que passa por elas a 80km/h vá ver e se admirar "nossa! preciso votar nesse candidato!". Não: no máximo vai reclamar porque a placa dificulta a visão da pista ou tranca o caminho pelo qual o pedestre passava.
Por sinal, as poluições sonora e visual são as grandes pragas ignoradas de qualquer cidade maior. Fala-se tanto em despoluir, em preservar o meio-ambiente, mas se esquece que o tum-tum-tum de carros com música alta, ou paredes cheias de cartazes e propagandas, são tão desconfortáveis para uma pessoa quanto fumaça e sujeira largada no chão (ao menos nessas últimas eleições, os santinhos tem gradativamente sido abandonados - não recebi muitos esse ano).
É uma das poluições que (na minha opinião) mais incomoda, e cujo combate é tão ou mais difícil que as outras formas: de quem seria o interesse por tirar todos os cartazes de propaganda? Como impedir que o idiota dê uma voltinha com a sonzera lok do carro ligada, sem violar a liberdade de ir e vir? Quase impossível. E ainda assim, políticos teimam em aceitar essas formas de sujar como sendo válidas.
Considero que propagandas agressivas, que irritem as pessoas, não servem para muito senão irritá-las, e também imagino que nenhum candidato queira ter seu nome associado à ideia de "sujão", barulhento, poluidor etc..., mas infelizmente, na busca incansável pelo voto, é o que boa parte deles fez, faz e fará nas próximas eleições.
E também, considero que votar nesses candidatos é homologar esta forma de propaganda como válida - e é o candidato barulhento que queremos para os próximos 4 anos? E aquele candidato que polui enquanto prega um programa ambientalista, "verde", "sustentável" (a buzzword do momento) de governo: hipocrisia ou hipocrisia?
Fiz, então, a decisão: não voto em candidato que transforma meu ouvido em penico. E em relação a um certo candidato (cujo QG é aqui perto de casa), resolvi xingar muito no Twitter (não que eu acredite nessa ferramenta como uma forma eficaz para uma comunicação mais séria, mas tudo bem). O que ele fez? Nada, não mudou nenhum hábito e nem deu satisfação. Excelente político que ele será... Me pergunto se, depois de eleito, ele irá falar gritando durante todo o seu mandato.
Uma perguntinha que nenhum deles respondeu: eles pretendem atrair eleitores matando cachorro a grito, transformando os ouvidos dos seus eleitores em penicos e tentando ganhar votos por exaustão dos eleitores, em uma mídia na qual não é possível conhecer nada sobre as propostas deles?
Outra constante em qualquer grande cidade são as placas estrategicamente posicionadas para atrapalhar a visão dos motoristas e pedestres. Como se alguém que passa por elas a 80km/h vá ver e se admirar "nossa! preciso votar nesse candidato!". Não: no máximo vai reclamar porque a placa dificulta a visão da pista ou tranca o caminho pelo qual o pedestre passava.
Por sinal, as poluições sonora e visual são as grandes pragas ignoradas de qualquer cidade maior. Fala-se tanto em despoluir, em preservar o meio-ambiente, mas se esquece que o tum-tum-tum de carros com música alta, ou paredes cheias de cartazes e propagandas, são tão desconfortáveis para uma pessoa quanto fumaça e sujeira largada no chão (ao menos nessas últimas eleições, os santinhos tem gradativamente sido abandonados - não recebi muitos esse ano).
É uma das poluições que (na minha opinião) mais incomoda, e cujo combate é tão ou mais difícil que as outras formas: de quem seria o interesse por tirar todos os cartazes de propaganda? Como impedir que o idiota dê uma voltinha com a sonzera lok do carro ligada, sem violar a liberdade de ir e vir? Quase impossível. E ainda assim, políticos teimam em aceitar essas formas de sujar como sendo válidas.
Considero que propagandas agressivas, que irritem as pessoas, não servem para muito senão irritá-las, e também imagino que nenhum candidato queira ter seu nome associado à ideia de "sujão", barulhento, poluidor etc..., mas infelizmente, na busca incansável pelo voto, é o que boa parte deles fez, faz e fará nas próximas eleições.
E também, considero que votar nesses candidatos é homologar esta forma de propaganda como válida - e é o candidato barulhento que queremos para os próximos 4 anos? E aquele candidato que polui enquanto prega um programa ambientalista, "verde", "sustentável" (a buzzword do momento) de governo: hipocrisia ou hipocrisia?
Fiz, então, a decisão: não voto em candidato que transforma meu ouvido em penico. E em relação a um certo candidato (cujo QG é aqui perto de casa), resolvi xingar muito no Twitter (não que eu acredite nessa ferramenta como uma forma eficaz para uma comunicação mais séria, mas tudo bem). O que ele fez? Nada, não mudou nenhum hábito e nem deu satisfação. Excelente político que ele será... Me pergunto se, depois de eleito, ele irá falar gritando durante todo o seu mandato.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Blá-blá-blá quântico
Há um tempo atrás, vi em uma revista uma propaganda de palestras com um suposto guru das curas quânticas, que visa unir ciência e espiritualidade (tenho a imagem escaneada aqui mas não colocarei no blog, justamente para evitar o risco de violar um copyright ou receber um advogado irritado na minha casa). Me surpreendi que essas "ciências" ainda vivem.
Mas tudo bem... comecemos analisando justamente pelo objetivo citado na primeira frase:
Para a física quântica (FQ), essa associação é de existência duvidosa. As duas não convergem (ao menos no que toca a Física). Não será um suposto espírito superior que afetará resultados experimentais e deduções físico-matemáticas. Nem "pensamentos positivos" (imagine o poderio disso na hora de acochambrar, digo, produzir melhores resultados experimentais) irão mudar resultados; se isso ocorrer, há algo muito errado pois o determinismo foi violado.
Outros pontos questionáveis:
- "Curas quânticas" existem? Me mostrem um artigo publicado em periódico de respeito (Science, Nature, Americal Journal of Physics - já que adoram mencionar conceitos da física quântica, etc...). Enquanto não vir tais provas, continuo considerando tais "curas" como pseudociência pura, como "technobabble".
De outro site: "A Cura Quântica usa a energia para alterar a matéria e conseguir resultados visíveis na matéria." Como?
De outro site também temos uma suposta comparação do pensamento negativo com energias negativas, que provocaria deslocamento de elétrons de suas órbitas. Um conjunto de termos rebuscados para dizer a mesma coisa que boa parte dos livros de auto-ajuda diz: pensamento positivo.
"Pensamentos positivos harmonizam a estrutura dinâmica dos átomos com a recondução dos elétrons às suas respectivas órbitas, produzindo a harmonização do sistema energético das celular e a conseqüente recondução do seu estado normal. "
Bonito (e sem significado nenhum), não?
Em outro site vemos:
"Are there any blocks, obstacles, barriers or interferences to the process of healing? (If so, we remove them).
What are the causes that created the problematic situation and how to eradicate them? (Then we proceed to carry out the Body's requirement)
Are there any weakened organs or compromised biological systems that need support? (If yes, then we give the support from several angles)"
Em tradução livre:
"Existe algum empecilho, obstáculo, barreira ou interferência ao processo de cura?
Quais são as causas que criam o problema e como eliminá-las?
Há algum órgão enfraquecido ou sistema biológico comprometido que precisa de suporte?"
Não é muito mais do que se faria para resolver um problema de saúde qualquer: identificar a doença (e o que impede sua cura) a partir dos sintomas e tratá-la erradicando a causa.
- A lei da atração (nada a ver com as leis de Newton na gravitação universal) afirma que basta pensar pra influenciar as chances de um evento aleatório. E realmente, queria que ela fosse verdade: dinheiro é atraído por mim? OBA! Pensarei nele vinte e quatro horas por dia! Posso perder peso com essa lei? Tô dentro. Posso ter todas as mulheres que eu quero? Também tô dentro.
É uma pena que ela não funcione tão bem quanto na teoria. Duvida? Faça um experimento: não coma. Fique o dia todo pensando "não estou com fome", "estou comendo o que eu gosto", etc.... Se você morrer, espere até os outros atribuírem isso a uma falta de pensamento positivo ou excesso de energias negativas.
E se eu não receber o que eu mentalizei, uma suposta "força superior" me negar (similar ao pensamento fundamentalista " não te escolheu, logo você vai para o inferno"? Onde peço indenização desta meritocracia deformada?
Aposto um tostão que muitos dos seguidores dessas "ideologias" nunca pegaram um livro de Física em nível acadêmico (Halliday, Tipler etc...), com medo de verem seu Wishful Thinking quebrado (e lá se foi minha decisão de nunca mais abrir o Halliday).
- Um exemplo extremo que chegou até aqui: Centro de Tecnologia Quântica. Assessoria energética (parece uma consultoria em sistemas elétricos), comandos quânticos (funcionam no Linux?) e até tratamentos quânticos em CD! Não é o máximo? Acabo de decidir que meu mestrado e doutorado serão em Tecnologia de Energia Quântica.
Não pretendo entrar em detalhes físicos (até porque, só cursei Física I e II que são obrigatórias, e em nenhuma das duas tirei mais que 6,00), mas cansei de ouvir o "blá-blá-blá quântico", uma auto-ajuda disfarçada de avanço científico, que atribui poderes duvidosos a partículas e átomos. A FQ não precisa do disserviço prestado por charlatães disfarçados de físicos.
O "quântico" como buzzword, é similar ao que "computadorizado", "digital" era há 25, 30 anos atrás. A física é usada nesta situação da mesma forma que a astronomia é usada por astrólogos: para pintar uma fachada de seriedade no que seria - usando um termo popular mesmo - uma picaretagem.
E em relação a revista, cancelei sua assinatura, devido ao desvio de foco que ela sofreu de um tempo para cá. Mas em uma revista cujo foco originalmente era o meio-ambiente, um tema com um sem-número de conteúdos a serem tratados, por quê dar tanto lugar para besteiras sem fundamento nenhum?
Contagem regressiva para os ataques pessoais em 5... 4... 3... 2... 1...
Mas tudo bem... comecemos analisando justamente pelo objetivo citado na primeira frase:
Para a física quântica (FQ), essa associação é de existência duvidosa. As duas não convergem (ao menos no que toca a Física). Não será um suposto espírito superior que afetará resultados experimentais e deduções físico-matemáticas. Nem "pensamentos positivos" (imagine o poderio disso na hora de acochambrar, digo, produzir melhores resultados experimentais) irão mudar resultados; se isso ocorrer, há algo muito errado pois o determinismo foi violado.
Outros pontos questionáveis:
- "Curas quânticas" existem? Me mostrem um artigo publicado em periódico de respeito (Science, Nature, Americal Journal of Physics - já que adoram mencionar conceitos da física quântica, etc...). Enquanto não vir tais provas, continuo considerando tais "curas" como pseudociência pura, como "technobabble".
De outro site: "A Cura Quântica usa a energia para alterar a matéria e conseguir resultados visíveis na matéria." Como?
De outro site também temos uma suposta comparação do pensamento negativo com energias negativas, que provocaria deslocamento de elétrons de suas órbitas. Um conjunto de termos rebuscados para dizer a mesma coisa que boa parte dos livros de auto-ajuda diz: pensamento positivo.
"Pensamentos positivos harmonizam a estrutura dinâmica dos átomos com a recondução dos elétrons às suas respectivas órbitas, produzindo a harmonização do sistema energético das celular e a conseqüente recondução do seu estado normal. "
Bonito (e sem significado nenhum), não?
Em outro site vemos:
"Are there any blocks, obstacles, barriers or interferences to the process of healing? (If so, we remove them).
What are the causes that created the problematic situation and how to eradicate them? (Then we proceed to carry out the Body's requirement)
Are there any weakened organs or compromised biological systems that need support? (If yes, then we give the support from several angles)"
Em tradução livre:
"Existe algum empecilho, obstáculo, barreira ou interferência ao processo de cura?
Quais são as causas que criam o problema e como eliminá-las?
Há algum órgão enfraquecido ou sistema biológico comprometido que precisa de suporte?"
Não é muito mais do que se faria para resolver um problema de saúde qualquer: identificar a doença (e o que impede sua cura) a partir dos sintomas e tratá-la erradicando a causa.
- A lei da atração (nada a ver com as leis de Newton na gravitação universal) afirma que basta pensar pra influenciar as chances de um evento aleatório. E realmente, queria que ela fosse verdade: dinheiro é atraído por mim? OBA! Pensarei nele vinte e quatro horas por dia! Posso perder peso com essa lei? Tô dentro. Posso ter todas as mulheres que eu quero? Também tô dentro.
É uma pena que ela não funcione tão bem quanto na teoria. Duvida? Faça um experimento: não coma. Fique o dia todo pensando "não estou com fome", "estou comendo o que eu gosto", etc.... Se você morrer, espere até os outros atribuírem isso a uma falta de pensamento positivo ou excesso de energias negativas.
E se eu não receber o que eu mentalizei, uma suposta "força superior" me negar (similar ao pensamento fundamentalista "
Aposto um tostão que muitos dos seguidores dessas "ideologias" nunca pegaram um livro de Física em nível acadêmico (Halliday, Tipler etc...), com medo de verem seu Wishful Thinking quebrado (e lá se foi minha decisão de nunca mais abrir o Halliday).
- Um exemplo extremo que chegou até aqui: Centro de Tecnologia Quântica. Assessoria energética (parece uma consultoria em sistemas elétricos), comandos quânticos (funcionam no Linux?) e até tratamentos quânticos em CD! Não é o máximo? Acabo de decidir que meu mestrado e doutorado serão em Tecnologia de Energia Quântica.
Não pretendo entrar em detalhes físicos (até porque, só cursei Física I e II que são obrigatórias, e em nenhuma das duas tirei mais que 6,00), mas cansei de ouvir o "blá-blá-blá quântico", uma auto-ajuda disfarçada de avanço científico, que atribui poderes duvidosos a partículas e átomos. A FQ não precisa do disserviço prestado por charlatães disfarçados de físicos.
O "quântico" como buzzword, é similar ao que "computadorizado", "digital" era há 25, 30 anos atrás. A física é usada nesta situação da mesma forma que a astronomia é usada por astrólogos: para pintar uma fachada de seriedade no que seria - usando um termo popular mesmo - uma picaretagem.
E em relação a revista, cancelei sua assinatura, devido ao desvio de foco que ela sofreu de um tempo para cá. Mas em uma revista cujo foco originalmente era o meio-ambiente, um tema com um sem-número de conteúdos a serem tratados, por quê dar tanto lugar para besteiras sem fundamento nenhum?
Contagem regressiva para os ataques pessoais em 5... 4... 3... 2... 1...
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Os idiotas do dinheiro (ou "da importância da educação financeira")
Começamos com uma definição que eu vi em uma palestra sobre Planejamento Profissional no semestre passado: "a pessoa rica é aquela que tem condições de manter seu estilo de vida mesmo que perca a fonte de renda". Uma definição bem interessante, que diverge radicalmente daquela imposta pelos meios de comunicação e propaganda, a qual é baseada no consumo e na ostentação.
De cara, já vemos que os playboys, patricinhas, novos-ricos e outros estilos de vida fúteis, baseados no consumismo, não funcionam e seus "detentores" (se é que assim os podemos chamar) - por essa definição - não podem ser chamados de ricos, embora façam questão de esfregar isso na cara de todo seu círculo de (pseudo-)amigos. A partir daqui, já posso traçar várias linhas divisórias entre os ricos e os novos-ricos.
Os ricos construíram suas economias com esforço. Trabalharam, estudaram, começaram em atividades simples como bancários, vendedores etc... e muitos deles (excetuando aqueles que conseguiram ganhar fortunas por sorte ou por herança) se privaram de diversas coisas enquanto mais simples (e ainda se privam, ao contrário do estereótipo da mídia) para conseguir ter um padrão de vida considerado alto.
Os novos-ricos são o que o próprio nome já diz: receberam (ou economizaram) uma boa quantidade de dinheiro, e agora, de posse dela, torram boa parte delas em símbolos de status que eles não precisam, em palhaçadas espalhafatosas, com o bom-senso para escolhas inibido devido à sua euforia, preferindo comprar tudo do mais caro mesmo que não combine com a personalidade deles, afinal eles podem. Eletrônicos de marcas famosas (ainda que levem o mesmo Made in China e os mesmos componentes de outras marcas mais baratas, tendo como único diferencial um logotipo), carros sofisticados e imponentes (por exemplo, um SUV para andar na cidade, mesmo esses carros tendo seu consumo em litros por quilômetro), roupas e tranqueiras de luxo (que tal um casaco de pele em um país tropical?) etc.... Tudo aquilo que eles precisam para gozar seu papel no suposto high-end do qual se consideram parte.
Ricos "clássicos", aqueles que construíram um sucesso, normalmente têm alguma história de vida ou conteúdo para contar. Têm educação (tanto no sentido acadêmico quanto no sentido de comportamento) e discrição, muitas vezes servindo como role models (não sei a melhor palavra em português) para alguns. Neste ponto, são facilmente distinguidos dos novos-ricos, cujos poucos assuntos giram entre compras, celebridades etc... e que, no máximo, servem como anti-modelos.
Também é um hábito dos novos-ricos usar argumentos tão robustos e civilizados quanto vai trabalhar, vagabundo, deixa de ser Zé-ninguém. De onde se constata que, embora a inteligência e o conhecimento possam ser ferramentas para construção do verdadeiro rico (no sentido financeiro e material, não no intelectual e espiritual), o oposto não é verdadeiro. Eles não vão hesitar em encontrar métodos elaborados para humilhar pessoas julgadas "inferiores" e aplicar toda sua arrog...sofisticação nelas. Mesmo que um dia o novo-rico tenha sido pobre, quem se importa? Ele tem o direito de destratar a todos. E se alguém se ofender, não há nada que um dinheirinho não resolva.
Mas em situação mais crítica que as pessoas acima citadas, encontram-se os wannabes. São similares aos novos-ricos, com o agravante de não serem ricos e, para se manterem no high-end, de forma a chamar a atenção e mostrar que supostamente podem, afogam-se em empréstimos, financiamentos, cartões de crédito entre outros, formando uma recursão cujo limite é o infinito negativo, fazem malabarismos com múltiplos empregos para conseguir satisfazer os devedores etc...
Ou mesmo preferem apelar para o velho se você não é, pareça. Compram falsificações que parecem as originais e se dão por satisfeitos. Montam home theaters sofisticados para assistir DVDs piratas comprados no camelô (já vi isso acontecer) e compram smartphones e computadores sofisticados para... apenas acessar o Orkut e o MSN. Vão a lugares sofisticados, consomem tudo que podem e jogam tudo no cartão de crédito... cuja fatura eles não conseguem pagar!
E, quando o estilo de vida cai - por motivos diversos, seja por estar no N-ésimo empréstimo para pagar o N'-ésimo cartão de crédito, seja porque simplesmente o dinheiro do papai acabou ou a fonte foi cortada - tudo torna-se trevas. E os amigo$ que eles alien...fizeram na alta sociedade, todos desaparecem.
Seus filhos também vivem no mesmo estilo. Não aprendem a ouvir não dos pais, sempre têm todos seus desejos satisfeitos e, no lugar da atenção dos pais (muito ocupados, pois estão envolvidos na alta sociedade), recebem todos os presentes que querem - por mais desnecessários que sejam, tornando-se perfeitas crianças consumistas, idiotas, incapazes de reconhecer o valor do dinheiro e do trabalho, e que aprendem desde cedo a chantagear seu caminho e a não se misturar com a gentalha inferior, pobre. Tais pais, tal filho. E assim sucessivamente, a menos que o ciclo seja quebrado por motivos diversos.
--
A propósito, alguém se lembra da bolha da Internet nos anos de 2000/2001? Vários jovens empreendedores ficaram ricos, investindo em luxo para suas empresas high-tech, para simplesmente ... verem suas empresas (que nunca deram lucros efetivos, se baseando apenas em investimentos) serem engolidas da noite para o dia. Um dos exemplos mais clássicos de novo-rico que eu lembro, e uma lição de conservadorismo (no aspecto gastos) para muitos dos empresários atuais.
Nenhuma das pessoas que eu considero ricas, ou com um bom padrão de vida, chegou a essa situação se comportando como novo-rico. Todas elas chegaram lá daquele velho jeito chato, burocrático e totalmente não divertido: economizando dinheiro, tabelando seus gastos e calculando o quanto podem gastar - e desse valor gastando apenas uma pequena porção e fazendo com que o resto trabalhe para eles através de investimentos e negócios, para que não precisem depois entrar nas diversas armadilhas do crédito fácil.
E também penso que, se houvesse uma educação financeira, na construção de uma cultura que inibisse os esbanjadores novos-ricos, provavelmente não seria tão necessário assim fazer campanhas contra o desperdício e a favor de um "consumo consciente". Embora, tendo-se em vista que um dos principais interesses atuais de toda a nossa sociedade *é* exatamente o consumo, essa é uma ideia que, bem, vai sendo descartada a curto prazo.
Mas, enquanto não vemos essas ideias sendo postas em prática, que tal comprar um iPhone revestido em ouro - apenas 2,200 libras ou R$ 6500 ou um MacBook Pro banhado a ouro - apenas R$ 51000? :)
De cara, já vemos que os playboys, patricinhas, novos-ricos e outros estilos de vida fúteis, baseados no consumismo, não funcionam e seus "detentores" (se é que assim os podemos chamar) - por essa definição - não podem ser chamados de ricos, embora façam questão de esfregar isso na cara de todo seu círculo de (pseudo-)amigos. A partir daqui, já posso traçar várias linhas divisórias entre os ricos e os novos-ricos.
Os ricos construíram suas economias com esforço. Trabalharam, estudaram, começaram em atividades simples como bancários, vendedores etc... e muitos deles (excetuando aqueles que conseguiram ganhar fortunas por sorte ou por herança) se privaram de diversas coisas enquanto mais simples (e ainda se privam, ao contrário do estereótipo da mídia) para conseguir ter um padrão de vida considerado alto.
Os novos-ricos são o que o próprio nome já diz: receberam (ou economizaram) uma boa quantidade de dinheiro, e agora, de posse dela, torram boa parte delas em símbolos de status que eles não precisam, em palhaçadas espalhafatosas, com o bom-senso para escolhas inibido devido à sua euforia, preferindo comprar tudo do mais caro mesmo que não combine com a personalidade deles, afinal eles podem. Eletrônicos de marcas famosas (ainda que levem o mesmo Made in China e os mesmos componentes de outras marcas mais baratas, tendo como único diferencial um logotipo), carros sofisticados e imponentes (por exemplo, um SUV para andar na cidade, mesmo esses carros tendo seu consumo em litros por quilômetro), roupas e tranqueiras de luxo (que tal um casaco de pele em um país tropical?) etc.... Tudo aquilo que eles precisam para gozar seu papel no suposto high-end do qual se consideram parte.
Ricos "clássicos", aqueles que construíram um sucesso, normalmente têm alguma história de vida ou conteúdo para contar. Têm educação (tanto no sentido acadêmico quanto no sentido de comportamento) e discrição, muitas vezes servindo como role models (não sei a melhor palavra em português) para alguns. Neste ponto, são facilmente distinguidos dos novos-ricos, cujos poucos assuntos giram entre compras, celebridades etc... e que, no máximo, servem como anti-modelos.
Também é um hábito dos novos-ricos usar argumentos tão robustos e civilizados quanto vai trabalhar, vagabundo, deixa de ser Zé-ninguém. De onde se constata que, embora a inteligência e o conhecimento possam ser ferramentas para construção do verdadeiro rico (no sentido financeiro e material, não no intelectual e espiritual), o oposto não é verdadeiro. Eles não vão hesitar em encontrar métodos elaborados para humilhar pessoas julgadas "inferiores" e aplicar toda sua arrog...sofisticação nelas. Mesmo que um dia o novo-rico tenha sido pobre, quem se importa? Ele tem o direito de destratar a todos. E se alguém se ofender, não há nada que um dinheirinho não resolva.
Mas em situação mais crítica que as pessoas acima citadas, encontram-se os wannabes. São similares aos novos-ricos, com o agravante de não serem ricos e, para se manterem no high-end, de forma a chamar a atenção e mostrar que supostamente podem, afogam-se em empréstimos, financiamentos, cartões de crédito entre outros, formando uma recursão cujo limite é o infinito negativo, fazem malabarismos com múltiplos empregos para conseguir satisfazer os devedores etc...
Ou mesmo preferem apelar para o velho se você não é, pareça. Compram falsificações que parecem as originais e se dão por satisfeitos. Montam home theaters sofisticados para assistir DVDs piratas comprados no camelô (já vi isso acontecer) e compram smartphones e computadores sofisticados para... apenas acessar o Orkut e o MSN. Vão a lugares sofisticados, consomem tudo que podem e jogam tudo no cartão de crédito... cuja fatura eles não conseguem pagar!
E, quando o estilo de vida cai - por motivos diversos, seja por estar no N-ésimo empréstimo para pagar o N'-ésimo cartão de crédito, seja porque simplesmente o dinheiro do papai acabou ou a fonte foi cortada - tudo torna-se trevas. E os amigo$ que eles alien...fizeram na alta sociedade, todos desaparecem.
Seus filhos também vivem no mesmo estilo. Não aprendem a ouvir não dos pais, sempre têm todos seus desejos satisfeitos e, no lugar da atenção dos pais (muito ocupados, pois estão envolvidos na alta sociedade), recebem todos os presentes que querem - por mais desnecessários que sejam, tornando-se perfeitas crianças consumistas, idiotas, incapazes de reconhecer o valor do dinheiro e do trabalho, e que aprendem desde cedo a chantagear seu caminho e a não se misturar com a gentalha inferior, pobre. Tais pais, tal filho. E assim sucessivamente, a menos que o ciclo seja quebrado por motivos diversos.
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A propósito, alguém se lembra da bolha da Internet nos anos de 2000/2001? Vários jovens empreendedores ficaram ricos, investindo em luxo para suas empresas high-tech, para simplesmente ... verem suas empresas (que nunca deram lucros efetivos, se baseando apenas em investimentos) serem engolidas da noite para o dia. Um dos exemplos mais clássicos de novo-rico que eu lembro, e uma lição de conservadorismo (no aspecto gastos) para muitos dos empresários atuais.
Nenhuma das pessoas que eu considero ricas, ou com um bom padrão de vida, chegou a essa situação se comportando como novo-rico. Todas elas chegaram lá daquele velho jeito chato, burocrático e totalmente não divertido: economizando dinheiro, tabelando seus gastos e calculando o quanto podem gastar - e desse valor gastando apenas uma pequena porção e fazendo com que o resto trabalhe para eles através de investimentos e negócios, para que não precisem depois entrar nas diversas armadilhas do crédito fácil.
E também penso que, se houvesse uma educação financeira, na construção de uma cultura que inibisse os esbanjadores novos-ricos, provavelmente não seria tão necessário assim fazer campanhas contra o desperdício e a favor de um "consumo consciente". Embora, tendo-se em vista que um dos principais interesses atuais de toda a nossa sociedade *é* exatamente o consumo, essa é uma ideia que, bem, vai sendo descartada a curto prazo.
Mas, enquanto não vemos essas ideias sendo postas em prática, que tal comprar um iPhone revestido em ouro - apenas 2,200 libras ou R$ 6500 ou um MacBook Pro banhado a ouro - apenas R$ 51000? :)
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Mau-professor HOWTO
Algumas conclusões que eu cheguei em 2 semestres e mais um pouco na faculdade, após todos os tipos de maus e ruins professores que eu tive:
E, infelizmente, nossas universidades (e as de todo o mundo) estão cheias de professores assim. Não espero um professor perfeito, justamente devido aos diversos tipos de aprendizagem existentes e ao fato de não ser possível agradar todos os alunos. Mas gostaria muito de ver professores que lembrassem que, um dia, eles foram alunos e não copiem as características daqueles professores que eles odiavam. E que, principalmente, saibam se posicionar como se eles estivessem sentados naquelas classes, assistindo a aula que eles dão.
- Use recursos multimídia nas suas aulas, mesmo não os sabendo usar. PowerPoint é uma excelente mídia para passar 50 slides enquanto lê integralmente o texto deles.
Hora dessas ainda quero encaminhar, anonimamente, este artigo do Efetividade.net para alguns deles.
Pior ainda: use lâminas. Sim, aquele velho e bom material usado na máquina do sono, digo, projetor. E se limite, também, a ler aquilo que nelas está escrito. Nem mais, nem menos. - Não mude as aulas; repita o mesmo material e o mesmo assunto todo semestre. Os únicos que saem beneficiados com isso são os alunos que já reprovaram na disciplina.
- Atole seus alunos com listas de exercícios e trabalhos para serem entregues em um infinitesimal de tempo. Quem se importa com aqueles que precisam trabalhar, que realizam projetos de pesquisa etc...? Todo mundo adora uma boa lista de 100 exercícios para ser entregue em 5 dias, regada a muito café e Coca-Cola. Dormir é para os fracos.
- Seja sarcástico com os alunos. Mesmo que isso te leve para o lado da má-educação, de fazer um aluno se sentir ofendido com a brincadeirinha sem graça que você fez. Mesmo que você não tenha absolutamente nenhum talento para a ironia, finja que você é um mestre do humor. Invente novas maneiras de chamar seus alunos de burros indiretamente.
- Dê provas absurdamente difíceis para serem feitas em um intervalo de tempo minúsculo. Não seja exigente; seja pedante, a ponto de considerar uma questão inteira errada por causa de uma vírgula incorretamente colocada ou uma palavra inadequada em uma questão dissertativa.
Quem precisa de criatividade quando podemos ter alunos robóticos, que decoram exercícios e capítulos inteiros de livros de forma a contentar o pedantismo insaciável do professor? - Dê aulas sobre um assunto que você não domina e não gosta. Ou melhor, dê "aulas". Peça para seus alunos lerem a apostila, aplique um trabalho que você não corrigirá (pois não entende sobre o assunto) e uma prova copiada de outro professor.
- Não prepare aulas. Apenas siga o que o livro que você adotou diz, e não saiba responder perguntas. Fique apenas em um eterno loop de "eu acho que é isso / não, não é / agora está certo / não, não está".
- Não saiba o que é entonação de voz. Passe a aula toda no mesmo tom monótono e sonolento.
- Prejudique a turma toda por causa de um aluno do qual você não gosta. Todos os outros ficarão extremamente agradecidos.
- Humilhe os alunos que têm dificuldades com a disciplina, faça comentários mal-educados sobre eles para que toda a sala possa ouvir. Seja arrogante com eles, afinal você é o chefe da turma e ela é submissa às notas que você dá no fim do semestre.
- Seja incompreensível. Fale rápido, rabisque freneticamente no quadro, tudo aquilo que mostra a falta de organização do seu raciocínio (e a falta da preparação de uma aula).
E, infelizmente, nossas universidades (e as de todo o mundo) estão cheias de professores assim. Não espero um professor perfeito, justamente devido aos diversos tipos de aprendizagem existentes e ao fato de não ser possível agradar todos os alunos. Mas gostaria muito de ver professores que lembrassem que, um dia, eles foram alunos e não copiem as características daqueles professores que eles odiavam. E que, principalmente, saibam se posicionar como se eles estivessem sentados naquelas classes, assistindo a aula que eles dão.
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