Obs: NÃO TENHO MAIS ESSE HD! NÃO TENHO COMO RESPONDER PERGUNTAS SOBRE ELE!
Comprei recentemente um HD externo Hitachi XL1000, de 1TB, para suprir minha necessidade por armazenamento e backup. Ele não é exatamente portátil (até onde eu sei não existe HD de 1TB 2.5", e ele efetivamente é um HD de desktop em uma case), tem a espessura de um livro mais grosso e precisa de fonte de alimentação externa (não é alimentado pela USB).
Meu primeiro passo foi formatá-lo em outro sistema de arquivos. Escolhi o NTFS mesmo, devido à compatibilidade com ambos Windows e Linux. Mas testei ele brevemente com ReiserFS, criando e deletando arquivos, e não houve problema algum.
O desempenho dele é bom: não espero rodar uma máquina virtual a partir dele, mas testei com vídeos e eles rodaram bem. Uma possibilidade bem interessante, mas que não explorei por ela ser desnecessária para mim, é a de instalar um Linux em uma partição nele, encher o resto com drivers/utilitários/imagens de disco e e usar ele como um "HD de restauração" para o técnico/profissional de TI que precisa consertar computadores no seu dia-a-dia.
Uma sacada inteligente PRA CARAMBA dele é permitir que o usuário escolha qual o tipo de tomada que o adaptador usa. Realmente, MUITO bem pensado, especialmente para quem viaja para o exterior.
Outra coisa inteligente é o fato dele entrar em stand-by automaticamente quando o computador é desligado, ou seja, pode-se deixá-lo ligado sempre na tomada.
Os problemas dele:
- O LED de acesso faz com que o logotipo da Hitachi piscando, e isso se torna irritante após um tempo.
- Conectores são bastante frágeis e não inspiram confiança para conexão-desconexão repetitivos.
- Um pouco barulhento, mas isso não chega a afetar seu uso no dia-a-dia.
- O "startup" dele é lento, demora uns 15 segundos até estar disponível.
E infelizmente, se eu quiser acessar o HD em ambos Linux e Windows, eu precisarei formatá-lo no NTFS (não considero FAT32), e o ntfs-3g (aliás, primeira vez que uso ele: quando ele surgiu, eu já não fazia dual-boot e tampouco precisava de NTFS), mas isso não é culpa do dispositivo.
Só o tempo dirá se ele é um dispositivo robusto, mas no momento estou bastante satisfeito: consigo fazer backup dos meus arquivos do notebook (uns 160GB) e ainda sobra uma boa quantidade de espaço.
Opiniões e considerações sinceras sobre temas diversos, vindas de um engenheiro que escreve nas horas vagas (ou o contrário).
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Mais uma da nossa amiguinha MPAA: desconectar o Google
A mais recente da MPAA: ela ameaçou tirar o Google da internet por supostas violações de copyright. Mais uma ideia daquelas que só poderia vir de advogados e executivos sem nenhum conhecimento técnico.
Primeiramente, o Google não tem um provedor. Ele É seu próprio provedor, e usa serviços de vários outros em vários países. Desconectar o Google não vai ser algo tão simples assim - se é que é possível. Gostaria de ver o mecanismo que a MPAA propõe para isto: vão cortar as rotas BGP do Google, deixando ele no escuro?
Após: na remota hipótese de porcos voarem, vacas tussirem e isso ocorrer, o que será feito? Todos os domínios *.google.com redirecionarão para um this page was removed due to violation of the terms of service? Os serviços hospedados no Google morrerão - os mesmos que certamente são usados pelos próprios advogados da MPAA e dos estúdios, e por esmagadora maioria da internet? Isso irá causar um protesto de quase toda a internet.
Outra coisa importante é que todos os mecanismos de identificação por endereço IP são falhos: é muito comum empresas terem um conjunto de conexões de internet para si, e elas servirem de conectividade para toda a empresa. Uma empresa com 5 mil funcionários pode ter 50 endereços IP alocados - ou seja, em caso de recebimento de denúncia, identificar quem-quando-onde-como torna-se praticamente impossível. Ao menos é o caso com o IPv4; com o IPv6, onde não há NAT e teoricamente TODOS podem ter endereços IP válidos, esse problema provavelmente será resolvido.
Um usuário doméstico, cuja conexão recebe um IP dinâmico a cada vez que ele liga o modem/disca para o provedor, pode ser erroneamente punido pelo que outro usuário fez com aquele mesmo endereço IP há alguns meses antes.
Por fim, tenho minhas dúvidas: DUVIDO que os executivos da MPAA, ou familiares deles, não tenham nada pirata em suas casas.
DUVIDO que as redes dessa própria MPAA não tenham sido usadas para pirataria.
Lembro que, na cidade onde eu morava há alguns anos atrás, um policial foi visto... comprando CDs piratas. Irônico, não? Quem observa os observadores?
Além disso, eles introduziram MUITAS pessoas ao mundo da pirataria: lembro da época em que ela ainda engatinhava, no underground da internet, e apenas os mais iniciados conseguiam usar o IRC para baixar uma música ou um filme.
E, do jeito que a MPAA/RIAA/* gostam de cantar vitória cada vez que um site com conteúdo pirata é tirado do ar... garanto que muitos leigos, que antes não sabiam o que era "baixar músicas", ouviram falar nisso com a grande mídia.
Tudo caminha em direção a uma vitória pírrica para a indústria da propriedade intelectual, algo suficiente para abalar a imagem de tais instituições, já degradada devido a tantos anos de paranoia injustificada (estamos em 2011, há uns 5 anos que eu cobro um estudo científico sobre o real efeito da pirataria no lucro da indústria) e infrutífera. Espero que os porcos voem e que este seja o tiro no pé definitivo para essas a$$ociaçõe$ repre$entante$ de uma indú$tria de produções de baixa qualidade.
Primeiramente, o Google não tem um provedor. Ele É seu próprio provedor, e usa serviços de vários outros em vários países. Desconectar o Google não vai ser algo tão simples assim - se é que é possível. Gostaria de ver o mecanismo que a MPAA propõe para isto: vão cortar as rotas BGP do Google, deixando ele no escuro?
Após: na remota hipótese de porcos voarem, vacas tussirem e isso ocorrer, o que será feito? Todos os domínios *.google.com redirecionarão para um this page was removed due to violation of the terms of service? Os serviços hospedados no Google morrerão - os mesmos que certamente são usados pelos próprios advogados da MPAA e dos estúdios, e por esmagadora maioria da internet? Isso irá causar um protesto de quase toda a internet.
Outra coisa importante é que todos os mecanismos de identificação por endereço IP são falhos: é muito comum empresas terem um conjunto de conexões de internet para si, e elas servirem de conectividade para toda a empresa. Uma empresa com 5 mil funcionários pode ter 50 endereços IP alocados - ou seja, em caso de recebimento de denúncia, identificar quem-quando-onde-como torna-se praticamente impossível. Ao menos é o caso com o IPv4; com o IPv6, onde não há NAT e teoricamente TODOS podem ter endereços IP válidos, esse problema provavelmente será resolvido.
Um usuário doméstico, cuja conexão recebe um IP dinâmico a cada vez que ele liga o modem/disca para o provedor, pode ser erroneamente punido pelo que outro usuário fez com aquele mesmo endereço IP há alguns meses antes.
Por fim, tenho minhas dúvidas: DUVIDO que os executivos da MPAA, ou familiares deles, não tenham nada pirata em suas casas.
DUVIDO que as redes dessa própria MPAA não tenham sido usadas para pirataria.
Lembro que, na cidade onde eu morava há alguns anos atrás, um policial foi visto... comprando CDs piratas. Irônico, não? Quem observa os observadores?
Além disso, eles introduziram MUITAS pessoas ao mundo da pirataria: lembro da época em que ela ainda engatinhava, no underground da internet, e apenas os mais iniciados conseguiam usar o IRC para baixar uma música ou um filme.
E, do jeito que a MPAA/RIAA/* gostam de cantar vitória cada vez que um site com conteúdo pirata é tirado do ar... garanto que muitos leigos, que antes não sabiam o que era "baixar músicas", ouviram falar nisso com a grande mídia.
Tudo caminha em direção a uma vitória pírrica para a indústria da propriedade intelectual, algo suficiente para abalar a imagem de tais instituições, já degradada devido a tantos anos de paranoia injustificada (estamos em 2011, há uns 5 anos que eu cobro um estudo científico sobre o real efeito da pirataria no lucro da indústria) e infrutífera. Espero que os porcos voem e que este seja o tiro no pé definitivo para essas a$$ociaçõe$ repre$entante$ de uma indú$tria de produções de baixa qualidade.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Removendo recursos em nome do "minimalismo": o caso do GNOME 3
Uma das "novidades" no GNOME 3 será que o seu laptop/netbook automaticamente entrará em 'suspend' quando a tampa dele for fechada. No GNOME 2, o usuário pode escolher a atitude a ser tomada nessas circunstâncias, já no GNOME 3 tal opção somente poderá ser desativada pelo dconf.
A argumentação dos desenvolvedores do GNOME 3 gira em torno de ideias: "notebooks podem sobreaquecer e incendiarem quando fechados" e "queremos fazer uma interface simples". Ideias facilmente refutáveis de um ponto de vista mais power-user.
Para o caso da primeira, considero - do ponto de vista da engenharia - que nenhum laptop bem-projetado deva incendiar. Todos os processadores atuais têm mecanismos de proteção térmica, que modulam o seu clock ou desligam a máquina em caso de sobreaquecimento. E não vai ser com workarounds, mascarando problemas de hardware com software, que se resolverão defeitos em camadas inferiores (no kernel, ou mesmo falhas de projeto).
Eu não quero ter que interromper todos meus downloads que deixei rodando durante a noite com o notebook fechado (de forma a preservar a lâmpada e diminuir o consumo de energia), tampouco quero perder as conexões ssh ou chats no IRC que deixei abertos, ou mesmo uma compilação que leva a noite toda para rodar.
Soma-se a isso o fato do suspend não ser algo 100% funcional para todos os drivers (Intel com kernel antigo, por exemplo - suspend não funciona adequadamente), o que poderia gerar uma onda de frustrações e dores de cabeça - no meu caso, implicaria que não posso fechar meu laptop!
O segundo ponto: considero que de nada adianta simplificar e, no processo, prejudicar os usuários tirando recursos que em versões anteriores funcionavam bem e eram acessíveis de forma fácil (certamente muito mais fácil do que editar valores no dconf).
É uma pena que o GNOME esteja entendendo o menos é mais como tirar recursos que já funcionavam bem é tudo: ele poderia, se houvesse mais interesse dos desenvolvedores nesse aspecto, virar um exemplo de como é possível fazer um ambiente fácil de usar sem necessariamente privar os usuários de sua flexibilidade.
Mesmo o Windows permite que o usuário configure esse item, e a interface para tal parece suficientemente intuitiva mesmo para um não-geek. Pode não ser um primor de usabilidade, mas claramente é muito mais usável que editar entradas num registro (uma das grandes dores-de-cabeça do Windows, agora disponível para o Linux) - o que ironicamente contradiz as ideias de usabilidade e simplicidade.
Como solução, certamente aparecerão ferramentas no estilo do Ubuntu Tweak, que permitirão ao usuário desativar tal recurso - espero que o pessoal do GNOME seja esperto o suficiente para retornar os controles às mãos do usuário, e não sujeitá-los às arbitrariedades de pessoas que não conhecem o perfil de uso de cada pessoa.
Mas obviamente, precisar de uma ferramenta de terceiros para tapar os buracos de algo que já existia e foi extirpado, já complica as coisas para o usuário não-geek, aquele que o Linux quer (e precisa) cativar - o que é mais simples de fazer, digamos, por telefone: "fulano, vai em Sistema, depois em Preferências e depois em Energia, daí tu desativa" ou "instala tal coisa, depois vai em tal lugar, depois em outro"?
Sinto que o GNOME está indo pelo caminho errado: tratando o usuário como um idiota que não precisa - e nem deve - configurar nada, que sempre se contenta com programas com meia dúzia de configurações, e que aceita que outras decisões se imponham na forma como ele trabalha.
Pelo menos já migrei para o KDE, que me oferece uma boa quantidade de configurações facilmente acessíveis, e que não se apega a um minimalismo mamãe, quero ser Apple! que acaba se tornando restritivo, ao obrigar o usuário a mudar sua forma de trabalhar em vez de se adaptar ao meu dia-a-dia.
A argumentação dos desenvolvedores do GNOME 3 gira em torno de ideias: "notebooks podem sobreaquecer e incendiarem quando fechados" e "queremos fazer uma interface simples". Ideias facilmente refutáveis de um ponto de vista mais power-user.
Para o caso da primeira, considero - do ponto de vista da engenharia - que nenhum laptop bem-projetado deva incendiar. Todos os processadores atuais têm mecanismos de proteção térmica, que modulam o seu clock ou desligam a máquina em caso de sobreaquecimento. E não vai ser com workarounds, mascarando problemas de hardware com software, que se resolverão defeitos em camadas inferiores (no kernel, ou mesmo falhas de projeto).
Eu não quero ter que interromper todos meus downloads que deixei rodando durante a noite com o notebook fechado (de forma a preservar a lâmpada e diminuir o consumo de energia), tampouco quero perder as conexões ssh ou chats no IRC que deixei abertos, ou mesmo uma compilação que leva a noite toda para rodar.
Soma-se a isso o fato do suspend não ser algo 100% funcional para todos os drivers (Intel com kernel antigo, por exemplo - suspend não funciona adequadamente), o que poderia gerar uma onda de frustrações e dores de cabeça - no meu caso, implicaria que não posso fechar meu laptop!
O segundo ponto: considero que de nada adianta simplificar e, no processo, prejudicar os usuários tirando recursos que em versões anteriores funcionavam bem e eram acessíveis de forma fácil (certamente muito mais fácil do que editar valores no dconf).
É uma pena que o GNOME esteja entendendo o menos é mais como tirar recursos que já funcionavam bem é tudo: ele poderia, se houvesse mais interesse dos desenvolvedores nesse aspecto, virar um exemplo de como é possível fazer um ambiente fácil de usar sem necessariamente privar os usuários de sua flexibilidade.
Mesmo o Windows permite que o usuário configure esse item, e a interface para tal parece suficientemente intuitiva mesmo para um não-geek. Pode não ser um primor de usabilidade, mas claramente é muito mais usável que editar entradas num registro (uma das grandes dores-de-cabeça do Windows, agora disponível para o Linux) - o que ironicamente contradiz as ideias de usabilidade e simplicidade.
Como solução, certamente aparecerão ferramentas no estilo do Ubuntu Tweak, que permitirão ao usuário desativar tal recurso - espero que o pessoal do GNOME seja esperto o suficiente para retornar os controles às mãos do usuário, e não sujeitá-los às arbitrariedades de pessoas que não conhecem o perfil de uso de cada pessoa.
Mas obviamente, precisar de uma ferramenta de terceiros para tapar os buracos de algo que já existia e foi extirpado, já complica as coisas para o usuário não-geek, aquele que o Linux quer (e precisa) cativar - o que é mais simples de fazer, digamos, por telefone: "fulano, vai em Sistema, depois em Preferências e depois em Energia, daí tu desativa" ou "instala tal coisa, depois vai em tal lugar, depois em outro"?
Sinto que o GNOME está indo pelo caminho errado: tratando o usuário como um idiota que não precisa - e nem deve - configurar nada, que sempre se contenta com programas com meia dúzia de configurações, e que aceita que outras decisões se imponham na forma como ele trabalha.
Pelo menos já migrei para o KDE, que me oferece uma boa quantidade de configurações facilmente acessíveis, e que não se apega a um minimalismo mamãe, quero ser Apple! que acaba se tornando restritivo, ao obrigar o usuário a mudar sua forma de trabalhar em vez de se adaptar ao meu dia-a-dia.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
2 anos de blog
Hoje, 25/01/2011, esse blog faz dois anos. Nesse período falamos de Linux e outros softwares livres, copyrights, música, educação, mundo acadêmico etc....
Esse post foi só pra poder usar a foto desse bolo.
(fonte da foto: http://www.sxc.hu/photo/536471)
Esse post foi só pra poder usar a foto desse bolo.
(fonte da foto: http://www.sxc.hu/photo/536471)
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
O aluno como gargalo da educação
Muito se fala em melhorar o ensino, em revitalizar as escolas públicas, entre outras estratégias para tentar tirar o Brasil da ridícula posição nos rankings internacionais. Porém, um aspecto crucial no processo, muitas vezes ignorado, acaba gerando um grande gargalo: o aluno e a educação que deveria vir de casa.
De nada adianta uma escola moderna, com infra-estrutura de primeiro-mundo, se os alunos vão para ela apenas para fazer bagunça, para destratar os professores, para praticar o bullying, entre outros comportamentos não-educativos - muitas vezes vítimas de vista grossa pela administração da escola - e até mesmo pelos pais de alunos (ah, mas meu filho não faz isso! ele é um bom filho!).
Como consequência desses eventos, obtém-se professores frustrados, muitas vezes ameaçados pelos alunos - que jogam sua própria incompetência nas costas do professor, ao tentar vingança por uma nota inadequada, mesmo que o aluno tenha dormido em todas as aulas e nunca tenha entregue um trabalho. E isso não se resolve simplesmente aumentando o salário.
Do mesmo problema surgem alunos que acabam perdendo o interesse no estudo, ou mesmo o aluno interessado desenvolve estresse, depressão etc... devido aos paus e pedras verbais que ganham do aluno "fodão" que os ameaça de "nerd viadinho puxa-saco do professor" - exatamente o contrário do objetivo do ensino. E antes que falem ah, mas a vítima não pode ser forte e ignorar?, como já me sugeriram, isso normalmente tem uma das duas consequências:
Por sinal, como falar em uma sociedade tolerante, não-preconceituosa, quando a escola, de certa forma, tolera o racismo, a homofobia, a discriminação por qualquer motivo - como acontece no bullying?
Tudo isso é agravado pelo fato do professor não ter mais autoridade em sala de aula: não pode expulsar o aluno bagunceiro. Não pode reprová-lo. Qualquer nota zero é motivo de papai e mamãe irem lá reclamar, ou mesmo de professores sendo gentilmente convidados a alterar os históricos escolares. O professor tornou-se submisso às vontades do aluninho mimado, aquele que aprendeu com os pais que ele era um anjinho, cujas vontades sempre eram satisfeitas.
Outro clássico problema é o aluno que não quer pensar. Aquele que faz um trabalho na base do copiar e colar - e ainda se acha por isso, que sempre procura um jeito de se esquivar das perguntas do professor... e que ainda odeia aqueles que pensam e argumentam, ou que ao menos tentam. Seus "argumentos" normalmente passam por frases de brilhante conteúdo argumentativo (coisa de viado, quem faz isso é nerd, coisa de quem não come ninguém etc...). Excelente profissional ou universitário que ele será, não?
Na mesma classe inclui-se o aluno que não questiona, que se deixa manipular por qualquer opinião que venha de uma figura de autoridade. Um perfeito idiota, feito sob medida para o consumismo, e que provavelmente tornar-se-á mais uma geradora de preconceito.
Respeito, ética, senso crítico, não-preconceito, ceticismo: coisas que não se ensinam em sala de aula, e que deveriam vir de casa. Mas se elas não vêm, é necessário punir os alunos que não as possuem. Sim, é necessário expulsar o aluno que manda o professor tomar no cu, punir os alunos que tratam a escola como um lugar para bagunçar, e colocar os pais a par do que o "filhinho" está fazendo dentro da escola - fazendo com que eles respondam pelos filhos que não levam o material escolar mais importante: a educação que vem de casa.
De nada adianta uma escola moderna, com infra-estrutura de primeiro-mundo, se os alunos vão para ela apenas para fazer bagunça, para destratar os professores, para praticar o bullying, entre outros comportamentos não-educativos - muitas vezes vítimas de vista grossa pela administração da escola - e até mesmo pelos pais de alunos (ah, mas meu filho não faz isso! ele é um bom filho!).
Como consequência desses eventos, obtém-se professores frustrados, muitas vezes ameaçados pelos alunos - que jogam sua própria incompetência nas costas do professor, ao tentar vingança por uma nota inadequada, mesmo que o aluno tenha dormido em todas as aulas e nunca tenha entregue um trabalho. E isso não se resolve simplesmente aumentando o salário.
Do mesmo problema surgem alunos que acabam perdendo o interesse no estudo, ou mesmo o aluno interessado desenvolve estresse, depressão etc... devido aos paus e pedras verbais que ganham do aluno "fodão" que os ameaça de "nerd viadinho puxa-saco do professor" - exatamente o contrário do objetivo do ensino. E antes que falem ah, mas a vítima não pode ser forte e ignorar?, como já me sugeriram, isso normalmente tem uma das duas consequências:
- Fica implícito para o agressor que apenas a agressão verbal não basta, e que é preciso partir para a agressão física.
- Fica implícito para o agressor que o comportamento dele é aceitável e que ele pode continuar, visto que não houve reprovação.
Por sinal, como falar em uma sociedade tolerante, não-preconceituosa, quando a escola, de certa forma, tolera o racismo, a homofobia, a discriminação por qualquer motivo - como acontece no bullying?
Tudo isso é agravado pelo fato do professor não ter mais autoridade em sala de aula: não pode expulsar o aluno bagunceiro. Não pode reprová-lo. Qualquer nota zero é motivo de papai e mamãe irem lá reclamar, ou mesmo de professores sendo gentilmente convidados a alterar os históricos escolares. O professor tornou-se submisso às vontades do aluninho mimado, aquele que aprendeu com os pais que ele era um anjinho, cujas vontades sempre eram satisfeitas.
Outro clássico problema é o aluno que não quer pensar. Aquele que faz um trabalho na base do copiar e colar - e ainda se acha por isso, que sempre procura um jeito de se esquivar das perguntas do professor... e que ainda odeia aqueles que pensam e argumentam, ou que ao menos tentam. Seus "argumentos" normalmente passam por frases de brilhante conteúdo argumentativo (coisa de viado, quem faz isso é nerd, coisa de quem não come ninguém etc...). Excelente profissional ou universitário que ele será, não?
Na mesma classe inclui-se o aluno que não questiona, que se deixa manipular por qualquer opinião que venha de uma figura de autoridade. Um perfeito idiota, feito sob medida para o consumismo, e que provavelmente tornar-se-á mais uma geradora de preconceito.
Respeito, ética, senso crítico, não-preconceito, ceticismo: coisas que não se ensinam em sala de aula, e que deveriam vir de casa. Mas se elas não vêm, é necessário punir os alunos que não as possuem. Sim, é necessário expulsar o aluno que manda o professor tomar no cu, punir os alunos que tratam a escola como um lugar para bagunçar, e colocar os pais a par do que o "filhinho" está fazendo dentro da escola - fazendo com que eles respondam pelos filhos que não levam o material escolar mais importante: a educação que vem de casa.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Mindshare: a pirataria como forma de marketing
Vejo muita gente, especialmente na comunidade de software livre, desejando que a Microsoft, e outras empresas de software proprietário, tomem medidas mais agressivas contra a violação de copyright, vulga "pirataria". (In)felizmente, isso não vai acontecer - não tão cedo. Por um motivo bem simples: mindshare.
Apesar das supostas estatísticas que dizem o contrário, a pirataria pouco ou nada prejudica essas empresas - se ela é tão ruim assim, como explicar o fato de Microsoft, Adobe, Apple et. al. sempre registrarem enormes lucros?
Elas perdem um pouco de dinheiro, mas ganham algo muito mais importante: publicidade e usuários - o que muitas vezes vai ser um fator na hora de uma empresa (que, naturalmente, não irá usar software pirata, devido ao baixo custo-benefício - a licença do Windows tem um valor irrelevante para compras maciças), escolher uma solução user-friendly, e na formação de um ecossistema com um ciclo de feedback positivo (mais pessoas usam Windows, forneceremos mais serviços para tal plataforma, mais pessoas usam...). Em termos mais simples, a clássica estratégia do "dê as drogas de graça e crie viciados", que funciona muito bem.
O que seria da Adobe se os "dizáine gráphico", ou mesmo o artista amador (aquele que divulga sua arte em sites como DeviantArt, Flickr etc...) usassem o GIMP, o Inkscape e desenvolvessem HTML5 em vez de usar o Photoshop, o Illustrator e o Flash, respectivamente, ou mesmo um professor do curso de Design decidisse pelo uso de tais ferramentas? Provavelmente photoshop não teria virado um verbo ("eu vou me photoshopar aqui pra ficar mais bonita" ou frases do tipo), e a Adobe (por exemplo) deixaria de vender licenças para universidades.
E o que seria de técnicos em formatação de Windows que, perante a redução na massa de usuários de Windows pirata (assumindo que a maioria dos "ex-piratas" migrasse para Linux), visto que eles não teriam muito o que fazer, já que Linux não é tão facilmente quebrável por um usuário leigo - a menos que eles se reciclassem? Provavelmente veríamos vários desses desempregados.
Somando-se a isso, também, o fator FUD: se a grande mídia noticiasse que usuários domésticos foram punidos por usar software pirata, provavelmente os indecisos (aqueles que mantém um Windows não-original em uma VM, ou em dual-boot) iriam ter um bom argumento para tirá-lo de suas máquinas e convencer outras pessoas a também migrar.
Outra questão relevante é que, para o usuário doméstico, efetivamente o Windows e outros programas comerciais são gratuitos (ou custam R$ 5 no camelô). Assim, não há muita motivação para um usuário leigo migrar para software livre, ou mesmo procurar alternativas mais econômicas a softwares comerciais que ele usa de graça. Assim, a pirataria acaba tendo um efeito colateral de desmotivar a busca de outras opções gratuitas ou de menor custo - mas não é isso que as empresas querem, de certa forma?
Na música acontece algo similar: por mais que as gravadoras digam que a pirataria prejudica a música, muitas vezes é ela que aumenta o alcance desta. Desde o ouvinte de uma banda underground que só consegue ter contato com ela através de um download - visto que a gravadora decidiu não trazer os álbuns dela para o Brasil, por questões mercadológicas, até a pessoa que baixa uma música, conhece uma banda e apresenta ela para os amigos, que repetem o processo. De certa forma, a pirataria ajudou a formar um meme que faz a cabeça de muita gente. Algo bem desejável para os artistas, que certamente terão mais fãs nos seus shows.
As empresas dificilmente irão querer mudar uma situação que, de certo ponto de vista, é boa para elas: uma forma eficiente de desencorajar a busca por alternativas livres, e que pode render um dinheirinho, um rio de lágrimas de crocodilo, e 15 minutinhos de FUD na forma de processos. A pirataria torna-se um eficiente marketing gratuito, mais abrangente que campanhas milionárias de publicidade, em uma situação ganha-ganha (ou usando o termo que o TV Tropes usa, Xanatos Gambit - dica, não visite se você não quer se perder naquele wiki. Não diga que eu não avisei).
Apesar das supostas estatísticas que dizem o contrário, a pirataria pouco ou nada prejudica essas empresas - se ela é tão ruim assim, como explicar o fato de Microsoft, Adobe, Apple et. al. sempre registrarem enormes lucros?
Elas perdem um pouco de dinheiro, mas ganham algo muito mais importante: publicidade e usuários - o que muitas vezes vai ser um fator na hora de uma empresa (que, naturalmente, não irá usar software pirata, devido ao baixo custo-benefício - a licença do Windows tem um valor irrelevante para compras maciças), escolher uma solução user-friendly, e na formação de um ecossistema com um ciclo de feedback positivo (mais pessoas usam Windows, forneceremos mais serviços para tal plataforma, mais pessoas usam...). Em termos mais simples, a clássica estratégia do "dê as drogas de graça e crie viciados", que funciona muito bem.
O que seria da Adobe se os "dizáine gráphico", ou mesmo o artista amador (aquele que divulga sua arte em sites como DeviantArt, Flickr etc...) usassem o GIMP, o Inkscape e desenvolvessem HTML5 em vez de usar o Photoshop, o Illustrator e o Flash, respectivamente, ou mesmo um professor do curso de Design decidisse pelo uso de tais ferramentas? Provavelmente photoshop não teria virado um verbo ("eu vou me photoshopar aqui pra ficar mais bonita" ou frases do tipo), e a Adobe (por exemplo) deixaria de vender licenças para universidades.
E o que seria de técnicos em formatação de Windows que, perante a redução na massa de usuários de Windows pirata (assumindo que a maioria dos "ex-piratas" migrasse para Linux), visto que eles não teriam muito o que fazer, já que Linux não é tão facilmente quebrável por um usuário leigo - a menos que eles se reciclassem? Provavelmente veríamos vários desses desempregados.
Somando-se a isso, também, o fator FUD: se a grande mídia noticiasse que usuários domésticos foram punidos por usar software pirata, provavelmente os indecisos (aqueles que mantém um Windows não-original em uma VM, ou em dual-boot) iriam ter um bom argumento para tirá-lo de suas máquinas e convencer outras pessoas a também migrar.
Outra questão relevante é que, para o usuário doméstico, efetivamente o Windows e outros programas comerciais são gratuitos (ou custam R$ 5 no camelô). Assim, não há muita motivação para um usuário leigo migrar para software livre, ou mesmo procurar alternativas mais econômicas a softwares comerciais que ele usa de graça. Assim, a pirataria acaba tendo um efeito colateral de desmotivar a busca de outras opções gratuitas ou de menor custo - mas não é isso que as empresas querem, de certa forma?
Na música acontece algo similar: por mais que as gravadoras digam que a pirataria prejudica a música, muitas vezes é ela que aumenta o alcance desta. Desde o ouvinte de uma banda underground que só consegue ter contato com ela através de um download - visto que a gravadora decidiu não trazer os álbuns dela para o Brasil, por questões mercadológicas, até a pessoa que baixa uma música, conhece uma banda e apresenta ela para os amigos, que repetem o processo. De certa forma, a pirataria ajudou a formar um meme que faz a cabeça de muita gente. Algo bem desejável para os artistas, que certamente terão mais fãs nos seus shows.
As empresas dificilmente irão querer mudar uma situação que, de certo ponto de vista, é boa para elas: uma forma eficiente de desencorajar a busca por alternativas livres, e que pode render um dinheirinho, um rio de lágrimas de crocodilo, e 15 minutinhos de FUD na forma de processos. A pirataria torna-se um eficiente marketing gratuito, mais abrangente que campanhas milionárias de publicidade, em uma situação ganha-ganha (ou usando o termo que o TV Tropes usa, Xanatos Gambit - dica, não visite se você não quer se perder naquele wiki. Não diga que eu não avisei).
sábado, 18 de dezembro de 2010
Blá-blá-blá audiófilo
Outro dia, quando estava em uma banca, peguei uma revista destinada aos audiófilos e cinéfilos. Reviews de amplificadores, caixas de som, tocadores de Blu-Ray, TVs de grandes dimensões (até aí tudo bem)... e cabos USB sofisticadíssimos. Cabos USB! Especialmente esse aqui (não lembro se era esse o modelo, mas ilustra o que eu quero explicar). Maravilhem-se: US$ 2849 por 3 pés (isto dá US$ 3100/m, módicos R$ 5296). Uma pechincha!
Sinais digitais são digitais, o Cap. Óbvio mandou dizer. Muitos deles contêm algoritmos de correção de erros (p. ex. as mídias ópticas têm um código que permite que um CD levemente arranhado não dê problemas [1]), ou seja, dificilmente você vai perceber um 'bit perdido'. E um HD externo, ou uma câmera digital profissional, têm uma velocidade de transmissão e uma largura de banda muito maiores que um sinal de áudio: não seria sensato, então, que os fabricantes de tais dispositivos usassem cabos mais sofisticados? Não é o que vemos, entretanto: esses dispositivos têm um cabo comum, "made in China" (como se os cabos audiófilos fossem fabricados com cobre minerado por duendes alemães).
Mas o pior são os cabos de força "audiófilos", que não introduzem coloridos no som (teria isso algo a ver com Restart e afins? - na verdade, 'coloridos' é um termo técnico utilizado para as alterações que o processamento do sinal implica sobre o áudio). Falam de efeito skin, transcondutância, 'amaciamento de componentes' etc..., abusando do eletromagnetismo e da engenharia (pergunto quantos audiófilos são engenheiros eletricistas/eletrônicos). O 'amaciamento de componentes' supostamente encontra embasamento no 'burn-in' empregado na engenharia de confiabilidade, que consiste em testar componentes em condições não-ideais, de forma a selecionar aqueles obviamente ruins (protip: isso não inclui a sua casa, com seu cachorro mordendo os cabos)
E novamente, aplica-se a lógica que já citei anteriormente: se o cabo importa tanto assim, computadores, monitores, TVs, equipamento de teste etc... viriam com cabos de força com as características que eu descrevi. Aliás, tem gente que diz que cabos audiófilos melhoram a qualidade do vídeo. Eu esperaria, então, que um monitor high-end viesse com esses cabos - o que não é o visto por aí. Talvez ficasse a sugestão para a Apple?
Também há a classe dos "powerlines", "filtros de sinal" etc.... como este. Algumas coisas que o dispositivo promete até têm um certo fundamento eletrônico (por exemplo, a correção do fator de potência, a partida suave) mas não são relevantes para áudio: equipamentos de boa qualidade são projetados justamente para tolerarem esses 'pequenos picos' de energia, e o usuário doméstico não tem muito a ganhar com a correção do fator de potência.
Mas o EXTREMO foi um desmagnetizador de CD. Acho que qualquer pessoa que tenha nascido nos últimos 30 anos (o CD foi lançado comercialmente em 1982, e já está no mercado brasileiro há uns 15 anos) sabe que CDs/DVDs/Blu-Rays são mídias ópticas, logo não sofrendo magnetização. Algo digno de um facepalm.
Um estudo objetivo para provar a não-diferença entre tais cabos envolveria o uso de osciloscópios, analisadores de espectro etc... e provavelmente os órgãos de fomento à pesquisa não têm dinheiro para gastar com pseudociência.
Uma boa instalação elétrica, uma alimentação sem oscilações, cabos que não tenham quilômetros de comprimento, evitar as fontes óbvias de interferência - por exemplo, máquinas elétricas, etc... são importantes para a vida útil do equipamento, e obviamente a experiência do usuário pode ser prejudicada por um cabo danificado ou epicamente ruim, ou por um ambiente com uma acústica inadequada ou fones comprados em camelô. Mas não justificam gastar centenas de reais em cabos "audiófilos", nem em dispositivos que supostamente melhoram a qualidade do áudio.
Por falar em instalação elétrica, vi em outra revista voltada ao público audiot... er, audiófilo, uma pessoa que argumentava que nunca se deveriam desligar os amplificadores e outros equipamentos, pois a energia elétrica era o oxigênio do equipamento (de certa forma faz sentido) e desligá-la era deixar o equipamento sem ar. É aquele típico momento que só pode ser representado por um facepalm.
Não vou entrar, também, no mérito dos amplificadores valvulados vs. os amplificadores transistorizados: isso é assunto para um outro post. Os amplificadores valvulados continuam sendo preferência entre guitarristas e outros músicos, devido ao som sujo causado pelas válvulas saturadas (corrijam-me se eu estiver errado).
E se algum audiófilo quiser me refutar, será bem-vindo, desde que empregue métodos científicos (e não observações subjetivas incentivadas pela necessidade de não se arrepender dos R$ 5 mil gastos em cabos) para determinar que, sim, um cabo USB de R$ 5 mil é melhor que um cabo de R$ 15. Estou armado com osciloscópio e gerador de funções. Alguém encara?
[1] Tive, uma vez, um CD de música que simplesmente se recusava a tocar em qualquer computador, só tocava em aparelhos de som. Não era nenhum método "anti-pirataria", pois o CD era anterior à crise de paranoia das gravadoras. Mistérios que nunca resolverei.
Referências:
http://www.theaudiocritic.com/back_issues/The_Audio_Critic_26_r.pdf
http://dvice.com/archives/2008/09/1800-power-cord.php
http://www.lessloss.com/
http://www.htforum.com/vb/showthread.php/74141-Cabo-audi%C3%B3filo-na-tv!
http://www.ferraritechnologies.com.br/versao/pt/transparent/linha_de_forca.asp
Sinais digitais são digitais, o Cap. Óbvio mandou dizer. Muitos deles contêm algoritmos de correção de erros (p. ex. as mídias ópticas têm um código que permite que um CD levemente arranhado não dê problemas [1]), ou seja, dificilmente você vai perceber um 'bit perdido'. E um HD externo, ou uma câmera digital profissional, têm uma velocidade de transmissão e uma largura de banda muito maiores que um sinal de áudio: não seria sensato, então, que os fabricantes de tais dispositivos usassem cabos mais sofisticados? Não é o que vemos, entretanto: esses dispositivos têm um cabo comum, "made in China" (como se os cabos audiófilos fossem fabricados com cobre minerado por duendes alemães).
Mas o pior são os cabos de força "audiófilos", que não introduzem coloridos no som (teria isso algo a ver com Restart e afins? - na verdade, 'coloridos' é um termo técnico utilizado para as alterações que o processamento do sinal implica sobre o áudio). Falam de efeito skin, transcondutância, 'amaciamento de componentes' etc..., abusando do eletromagnetismo e da engenharia (pergunto quantos audiófilos são engenheiros eletricistas/eletrônicos). O 'amaciamento de componentes' supostamente encontra embasamento no 'burn-in' empregado na engenharia de confiabilidade, que consiste em testar componentes em condições não-ideais, de forma a selecionar aqueles obviamente ruins (protip: isso não inclui a sua casa, com seu cachorro mordendo os cabos)
E novamente, aplica-se a lógica que já citei anteriormente: se o cabo importa tanto assim, computadores, monitores, TVs, equipamento de teste etc... viriam com cabos de força com as características que eu descrevi. Aliás, tem gente que diz que cabos audiófilos melhoram a qualidade do vídeo. Eu esperaria, então, que um monitor high-end viesse com esses cabos - o que não é o visto por aí. Talvez ficasse a sugestão para a Apple?
Também há a classe dos "powerlines", "filtros de sinal" etc.... como este. Algumas coisas que o dispositivo promete até têm um certo fundamento eletrônico (por exemplo, a correção do fator de potência, a partida suave) mas não são relevantes para áudio: equipamentos de boa qualidade são projetados justamente para tolerarem esses 'pequenos picos' de energia, e o usuário doméstico não tem muito a ganhar com a correção do fator de potência.
Mas o EXTREMO foi um desmagnetizador de CD. Acho que qualquer pessoa que tenha nascido nos últimos 30 anos (o CD foi lançado comercialmente em 1982, e já está no mercado brasileiro há uns 15 anos) sabe que CDs/DVDs/Blu-Rays são mídias ópticas, logo não sofrendo magnetização. Algo digno de um facepalm.
Um estudo objetivo para provar a não-diferença entre tais cabos envolveria o uso de osciloscópios, analisadores de espectro etc... e provavelmente os órgãos de fomento à pesquisa não têm dinheiro para gastar com pseudociência.
Uma boa instalação elétrica, uma alimentação sem oscilações, cabos que não tenham quilômetros de comprimento, evitar as fontes óbvias de interferência - por exemplo, máquinas elétricas, etc... são importantes para a vida útil do equipamento, e obviamente a experiência do usuário pode ser prejudicada por um cabo danificado ou epicamente ruim, ou por um ambiente com uma acústica inadequada ou fones comprados em camelô. Mas não justificam gastar centenas de reais em cabos "audiófilos", nem em dispositivos que supostamente melhoram a qualidade do áudio.
Por falar em instalação elétrica, vi em outra revista voltada ao público audiot... er, audiófilo, uma pessoa que argumentava que nunca se deveriam desligar os amplificadores e outros equipamentos, pois a energia elétrica era o oxigênio do equipamento (de certa forma faz sentido) e desligá-la era deixar o equipamento sem ar. É aquele típico momento que só pode ser representado por um facepalm.
Não vou entrar, também, no mérito dos amplificadores valvulados vs. os amplificadores transistorizados: isso é assunto para um outro post. Os amplificadores valvulados continuam sendo preferência entre guitarristas e outros músicos, devido ao som sujo causado pelas válvulas saturadas (corrijam-me se eu estiver errado).
E se algum audiófilo quiser me refutar, será bem-vindo, desde que empregue métodos científicos (e não observações subjetivas incentivadas pela necessidade de não se arrepender dos R$ 5 mil gastos em cabos) para determinar que, sim, um cabo USB de R$ 5 mil é melhor que um cabo de R$ 15. Estou armado com osciloscópio e gerador de funções. Alguém encara?
[1] Tive, uma vez, um CD de música que simplesmente se recusava a tocar em qualquer computador, só tocava em aparelhos de som. Não era nenhum método "anti-pirataria", pois o CD era anterior à crise de paranoia das gravadoras. Mistérios que nunca resolverei.
Referências:
http://www.theaudiocritic.com/back_issues/The_Audio_Critic_26_r.pdf
http://dvice.com/archives/2008/09/1800-power-cord.php
http://www.lessloss.com/
http://www.htforum.com/vb/showthread.php/74141-Cabo-audi%C3%B3filo-na-tv!
http://www.ferraritechnologies.com.br/versao/pt/transparent/linha_de_forca.asp
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