quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

MPD (Music Player Daemon): introdução

Há mais de um ano atrás, adotei o mpd como meu player de áudio principal, quase ao mesmo tempo em que abandonei desktop environments e migrei para o Openbox. Neste artigo venho a escrever um pouco mais sobre essa ferramenta.

Vantagens:

- Leveza: o daemon consome apenas 15MB de RAM mesmo com uma playlist de 20 mil itens.
- Compatibilidade com a filosofia UNIX: pode-se interagir com o mpd usando shell scripts, programas externos ou bindings para linguagens como C, Python, Ruby, Java etc..., ou mesmo por telnet. Ele também pode ser integrado com programas como o conky.

A principal desvantagem dele, para alguns, é o fato dele não ter eye candy, nem recursos como integração com sites de download de música ou o Last.fm.

Mas, para quem procura simplesmente ouvir música e ter um player robusto e que possa ser controlado remotamente, ele é uma excelente opção.

Instalação/Configuração:

- No Arch Linux basta apenas um pacman -S mpd e depois adicionar mpd à linha DAEMONS do rc.conf.

Depois, criamos um arquivo /etc/mpd.conf com as configurações dele.
O arquivo exemplo (mpd.conf.example) é extremamente bem-comentado, mas incluo o meu mpd.conf com as opções necessárias à maioria dos usuários.


- Também precisamos de algo para interagir com o player. Recomendo instalar os 'mpc' e o ncmpcpp-git (disponível na AUR), um cliente em modo-texto (ncurses) para o mpd. Opções gráficas são o 'gmpc', o 'sonata', entre outros.

Este último também tem um arquivo de configuração que deve ser salvo em ~/.ncmpcpp/config e que, novamente, é muito bem documentado. Meu exemplo encontra-se aqui.

- Agora, iniciemos o daemon com '/etc/rc.d/mpd start'. Se tudo der certo, ele deve demorar um pouco para construir a lista de músicas.

Uso:

- Para criar uma playlist, execute o ncmpcpp, aperte [Tab] e use a barra de espaço para adicionar uma pasta. A operação desse browser é similar a de um gerenciador de arquivos.

- Depois, voltando à playlist (aperte [Tab] novamente), selecione uma música e aperte ENTER para começar a reprodução.

As teclas de atalho mais importantes são (notando que o programa é sensível a maiúsculas e minúsculas):

's' = parar
'P' = pausa
'< >' = faixa anterior/próxima
'b/f' = retroceder/avançar na música
setas esquerda e direita = diminuir e aumentar volume
'r' = modo de repetição
'z' = modo aleatório
'y' = repetir a mesma faixa
'R' = modo 'consume' (tira as faixas da playlist depois que elas
tocarem)
'Z' = embaralhar a playlist
'u' = atualizar o banco de dados (usar quando novas músicas forem
adicionadas; o mesmo pode ser feito pelo comando 'mpc update').
'/' = procurar na playlist

O programa tem um help completo, bastando apertar F1.

- Para manipular o player pela linha de comando (ou por shell scripts, atalhos de teclado etc...), usamos o 'mpc'. Não irei copiar o help dele (acessível pelo 'mpc help'), mas alguns comandos básicos são (acredito que os nomes sejam bastante óbvios):

mpc stop mpc play mpc next mpc previous mpc toggle (alternar play/pause) mpc stats (mostrar informações do DB: quantas faixas, quantos artistas, quando foi a última atualização).

- Para que o mpd envie faixas ao last.fm, podemos usar o
mpdscribble. Sua configuração, novamente, é bem simples; acredito que quem chegou até aqui não terá dificuldade em fazê-lo seguindo o exemplo.

Conclusão:

Embora o mpd talvez não atenda aos usuários que procuram toneladas de recursos em um player, ele é bastante adequado para os usuários de ambientes leves (como eu, que normalmente uso o Openbox) e que procuram um tocador leve, simples e que segue a filosofia UNIX. Além, é claro, da vantagem dele ser completamente independente do X.

Figuras:





















Modo alternativo comparado com o modo clássico (a diferença é a barra no topo; o '0 terminal 1 IRC...' abaixo não é do ncmpcpp, mas sim do screen)





























Modo colunas comparado com o modo tradicional.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Think Indifferent

Há alguns dias comecei a ver, na mídia online, o hype formado sobre o iPad, o tablet da Apple lançado hoje (dia 27/01/2010). E o resultado já era de se esperar: me mantive na bolha da indiferença enquanto todo o mundo especulava sobre o próximo iNãoSeioQuê da empresa do Jobs.

Nessas horas, comecei a considerar os motivos que me levavam a ignorar e não ser afetado pelo campo de distorção da realidade criado por essa empresa, e cheguei aos seguintes:

1. Não tenho motivos para usar

Não sou exatamente a pessoa mais interessada em smartphones, nem tenho condições financeiras para comprar programas na App Store (nem músicas no iTunes, mesmo que o serviço estivesse disponível em nosso país). Não faço parte do público-alvo da Apple e provavelmente usaria o Mac OS X como eu uso qualquer outro UNIX-like: predominantemente na linha de comando e com aplicações livres.

Minha necessidade para qualquer forma de criação multimídia é muito baixo (programas como o GIMP, o Inkscape, o digiKam e o Audacity suprem todas minhas necessidades audiovisuais); nessas áreas sou apenas um consumidor de conteúdo (atendido, novamente, pelos programas disponíveis para Linux), o que me exclui do público-alvo de programas como os da Adobe (as principais 'killer app' para o OS X).

2. Distância financeira

Na minha situação atual (e que provavelmente se estenderá por um bom tempo) comprar produtos da Apple é inviável, tendo em vista as opções PC que encontro (e que muitas vezes permitem o reembolso da licença do Windows) por preços similares. Por exemplo, há uns dias atrás, me mostraram um modelo de MacBook (o básico) por R$ 2799, com 160GB de HD e 2GB de RAM. Ocorre que tal configuração não me atende: seria necessário, imediatamente, colocar no mínimo um HD de 250GB e 4GB de RAM, o que se traduz em cerca de R$ 400 a mais, negando o benefício.

Para o iPhone, idem: além de não ter condições para gastar tanto no dispositivo, sou usuário de celular pré-pago, assim não podendo usar o potencial todo do aparelho sem que isso incorra em um gasto inadmissível.

Também existiria a dificuldade em conseguir manutenção, ainda mais considerando que moro em uma cidade não muito grande e bastante atrasada tecnologicamente.
3. Incompatibilidade com Linux

iPhone, iPod e outros, até hoje, têm compatibilidade fraca com Linux. Eu espero poder tratar dispositivos desse tipo como mídia de armazenamento (mass storage), como recomenda a filosofia UNIX que eu tento seguir. Não gostaria de ter que usar um programa externo para passar músicas para o meu dispositivo, e nem de ter que manter uma instalação do Windows justamente para isso.

4. Falta de uma 'killer app'

Nenhum dos programas que eu uso é Mac OS X-only (aliás, muitos deles nem sequer têm versões para esse sistema), mas vários deles ou são nativos para Linux ou rodam no Wine ou sob virtualização. Assim, a migração para esse sistema seria desnecessária e até mesmo perigosa, um exercício de paciência.

5. Inflexibilidade da plataforma

A possibilidade de comprar uma máquina personalizada, com componentes escolhidos por mim, para a Apple é inexistente (a menos que se considerem os hackintoshes, de legalidade e funcionalidade questionáveis). Não permito que me obriguem a aceitar a meia-dúzia de opções que o fabricante me dá, e mais a meia-dúzia de possibilidades de upgrades. O único modelo da Apple que ainda me permitiria isso é o Mac Pro, que obviamente está fora do meu alcance.

Meu perfil de usuário não combina com máquinas all in one, nas quais o único jeito de adicionar um segundo HD é por via externa ou que não permitem a instalação de uma segunda placa de vídeo.

6. Alienação ao fabricante

Talvez esse item soe como xiitismo meu, mas com o uso de Linux e outros softwares livres aprendi a sempre questionar (e, quando possível, evitar) o uso de padrões, formatos e sistemas proprietários. Não me interessa em nada a ideia de precisar de hacks para usar o Mac OS X em máquinas não-Apple, ou de ter meu estilo de vida digital amarrado a um único desenvolvedor.

7. Incompatibilidade com meu perfil de usuário

Esse item pode ser visto como uma continuação do primeiro da lista. Aprendi - principalmente, com o uso do Arch Linux, a apreciar programas configuráveis em arquivos texto, scripts sofisticados em linha de comando, programas leves, entre outros.

Não acho que interfaces de configuração sejam ruins, desde que elas criem arquivos legíveis e façam seu trabalho de forma simples e direta. Coisas que, até onde vai meu conhecimento, não existem nos produtos da Apple: não é muito fácil configurar aplicações pela linha de comando, por exemplo.

8. Fanboys evangelizadores

Acredito que, ao lerem os 7 itens acima, vários fanboys irão vir aqui e tentar me convencer. E talvez seja essa a coisa que eu mais odeio em relação à Apple. Os incansáveis evangelistas, presos em seus campos de distorção da realidade, inventando necessidades que eu (e muitos outros usuários) não temos.

E, com incrível incapacidade de responder sobre detalhes técnicos, como sempre, se esquivando quando faço perguntas mais avançadas.

Acredito que esses sejam os principais motivos pelos quais eu não me interesso pelos produtos da Apple. E, enquanto toda a imprensa para e acompanha o mais novo lançamento da empresa do Jobs, fico com o meu think different, que faço há um bom tempo: não me deixar enrolar pelas propagandas, nem tentar me adaptar a um estilo de vida digital que em nada combina comigo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Blog em modo de baixa tensão

Devido a problemas físicos fora do meu controle, provavelmente só atualizarei o blog em Fevereiro. Janeiro tem sido um dos - senão o - mês mais tenso até agora, totalmente sem condições.

Fiquem na espera, pretendo voltar com algo relativamente interessante até lá.

Obrigado,
Renan

sábado, 5 de dezembro de 2009

Mais engenharia, menos gambiarras

Infelizmente, ainda é muito comum vermos gambiarras vindas de diferentes áreas da engenharia. De instalações elétricas feitas naquelas, passando por máquinas consertadas com peças inadequadas, placas de circuito nas quais foram empregadas quantidades industriais de Super Bonder, circuitos elétricos sobrecarregados com milhares de tomadas e canos projetados para uso com água sendo usados para substâncias inflamáveis, muitos são os jeitinhos que vemos por aí, em grandes construções, indústrias e outros lugares.

Nessas horas, pergunto: o que houve com a educação de nossos profissionais? Esqueceu-se o fazer certo? Prefiro acreditar que não, mas o fato é que muitas vezes as pressões pelo fazer mais rápido, pelo cortar qualidade em nome do custo final, pesam demais. E, infelizmente, por mais que tentemos rejeitá-las, é o que o mercado cobra em muitos casos. Mesmo que o custo venha depois, e em dobro.

Soma-se a isso o fato de isso criar uma cultura do faz de qualquer jeito, de forma que a educação para a segurança do trabalho se torna algo impossível. Afinal, como podemos criticar alguém que decidiu que um fusível pode ser substituído por um pedaço de arame farpado, se muitas vezes os próprios engenheiros são culpados de diversos mal-feitos?

Também há a mania - não tão difundida na Engenharia, até mesmo pela regulamentação dessa profissão, mas tristemente comum na Informática - de chamar o filho do vizinho do namorado da Fulana, que supostamente "entende tudo" e cobra muito menos que uma hora técnica. Para a vítima, digo, o cliente, é um excelente negócio. Até a hora do problema, na qual o "entendido" desaparece ou se recusa a reconhecer a responsabilidade pelo que fez.

Ou mesmo quando o cliente decide dar o seu próprio jeitinho, para economizar um pouquinho de dinheiro. Mesmo que não valha a pena.

Isso também colabora para a criação de uma segurança através da obscuridade, aquela que sabemos ser pouco eficiente, e causadora de diversos problemas na hora em que surge a necessidade de uma manutenção. Para o projetista, parece uma excelente ideia, que garantirá seu emprego (pois apenas ele conhece o sistema ou o projeto). Talvez funcionasse, se o trabalho em equipe não fosse cada vez mais constante nas empresas. E, para tal forma de trabalho, esconder os detalhes não apenas é inútil como é perigoso.

Todo mundo que já tentou desmontar e consertar um eletrônico descartável já foi vítima do problema do parágrafo acima. Prefiro me manter cego às gambiarras que provavelmente foram feitas internamente.

Como futuro profissional de engenharia, considero inadmissíveis tais comportamentos anti-profissionais, que podem levar ao prejuízo da imagem de uma pessoa ou mesmo de uma empresa. Por mais que seja divertido resolver problemas de forma não-ortodoxa, com materiais inusitados e montagens diferentes do comum, lembremos que a Engenharia exige planejamento, regularidade, documentação, possibilidade de manutenção e, principalmente, profissionalismo. O que nem de longe combina com gambiarras, jeitinhos e outras "soluções" do tipo.

E, por mais que isso doa no bolso dos clientes, é necessário que seja criada uma consciência que objetive resolver problemas por inteiro, e não simplesmente um toma lá dá cá. Uma análise e prevenção sistemática das causas que levam a defeitos ou falhas. Se um fusível estoura diversas vezes, uma máquina elétrica sobreaquece com facilidade, ou um disjuntor desarma repetidamente, há um motivo por trás, e não adianta mascarar o problema com um pedacinho de fita isolante ou um grampo desdobrado.

É, também, necessário que se delimitem as funções. Operadores de máquinas não são engenheiros ou técnicos de manutenção para realizarem tal função, da mesma forma que pessoas sem capacidade de assumir a responsabilidade pelo que fizeram não devem ter autorização para assinar ou gerenciar projetos.

Sendo a engenharia uma ciência, não há espaço para jeitinhos que se acumulam em cascata e resultam em uma catástrofe depois de um tempo. Não existe sistema perfeito, mas sim sistemas projetados para serem resistentes e robustos. O que não irá se obter com rolos de fita isolante, nem com ligações diretas entre pinos. É hora de se criar uma cultura do bem-feito na engenharia, que abranja do profissional ao cliente.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Cuidado, idiotas ao volante!

Esses dias, dentro do campus da UFSM (ou seja, um lugar onde supostamente todos são relativamente inteligentes), quase fui atropelado por um motorista que pensava ser a faixa de segurança uma mera decoração. Bem, "quase atropelado" é um exagero, mas tive que voltar pra calçada pois o condutô não viu que... passavam pessoas na frente dele.

Provavelmente essa ignorância em relação à faixa de segurança é o comportamento mais comum entre os idiotas motorizados que vemos. Especialmente em uma cidade cercada por outras menores, na qual o trânsito é completamente diferente: é bastante claro que alguns motoristas se comportam de forma análoga a de quem dirige em uma cidade de 3, 4, 5 mil habitantes, como verdadeiros donos da rua.

Outras atrocidades no trânsito também são comuns por aqui (e em qualquer cidade relativamente grande, acredito): ultrapassagens que desafiam as leis da Física, estacionamentos em locais inadequados, total desprezo à sinalização, e outras coisas que - acredito eu - deveriam ser ensinados como maus exemplos no trânsito, assunto esse que seria desnecessário se houvessem menos motoristas metidos a machões.

Não preciso nem entrar no mérito da masturbação sonora automotiva, praticada por tais pessoas, pois esse assunto já foi praticamente espancado neste blog, exceto que em vários casos ela vem acompanhada de irresponsáveis, que usam o veículo como dispositivo de auto-afirmação sexual, fingindo que estão arrasando nas pistas dos rachas, pegas e afins com seus equipamentos "tunados".

E como não lembrar, já que falei nesse assunto, dos motoqueiros (não confundir com os motociclistas) metidos a espertalhões, aqueles que cortam e se atravessam por qualquer brecha que veem entre os carros? Ironicamente, alguns deles são os que protestam contra a violência no trânsito. Não quero generalizar, até porque não faria sentido, mas é triste ver que um pequeno grupo mancha a imagem de todos.

Ou mesmo daqueles que decidem transformar uma avenida movimentada em um palco para suas acrobacias e palhaçadas diversas, irritando todo mundo com o barulho de suas máquinas, isso quando não colocam todos em risco, ou brincar de dar arrancadas e mostrar quem manda. De novo, o carro faz o papel de objeto sexual.

Lembremos, também, dos babacas que acreditam ser uma boa ideia jogar lixo pela janela do carro, ou mesmo parar o carro para jogarem uma latinha pela janela. É interessante ver que, depois de um tempo, esses serão os que reclamarão da sujeira, da poluição, entre outros problemas ambientais que eles mesmos criaram. E daqueles que exercitam a multitarefa no carro, comendo ou conversando alegremente no celular enquanto fingem dirigir com uma mão só.

Tudo isso colabora com a minha tese de que a tecnologia, nas mãos erradas de pessoas despreparadas, é um excelente amplificador para a ignorância e a estupidez. E, como pedestre, cansei de pessoas que transformam as ruas em campos de guerra com seus tanques motorizados. Só quero que atravessar a rua (já transformada em autódromo informal por alguns) não seja uma aventura, e que não sejamos vítimas de motoristas que acreditam que o seu assento é um lugar adequado para falar no celular ou fumar, jogando a bituca pela janela.

Coisas simples, mas que não são ensinadas em nenhuma auto-escola, e nem precisariam ser. Então, acredito que esteja na hora de vermos - ao lado das campanhas pela prevenção de acidentes - campanhas por um mínimo de bom-senso e de comportamento no trânsito.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Gerenciamento de janelas no modo texto? Yes, we can!

Sempre tive curiosidade por ferramentas que conseguissem tornar o modo texto algo mais eficiente e prático do que ele já é. Até hoje uso o screen, por exemplo, para garantir que uma compilação ou um download grande não serão afetados se o X cair (o que não é raro com os drivers da Intel, ao menos para mim, entre outras coisas).

Uma ferramenta que tenho olhado atentamente é o dvtm (Dynamic Virtual Terminal Manager), que traz todos os conceitos de um tiling window manager (gerenciador de janelas que sempre mantém as janelas lado-a-lado, organizadas) para a linha de comando.

Você pode se perguntar: tá, e qual a utilidade disso?. Definitivamente, no modo texto padrão ele não é muito viável. Mas combine isso com um framebuffer e ele se torna uma ferramenta bem útil, para máquinas antigas nas quais não queremos ou não podemos rodar o X, para criar um "terminal de monitoramento" para um sistema, entre outras. Ou, simplesmente, para impressionar pessoas que ainda pensam que o modo texto é algo impraticável.

A configuração dele também é algo interessante, sendo feita diretamente na hora da compilação (!). Enfim, é uma opção bem UNIX-like, que preza pela simplicidade, eficiência e pelo faça uma coisa, mas faça bem-feito.

Para demonstrarmos um pouco dessa poderosa ferramenta, pois não achei nada em português sobre ela:

- Instale-a (ou melhor, compile-a de forma a colocar as opções que você quer). Para os usuários Arch Linux, existe uma PKGBUILD pronta no AUR.

- Execute-a (dentro de um terminal no X, se você preferir, ela é igualmente funcional dessa forma) pelo comando 'dvtm'.

Você será recebido com uma 'janela' chamada de '#1'.

Agora, pressione Mod-C (onde 'Mod', por padrão, é 'Ctrl-G') para criar uma nova janela. Você deverá ter duas janelas.

Para alternar entre elas, aperte Mod-J (janela anterior) ou Mod-K (janela posterior), sendo que a ordem delas é sinalizada por um número na "barra de título" (também pode-se usar esse número para alternar para uma janela: Mod-[1..n].
E, para colocar uma delas na área principal, basta apertar Mod-Enter. Por fim, fechamo-nas com Mod-C.

Com mais de três janelas, podemos começar a brincar com os diferentes layouts:

Mod-t -> layout vertical
















Mod-b -> layout "horizontal"














Mod-g -> meu preferido, o layout grade, mais adequado até 5 janelas, sob pena de algumas aplicações terem problema devido ao tamanho do terminal. Considero esse ser o mais adequado para, por exemplo, monitorar o sistema.












Mod-m -> maximiza a janela atual, acredito que não seja necessário um screenshot.

Nos modos vertical e horizontal, podemos redimensionar a janela principal usando Mod-L e Mod-H (lembre-se das teclas do Vi).

Janelas também podem ser minimizadas usando o Mod-. (ponto).

Outros detalhes estão disponíveis na manpage dele. Ele também possibilita a criação de uma barra de status personalizada, assunto esse explicado pela documentação disponível em http://www.brain-dump.org/projects/dvtm, e também é adequado usar o 'gpm' para ter suporte a mouse no console.

Como pontos fracos, cito, principalmente, o fato de necessitar uma recompilação para alteração de configurações, e a necessidade de mudar alguns hábitos (especialmente se formos usar tiling window managers no X, mas isso é assunto para outro dia). Ainda assim, o dvtm é uma ferramenta excelente, tanto para os sysadmins, quanto para quem quer impressionar os amigos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Hora de dar o braço a torcer, gravadoras?

Via iG Tecnologia, tentar deter a pirataria pode ser mais caro que ignorá-la. Algo óbvio para qualquer pessoa com conhecimento mais avançado em redes, mas que não ficou claro para aqueles executivos que alegam o roubo de propriedade intelectual, insistindo nas suas velhas afirmações vazias, provando desconhecerem o funcionamento da Internet.

Começando essa cascata de erros pela velha falácia de calcular o prejuízo baseado na premissa de que todos os piratas comprariam tudo aquilo que obtiveram ilegalmente, algo que sabe-se ser mentira e que pode ser desmontado conversando-se com qualquer pessoa que tenha baixado coleções de músicas, filmes ou softwares.

Outro fator que demonstra a ignorância tecnológica dos burocratas do direito autoral é o simples fato de que "monitorar" a internet, mantendo logs de acesso, é impossível devido à quantidade de informações geradas. Em uma análise feita de forma simplista (até demais), suponhamos que todos os usuários baixem 100MB por dia (valor que provavelmente não corresponde à realidade). Segundo o Ibope, 37,3 milhões de brasileiros utilizam a Internet ativamente no trabalho ou em casa.

Multiplicando esses valores, temos 3.73 petabytes (quatrilhões de bytes) por dia, ou 43 gigabytes/segundo (colocando em uma unidade mais fácil de visualizar, 10 DVDs/segundo). Simplesmente não há infra-estrutura capaz de filtrar e analisar tal tráfego em tempo real, de forma transparente; haveria uma perda de desempenho para o usuário. Além disso, seria necessário violar privacidades; em uma analogia, é como uma companhia telefônica que grampeasse todas as chamadas, de forma a identificar possíveis criminosos. Assim, ficando clara a inconstitucionalidade de uma lei do tipo.

Soma-se a isso a facilidade de conseguir pontos de acesso wireless em qualquer cidade grande, seja os não-criptografados ou os que ainda usam o obsoleto protocolo WEP de segurança, facilmente quebrável com o uso de softwares como o aircrack-ng e uma antena wireless que pode ser construída por qualquer pessoa com habilidade no uso de ferramentas mecânicas; e os serviços de proxy, como a rede TOR, que dificultam - ou mesmo impedem - a identificação do usuário.

(Incidentalmente, graças ao fato acima, leis do tipo 'three strikes' transformam-se em perigosos instrumentos de chantagem e sabotagem: a possibilidade de ter uma rede acadêmica ou corporativa desconectada, por exemplo, graças a um usuário violando direitos autorais enquanto conectado a ela)

Por fim, a ineficiência desse tipo de política revela-se ao lembrarmos que a pirataria off-line ainda existe e não foi combatida. Da mesma forma que vemos camelôs vendendo CDs e DVDs nas ruas de qualquer cidade com mais de 200 mil habitantes, podemos violar direitos autorais usando HDs externos, DVDs, MP3 players, pen-drives ou mesmo carregando um notebook com tais conteúdos no HD.

Saindo do aspecto técnico, e entrando no aspecto econômico, pergunto: se as indústrias do entretenimento choram tantas lágrimas de crocodilo devido ao roubo de propriedade intelectual, por quê elas investem tanto em criar mega-produções para colocar um artista na moda, ou explorar um tema à exaustão, e descartá-lo quando ele já não for mais útil?

Será que não é hora de revisar, ou extinguir, os cachês milionários e os luxos pagos para os atores?
Precisam eles receber tanto assim pelo status, pela fama?
E quanto aos executivos de tais indústrias, eles não se importariam de receber um pouco a menos para que a empresa pudesse ter um prejuízo menor?

Várias perguntas, que nenhuma das vítimas quer responder, talvez por estarem envolvidos demais no "evangelismo" das suas ideias, repetidas centenas de vezes e transformadas em verdades inquestionáveis. Pelo desinteresse em repensar seu modelo de negócios e aceitar que não há fórmula mágica para combater os bandidos digitais, se consolando com leis agressivas.

E, por fim, é irônico ver que, enquanto se fala tanto na ameaça da pirataria, esquece-se de que existe algo com nome parecido, que prejudica ao Brasil e a vários outros países - não apenas a uma pequena elite: a biopirataria. O roubo, disfarçado de ciência, de espécies da fauna e flora locais, que irão gerar invenções patenteadas e vendidas a preços absurdos.

Onde estão os three strikes, a tolerância zero, para esses criminosos ambientais? Cadê uma política de monitoramento das fronteiras, similar àquela que querem tanto impor aos provedores? O que houve com a Justiça, que faz vista grossa para as multinacionais, ao mesmo tempo que segue uma paranoia internacional, de inventar um 1984 em busca dos lucros perdidos por empresas insistindo em um modelo falho e elitista?

Considero que há vários outros crimes - virtuais e reais no qual a tecnologia é usada como mídia facilitadora - a serem combatidos. Que sejam aplicadas medidas agressivas contra spam, pedofilia, fraudes, calúnia, e tudo aquilo que prejudica a todos os internautas, e não apenas a uma elite que reclama de barriga cheia por não querer mudar os seus hábitos. É hora das gravadoras e estúdios darem o braço a torcer e reconhecerem que elas, na situação atual, não têm lugar em um espaço no qual a discriminação pela condição financeira se torna quase impossível, e tampouco podem se sustentar em falsas agressões para manter seu estilo de vida.