De nada adianta uma escola moderna, com infra-estrutura de primeiro-mundo, se os alunos vão para ela apenas para fazer bagunça, para destratar os professores, para praticar o bullying, entre outros comportamentos não-educativos - muitas vezes vítimas de vista grossa pela administração da escola - e até mesmo pelos pais de alunos (ah, mas meu filho não faz isso! ele é um bom filho!).
Como consequência desses eventos, obtém-se professores frustrados, muitas vezes ameaçados pelos alunos - que jogam sua própria incompetência nas costas do professor, ao tentar vingança por uma nota inadequada, mesmo que o aluno tenha dormido em todas as aulas e nunca tenha entregue um trabalho. E isso não se resolve simplesmente aumentando o salário.
Do mesmo problema surgem alunos que acabam perdendo o interesse no estudo, ou mesmo o aluno interessado desenvolve estresse, depressão etc... devido aos paus e pedras verbais que ganham do aluno "fodão" que os ameaça de "nerd viadinho puxa-saco do professor" - exatamente o contrário do objetivo do ensino. E antes que falem ah, mas a vítima não pode ser forte e ignorar?, como já me sugeriram, isso normalmente tem uma das duas consequências:
- Fica implícito para o agressor que apenas a agressão verbal não basta, e que é preciso partir para a agressão física.
- Fica implícito para o agressor que o comportamento dele é aceitável e que ele pode continuar, visto que não houve reprovação.
Por sinal, como falar em uma sociedade tolerante, não-preconceituosa, quando a escola, de certa forma, tolera o racismo, a homofobia, a discriminação por qualquer motivo - como acontece no bullying?
Tudo isso é agravado pelo fato do professor não ter mais autoridade em sala de aula: não pode expulsar o aluno bagunceiro. Não pode reprová-lo. Qualquer nota zero é motivo de papai e mamãe irem lá reclamar, ou mesmo de professores sendo gentilmente convidados a alterar os históricos escolares. O professor tornou-se submisso às vontades do aluninho mimado, aquele que aprendeu com os pais que ele era um anjinho, cujas vontades sempre eram satisfeitas.
Outro clássico problema é o aluno que não quer pensar. Aquele que faz um trabalho na base do copiar e colar - e ainda se acha por isso, que sempre procura um jeito de se esquivar das perguntas do professor... e que ainda odeia aqueles que pensam e argumentam, ou que ao menos tentam. Seus "argumentos" normalmente passam por frases de brilhante conteúdo argumentativo (coisa de viado, quem faz isso é nerd, coisa de quem não come ninguém etc...). Excelente profissional ou universitário que ele será, não?
Na mesma classe inclui-se o aluno que não questiona, que se deixa manipular por qualquer opinião que venha de uma figura de autoridade. Um perfeito idiota, feito sob medida para o consumismo, e que provavelmente tornar-se-á mais uma geradora de preconceito.
Respeito, ética, senso crítico, não-preconceito, ceticismo: coisas que não se ensinam em sala de aula, e que deveriam vir de casa. Mas se elas não vêm, é necessário punir os alunos que não as possuem. Sim, é necessário expulsar o aluno que manda o professor tomar no cu, punir os alunos que tratam a escola como um lugar para bagunçar, e colocar os pais a par do que o "filhinho" está fazendo dentro da escola - fazendo com que eles respondam pelos filhos que não levam o material escolar mais importante: a educação que vem de casa.

