Via iG Tecnologia, tentar deter a pirataria pode ser mais caro que ignorá-la. Algo óbvio para qualquer pessoa com conhecimento mais avançado em redes, mas que não ficou claro para aqueles executivos que alegam o roubo de propriedade intelectual, insistindo nas suas velhas afirmações vazias, provando desconhecerem o funcionamento da Internet.
Começando essa cascata de erros pela velha falácia de calcular o prejuízo baseado na premissa de que todos os piratas comprariam tudo aquilo que obtiveram ilegalmente, algo que sabe-se ser mentira e que pode ser desmontado conversando-se com qualquer pessoa que tenha baixado coleções de músicas, filmes ou softwares.
Outro fator que demonstra a ignorância tecnológica dos burocratas do direito autoral é o simples fato de que "monitorar" a internet, mantendo logs de acesso, é impossível devido à quantidade de informações geradas. Em uma análise feita de forma simplista (até demais), suponhamos que todos os usuários baixem 100MB por dia (valor que provavelmente não corresponde à realidade). Segundo o Ibope, 37,3 milhões de brasileiros utilizam a Internet ativamente no trabalho ou em casa.
Multiplicando esses valores, temos 3.73 petabytes (quatrilhões de bytes) por dia, ou 43 gigabytes/segundo (colocando em uma unidade mais fácil de visualizar, 10 DVDs/segundo). Simplesmente não há infra-estrutura capaz de filtrar e analisar tal tráfego em tempo real, de forma transparente; haveria uma perda de desempenho para o usuário. Além disso, seria necessário violar privacidades; em uma analogia, é como uma companhia telefônica que grampeasse todas as chamadas, de forma a identificar possíveis criminosos. Assim, ficando clara a inconstitucionalidade de uma lei do tipo.
Soma-se a isso a facilidade de conseguir pontos de acesso wireless em qualquer cidade grande, seja os não-criptografados ou os que ainda usam o obsoleto protocolo WEP de segurança, facilmente quebrável com o uso de softwares como o aircrack-ng e uma antena wireless que pode ser construída por qualquer pessoa com habilidade no uso de ferramentas mecânicas; e os serviços de proxy, como a rede TOR, que dificultam - ou mesmo impedem - a identificação do usuário.
(Incidentalmente, graças ao fato acima, leis do tipo 'three strikes' transformam-se em perigosos instrumentos de chantagem e sabotagem: a possibilidade de ter uma rede acadêmica ou corporativa desconectada, por exemplo, graças a um usuário violando direitos autorais enquanto conectado a ela)
Por fim, a ineficiência desse tipo de política revela-se ao lembrarmos que a pirataria off-line ainda existe e não foi combatida. Da mesma forma que vemos camelôs vendendo CDs e DVDs nas ruas de qualquer cidade com mais de 200 mil habitantes, podemos violar direitos autorais usando HDs externos, DVDs, MP3 players, pen-drives ou mesmo carregando um notebook com tais conteúdos no HD.
Saindo do aspecto técnico, e entrando no aspecto econômico, pergunto: se as indústrias do entretenimento choram tantas lágrimas de crocodilo devido ao roubo de propriedade intelectual, por quê elas investem tanto em criar mega-produções para colocar um artista na moda, ou explorar um tema à exaustão, e descartá-lo quando ele já não for mais útil?
Será que não é hora de revisar, ou extinguir, os cachês milionários e os luxos pagos para os atores?
Precisam eles receber tanto assim pelo status, pela fama?
E quanto aos executivos de tais indústrias, eles não se importariam de receber um pouco a menos para que a empresa pudesse ter um prejuízo menor?
Várias perguntas, que nenhuma das vítimas quer responder, talvez por estarem envolvidos demais no "evangelismo" das suas ideias, repetidas centenas de vezes e transformadas em verdades inquestionáveis. Pelo desinteresse em repensar seu modelo de negócios e aceitar que não há fórmula mágica para combater os bandidos digitais, se consolando com leis agressivas.
E, por fim, é irônico ver que, enquanto se fala tanto na ameaça da pirataria, esquece-se de que existe algo com nome parecido, que prejudica ao Brasil e a vários outros países - não apenas a uma pequena elite: a biopirataria. O roubo, disfarçado de ciência, de espécies da fauna e flora locais, que irão gerar invenções patenteadas e vendidas a preços absurdos.
Onde estão os three strikes, a tolerância zero, para esses criminosos ambientais? Cadê uma política de monitoramento das fronteiras, similar àquela que querem tanto impor aos provedores? O que houve com a Justiça, que faz vista grossa para as multinacionais, ao mesmo tempo que segue uma paranoia internacional, de inventar um 1984 em busca dos lucros perdidos por empresas insistindo em um modelo falho e elitista?
Considero que há vários outros crimes - virtuais e reais no qual a tecnologia é usada como mídia facilitadora - a serem combatidos. Que sejam aplicadas medidas agressivas contra spam, pedofilia, fraudes, calúnia, e tudo aquilo que prejudica a todos os internautas, e não apenas a uma elite que reclama de barriga cheia por não querer mudar os seus hábitos. É hora das gravadoras e estúdios darem o braço a torcer e reconhecerem que elas, na situação atual, não têm lugar em um espaço no qual a discriminação pela condição financeira se torna quase impossível, e tampouco podem se sustentar em falsas agressões para manter seu estilo de vida.
Opiniões e considerações sinceras sobre temas diversos, vindas de um engenheiro que escreve nas horas vagas (ou o contrário).
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
O pedantismo, a metodologia e os professores
Acredito que todos conheçam as normas da ABNT para o trabalho acadêmico: margens, fontes, estilos a serem usados, formas de citação etc... Sem dúvida, até certo ponto essa padronização é necessária para evitar as aberrações criadas por pessoas que pensam estar escrevendo um trabalho de Ciências para a 7ª série, mas há pessoas que levam isso de forma tão obsessiva, a ponto de transformar em grades o que deveriam ser guias para a execução de trabalhos consistentes.
Constato que alguns professores têm verdadeiro fascínio em demonstrar todo seu pedantismo, quando decidem julgar um trabalho não pelo seu conteúdo, mas sim pelas fontes usadas (como já aconteceu comigo no ensino médio: um professor decidiu tirar 0,5 ponto de um trabalho... por eu não ter usado a fonte que ele queria, mas sim uma outra bastante similar) ou por um alinhamento milimétrico que deixou de ser realizado. Pergunto se um deles passa, ou passaria, a noite debruçado sobre teses de mestrado com uma régua medindo cada uma das margens de um documento de 500 páginas.
Além de tal norma ser extremamente intrincada, a ponto de certos autores de livros sobre metodologia científica e professores de tal disciplina não a compreenderem totalmente. Também, podemos esperar o quê de uma norma criada na época das máquinas de escrever, que não considera o uso de sistemas de editoração eletrônica e processadores de texto (não confundir com editores de texto como o Word; estamos falando de ferramentas como o LaTeX, que podem gerar bibliografias e formatações complexas automaticamente) e que não é de fácil acesso pelo público? Uma expansão do conceito de security through obscurity. Uma norma paranoica, perfeita para pessoas idem, a ponto de desconsiderarem trabalhos por um suposto (pois, como já dito, muitos deles têm suas próprias definições para as partes mais obscuras) erro que não afetaria em nada a sua leitura.
(pergunto o que teria acontecido com Newton caso tal presídio já existisse na época da publicação de seu Principia).
Outro caso clássico da necessidade de auto-afirmação por meio do discurso vazio é a invenção e o abuso de linguagens rebuscadas. Não proponho que ninguém comece a falar ou escrever o probrema com os troço que nóis fêis na pizquiza é que fica ruin, nem atirar falácias por todos os lugares em que passa e prega sua palavra, mas vemos o abuso do jargão tanto por parte do aluno - interessado em fingir que aprendeu, mesmo que para isso precise novamente garantir a sua segurança por meio da obscuridade - quanto do professor, preocupado em mostrar serviço e impressionar seus alunos.
E, ironicamente, o abuso do jargão e da linguagem técnica contradiz sua própria definição, quando pessoas generalizam termos e expressões de uso específico e bem-definido, usando-os para descrever eventos e ideias já cobertas por um caso maior, mais abrangente.
Que se mantenham os formalismos e os vocabulários complexos (inclusive os matemáticos, marcados pelo seu rigor, o que leva muitos a odiar tal matéria) para as demonstrações, nas quais a rigidez fornecida por elas se torna necessária de forma a refletir a exatidão, o racionalismo e a impessoalidade da ciência. E que isso não seja confundido com querer disfarçar a falta de conteúdo, ou mesmo a incapacidade de dar uma aula, usando palavras bonitas e vazias. E que as normas sejam estruturadas de forma a garantirem a consistência e a produtividade, e não a confusão de todos aqueles que precisam entregar um trabalho ou produzir um relatório de experimento.
Constato que alguns professores têm verdadeiro fascínio em demonstrar todo seu pedantismo, quando decidem julgar um trabalho não pelo seu conteúdo, mas sim pelas fontes usadas (como já aconteceu comigo no ensino médio: um professor decidiu tirar 0,5 ponto de um trabalho... por eu não ter usado a fonte que ele queria, mas sim uma outra bastante similar) ou por um alinhamento milimétrico que deixou de ser realizado. Pergunto se um deles passa, ou passaria, a noite debruçado sobre teses de mestrado com uma régua medindo cada uma das margens de um documento de 500 páginas.
Além de tal norma ser extremamente intrincada, a ponto de certos autores de livros sobre metodologia científica e professores de tal disciplina não a compreenderem totalmente. Também, podemos esperar o quê de uma norma criada na época das máquinas de escrever, que não considera o uso de sistemas de editoração eletrônica e processadores de texto (não confundir com editores de texto como o Word; estamos falando de ferramentas como o LaTeX, que podem gerar bibliografias e formatações complexas automaticamente) e que não é de fácil acesso pelo público? Uma expansão do conceito de security through obscurity. Uma norma paranoica, perfeita para pessoas idem, a ponto de desconsiderarem trabalhos por um suposto (pois, como já dito, muitos deles têm suas próprias definições para as partes mais obscuras) erro que não afetaria em nada a sua leitura.
(pergunto o que teria acontecido com Newton caso tal presídio já existisse na época da publicação de seu Principia).
Outro caso clássico da necessidade de auto-afirmação por meio do discurso vazio é a invenção e o abuso de linguagens rebuscadas. Não proponho que ninguém comece a falar ou escrever o probrema com os troço que nóis fêis na pizquiza é que fica ruin, nem atirar falácias por todos os lugares em que passa e prega sua palavra, mas vemos o abuso do jargão tanto por parte do aluno - interessado em fingir que aprendeu, mesmo que para isso precise novamente garantir a sua segurança por meio da obscuridade - quanto do professor, preocupado em mostrar serviço e impressionar seus alunos.
E, ironicamente, o abuso do jargão e da linguagem técnica contradiz sua própria definição, quando pessoas generalizam termos e expressões de uso específico e bem-definido, usando-os para descrever eventos e ideias já cobertas por um caso maior, mais abrangente.
Que se mantenham os formalismos e os vocabulários complexos (inclusive os matemáticos, marcados pelo seu rigor, o que leva muitos a odiar tal matéria) para as demonstrações, nas quais a rigidez fornecida por elas se torna necessária de forma a refletir a exatidão, o racionalismo e a impessoalidade da ciência. E que isso não seja confundido com querer disfarçar a falta de conteúdo, ou mesmo a incapacidade de dar uma aula, usando palavras bonitas e vazias. E que as normas sejam estruturadas de forma a garantirem a consistência e a produtividade, e não a confusão de todos aqueles que precisam entregar um trabalho ou produzir um relatório de experimento.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
O ego, a incompetência e algumas distribuições Linux nacionais
Acredito que todo mundo já tenha visto aquelas distribuições Linux nacionais, fornecidas com os computadores populares. Quase sempre "quebradas", com pacotes obsoletos (como eu vi em uma delas: VirtualBox 1.5.0, sendo que já estamos na versão 3.0.4), e grande dificuldade na hora de instalar programas. Isso quando não cometem atrocidades maiores, como gambiarras diversas em arquivos de configuração mal-escritos e não-documentados. Coisas que o usuário final não nota, mas que para alguém que necessite configurar tais sistemas, traz muitos problemas.
Isso revela dois problemas de tais distros. O primeiro deles: a síndrome do precisamos fazer nossa própria distro, também conhecida como Not Invented Here (NIH). Uma reinvenção da roda desnecessária, que na minha opinião vai exatamente de encontro à própria ideia do software livre. Mas tudo bem, dizer que criou uma distro é engrandecedor, serve direitinho para que algumas pessoas possam se rotular de "desenvolvedoras".
Uma solução muito mais fácil e óbvia seria criar pacotes com as modificações, colocá-los em um repositório e aplicá-los em uma das várias distros end-user já disponíveis, assim garantindo a continuidade das atualizações - ao contrário de humilhar os usuários com versões antigas. E, também, se o usuário quisesse voltar à distro original, isso seria possível, assim como um usuário de Ubuntu pode "migrar" para o Kubuntu instalando um meta-pacote que nada mais faz do que depender dos pacotes relativos à distro desejada.
Poder-se-ia, por exemplo, pegar um Ubuntu ou openSUSE, acrescentar pacotes que reflitam as modificações desejadas, e aproveitar todos os repositórios, documentação e tutoriais, assim garantindo uma experiência mais agradável para os usuários iniciantes e acabando com a reinvenção da roda praticada em nome da satisfação pessoal.
Outro problema clássico é a síndrome de imitação do Windows. A intenção é boa, facilitar a migração, e talvez até funcione em ambientes corporativos, nos quais os usuários tem acesso restrito e pouco ou nenhum direito de instalação de programas e configuração. Exceto que... isso dificulta as coisas para um usuário doméstico, além de colaborar na criação da imagem de Windows de pobre, de cópia mal-feita.
Aparentemente, há uma falta de sinceridade e de capacidade em não tratar o usuário como um idiota. É possível, sim, criar desktops fáceis de serem usados e que não tenham uma imagem pixelada e desproporcional dizendo Iniciar, nem precisem roubar ícones do Windows (ironicamente, depois dessa, são os usuários Linux que reclamam de qualquer coisa que remotamente pareça ter sido copiada, mesmo que tal plágio não exista).
E ironicamente, o ambiente que "não deveria confundir o usuário" pode causar mais problemas. Quantas vezes já não vi um usuário desses sistemas tentando instalar o Messenger ou outro programa baixado do site da ... Microsoft? Embora o Wine já rode muito bem vários programas, ele ainda não é completamente plug-and-play.
(Um detalhe interessante: nunca vi um usuário que migrou de Windows para Mac reclamar da falta do botãozinho Iniciar ou que não tem Internet Explorer)
Mas não, para os desenvolvedores, tais ideias simples são muito distantes da realidade de quem quer poder afirmar que criou uma distro, mesmo sem ter como garantir a qualidade do sistema. Para eles, é necessário criar um ambiente sem nenhuma identidade, parcialmente compatível e completamente quebrado, assim fazendo com que o usuário-final pense o Linux é essa porcaria e alimentando os preconceitos sobre o sistema.
Isso revela dois problemas de tais distros. O primeiro deles: a síndrome do precisamos fazer nossa própria distro, também conhecida como Not Invented Here (NIH). Uma reinvenção da roda desnecessária, que na minha opinião vai exatamente de encontro à própria ideia do software livre. Mas tudo bem, dizer que criou uma distro é engrandecedor, serve direitinho para que algumas pessoas possam se rotular de "desenvolvedoras".
Uma solução muito mais fácil e óbvia seria criar pacotes com as modificações, colocá-los em um repositório e aplicá-los em uma das várias distros end-user já disponíveis, assim garantindo a continuidade das atualizações - ao contrário de humilhar os usuários com versões antigas. E, também, se o usuário quisesse voltar à distro original, isso seria possível, assim como um usuário de Ubuntu pode "migrar" para o Kubuntu instalando um meta-pacote que nada mais faz do que depender dos pacotes relativos à distro desejada.
Poder-se-ia, por exemplo, pegar um Ubuntu ou openSUSE, acrescentar pacotes que reflitam as modificações desejadas, e aproveitar todos os repositórios, documentação e tutoriais, assim garantindo uma experiência mais agradável para os usuários iniciantes e acabando com a reinvenção da roda praticada em nome da satisfação pessoal.
Outro problema clássico é a síndrome de imitação do Windows. A intenção é boa, facilitar a migração, e talvez até funcione em ambientes corporativos, nos quais os usuários tem acesso restrito e pouco ou nenhum direito de instalação de programas e configuração. Exceto que... isso dificulta as coisas para um usuário doméstico, além de colaborar na criação da imagem de Windows de pobre, de cópia mal-feita.
Aparentemente, há uma falta de sinceridade e de capacidade em não tratar o usuário como um idiota. É possível, sim, criar desktops fáceis de serem usados e que não tenham uma imagem pixelada e desproporcional dizendo Iniciar, nem precisem roubar ícones do Windows (ironicamente, depois dessa, são os usuários Linux que reclamam de qualquer coisa que remotamente pareça ter sido copiada, mesmo que tal plágio não exista).
E ironicamente, o ambiente que "não deveria confundir o usuário" pode causar mais problemas. Quantas vezes já não vi um usuário desses sistemas tentando instalar o Messenger ou outro programa baixado do site da ... Microsoft? Embora o Wine já rode muito bem vários programas, ele ainda não é completamente plug-and-play.
(Um detalhe interessante: nunca vi um usuário que migrou de Windows para Mac reclamar da falta do botãozinho Iniciar ou que não tem Internet Explorer)
Mas não, para os desenvolvedores, tais ideias simples são muito distantes da realidade de quem quer poder afirmar que criou uma distro, mesmo sem ter como garantir a qualidade do sistema. Para eles, é necessário criar um ambiente sem nenhuma identidade, parcialmente compatível e completamente quebrado, assim fazendo com que o usuário-final pense o Linux é essa porcaria e alimentando os preconceitos sobre o sistema.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Checking for 'falta de argumentos'... found
Acho que a maioria dos leitores do blog conhece o comportamento de uma pessoa quando seus argumentos acabam. Seja se fazer de ignorante, seja recair nas agressões pessoais ou na intimidação, seja usar sarcasmos inconvenientes ou mesmo atrapalhar os outros de uma forma ou outra, as diversas escapatórias demonstram várias coisas sobre o "vencido".
Temos, em primeiro lugar: a intolerância. O direito à opinião só é válido, para alguns, se a nossa opinião for exatamente igual à deles. Discordou deles? Prepare-se para ser infernizado por uma pessoa desrespeitosa, incapaz de reconhecer a diversidade de opiniões.
A mesma pode ser aplicada às discussões religiosas. Para alguns religiosos, o artigo da constituição de 1988 que garante a liberdade de culto simplesmente não existe, e se vive em uma nação na qual a única religião válida é a deles, e todas as outras (aí incluso o ateísmo) são coisa do diabo. Não existe argumentação para eles sem citar um Jesus salva ou Deus é pai. E o método científico, para eles, é frio demais, racional demais.
Como consequência dessa, o apelo à força, à misericórdia ou à ignorância, ou mesmo ao preconceito (apelo este que, na minha opinião, invalida todo e qualquer debate). Exemplificada em frases como todo mundo aqui conspira contra mim/me odeia, X é coisa de (viado|pobre|vagabundo|nerd|preto|qualquer outra minoria), que frequentemente aparecem em discussões - especialmente em se tratando de temas políticos e outras polêmicas.
Nesses mesmos temas, aparece com certa frequência a lei de Godwin, proposta no começo dos anos 90 que afirma que,
a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Hitler ou nazistas aproxima-se de 1 (100%). Ou, em outras e curtas palavras, o velho e bom apelão.
Ou algo um pouco mais difícil de ser reconhecido: erros de lógica. Não espero que ninguém domine a lógica formal, assunto o qual até hoje tenho dificuldade de entender, mas alguns erros básicos são facilmente identificados por qualquer pessoa com uma mínima noção de filosofia. Não é preciso ser um cientista para reconhecer um apelo à autoridade, uma generalização inadequada, o estilo sem substância (vulgo lero-lero) ou o clássico ad hominem.
A ignorância e a insistência nos erros também é comum. É bastante clássico vermos uma verdadeira teimosia na defesa de ideias furadas e já refutadas. Esse é o caso dos cientistas malucos que vemos internet afora, propondo geniais máquinas de moto-contínuo, curas quânticas, descrevendo teorias físicas, em uma intelectualidade de dar inveja a um Hawking ou Einstein - embora nunca tenham cursado alguma cadeira de Física ou Química em uma universidade.
Um caso similar são as pessoas que não fazem algo simples: pesquisar antes de falar e procurar conhecer aquilo sobre o qual argumentam contra ou a favor. Cansei de encerrar discussões por desconhecimento de causa da outra parte, momento no qual ela irá... apelar para as escapatórias do primeiro parágrafo, ou simplesmente correr da discussão.
Tais ataques existem há muito tempo no mundo real, mas a internet serviu como um verdadeiro amplificador para essas pessoas; parece que a radiação emitida por um monitor serve para que elas se tornem verdadeiros super-homens, incansáveis na sua luta para construir um império no qual suas ideias - ainda que completamente inválidas - sejam as únicas. Mesmo que para isso seja necessária uma guerra suja, com paus e pedras verbais, uma verdadeira vitória pírrica para o "ganhador".
E também, essas atitudes refletem a incapacidade da maioria das pessoas em se manterem racionais e aceitarem perder um argumento, derrota essa que para elas significaria a destruição do império anteriormente citado, construído sobre as bases frágeis de uma falácia. Além, é claro, da necessidade urgente do ensino de lógica e da criação de uma cultura que incentive o debate (e não o bate-boca) - o que, infelizmente, não será visto tão cedo, pois forneceria uma arma poderosa para a reflexão e o questionamento, somando-se a isso o fato de que tal ciência requer que se faça algo muito difícil para alguns: pensar.
Temos, em primeiro lugar: a intolerância. O direito à opinião só é válido, para alguns, se a nossa opinião for exatamente igual à deles. Discordou deles? Prepare-se para ser infernizado por uma pessoa desrespeitosa, incapaz de reconhecer a diversidade de opiniões.
A mesma pode ser aplicada às discussões religiosas. Para alguns religiosos, o artigo da constituição de 1988 que garante a liberdade de culto simplesmente não existe, e se vive em uma nação na qual a única religião válida é a deles, e todas as outras (aí incluso o ateísmo) são coisa do diabo. Não existe argumentação para eles sem citar um Jesus salva ou Deus é pai. E o método científico, para eles, é frio demais, racional demais.
Como consequência dessa, o apelo à força, à misericórdia ou à ignorância, ou mesmo ao preconceito (apelo este que, na minha opinião, invalida todo e qualquer debate). Exemplificada em frases como todo mundo aqui conspira contra mim/me odeia, X é coisa de (viado|pobre|vagabundo|nerd|preto|qualquer outra minoria), que frequentemente aparecem em discussões - especialmente em se tratando de temas políticos e outras polêmicas.
Nesses mesmos temas, aparece com certa frequência a lei de Godwin, proposta no começo dos anos 90 que afirma que,
a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Hitler ou nazistas aproxima-se de 1 (100%). Ou, em outras e curtas palavras, o velho e bom apelão.
Ou algo um pouco mais difícil de ser reconhecido: erros de lógica. Não espero que ninguém domine a lógica formal, assunto o qual até hoje tenho dificuldade de entender, mas alguns erros básicos são facilmente identificados por qualquer pessoa com uma mínima noção de filosofia. Não é preciso ser um cientista para reconhecer um apelo à autoridade, uma generalização inadequada, o estilo sem substância (vulgo lero-lero) ou o clássico ad hominem.
A ignorância e a insistência nos erros também é comum. É bastante clássico vermos uma verdadeira teimosia na defesa de ideias furadas e já refutadas. Esse é o caso dos cientistas malucos que vemos internet afora, propondo geniais máquinas de moto-contínuo, curas quânticas, descrevendo teorias físicas, em uma intelectualidade de dar inveja a um Hawking ou Einstein - embora nunca tenham cursado alguma cadeira de Física ou Química em uma universidade.
Um caso similar são as pessoas que não fazem algo simples: pesquisar antes de falar e procurar conhecer aquilo sobre o qual argumentam contra ou a favor. Cansei de encerrar discussões por desconhecimento de causa da outra parte, momento no qual ela irá... apelar para as escapatórias do primeiro parágrafo, ou simplesmente correr da discussão.
Tais ataques existem há muito tempo no mundo real, mas a internet serviu como um verdadeiro amplificador para essas pessoas; parece que a radiação emitida por um monitor serve para que elas se tornem verdadeiros super-homens, incansáveis na sua luta para construir um império no qual suas ideias - ainda que completamente inválidas - sejam as únicas. Mesmo que para isso seja necessária uma guerra suja, com paus e pedras verbais, uma verdadeira vitória pírrica para o "ganhador".
E também, essas atitudes refletem a incapacidade da maioria das pessoas em se manterem racionais e aceitarem perder um argumento, derrota essa que para elas significaria a destruição do império anteriormente citado, construído sobre as bases frágeis de uma falácia. Além, é claro, da necessidade urgente do ensino de lógica e da criação de uma cultura que incentive o debate (e não o bate-boca) - o que, infelizmente, não será visto tão cedo, pois forneceria uma arma poderosa para a reflexão e o questionamento, somando-se a isso o fato de que tal ciência requer que se faça algo muito difícil para alguns: pensar.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
GIMP 2.7.0, versão de desenvolvimento
No dia 16 foi lançada a versão 2.7.0 do GIMP, versão de desenvolvimento, já com diversos recursos interessantes.
Provavelmente um dos recursos que mais irá ser importante é o suporte a tags nos pincéis/gradientes/texturas etc.... Recursos práticos para quem tem uma grande coleção desses materiais, mas era vítima da dificuldade em organizá-los.
Outra mudança que - infelizmente - irá irritar alguns usuários mais antigos (como eu), mas faz sentido para os novos, é a separação das funções 'Save' e 'Export': a primeira apenas salva no formato do GIMP, já a segunda permite salvar nos outros formatos, como JPEG e PNG.
Também é possível editar texto diretamente na imagem, sem aquela velha e - para alguns - desagradável janelinha flutuante.No núcleo, vários algoritmos foram modificados, possibilitando - no futuro - recursos como camadas vetoriais, operações avançadas com pincéis (interessantes para quem usa tablet) e interfaces com a biblioteca gráfica GEGL - com a qual, espera-se, adicionar outras tão desejadas funções como suporte a imagens com mais de 8 bits por canal e camadas de ajuste (adjustment layers).
Um dos objetivos da versão 2.7 é que não sejam mais feitas mudanças em tal biblioteca gráfica, de forma a permitir que o desenvolvimento se concentre no GIMP em si.
Trata-se de uma versão de desenvolvimento, portanto não recomendo seu uso em produção, embora na minha máquina não tenha havido nenhum crash.
Para mais informações, leia o Changelog. Criei 3 PKGBUILDs para uso no Arch Linux, coloque-as em /var/abs/extra/{nome do pacote} e execute o makepkg.
http://codepad.org/6Avhu1Tg - babl-0.1.0
http://codepad.org/YnmvPwGu - gegl-0.1.0
http://codepad.org/75Hhn64T - gimp-2.7.0
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Notícias de celebridades, ou "tudo para entreter a audiência".
É só abrir um site de notícias, nacional ou internacional, ou ir a uma banca e olhar as revistas, ou mesmo assistirmos alguns canais de televisão, para vermos várias delas referentes ao (sub)mundo das celebridades. Fulana fez X ou Y? Foi vista em algum lugar com outra pessoa? Nada escapa dos olhos mágicos da mídia.
Pergunto: Qual a relevância de tais informações? E por quê há tantas pessoas interessadas em saber se a Fulana da novela das 8 foi vista em uma praia ou se o Sicrano está pegando (ah, como eu odeio esse termo... mas esse não é o objetivo do post) a ex-mulher do Fulano?
Simplesmente, constato que há uma necessidade de - para completar o vazio na existência da maioria das pessoas - saber tudo sobre outras pessoas não tão relevantes, de forma a ter algo inútil para contar, imitar.
Um jeito simples de manter as pessoas entretidas, sufocadas em irrelevâncias e futilidades diversas, criando nelas a ideia de um estilo de vida insustentável, para que elas fiquem passivas aos fatos que realmente ocorrem. De manter as massas caladas, drogadas, por meio de uma fantasia de falsas felicidades e satisfações, como forma de manter a.
E, principalmente, esse tipo de conteúdo é uma das bases da cultura do sensacionalismo, tão querida pela mídia, aquela que transforma qualquer acontecimento - por mais insignificante que seja - em um espetáculo de circo, ou um festival de apedrejamento quando assim for necessário (como o caso de alguns programas de TV), aquela que transforma qualquer barraco em um camping completo. A apelação e a ignorância tornaram-se necessárias, hoje, para lutar pela audiência: basta olhar alguns dos programas dominicais ou de "humor".
Se fosse apenas uma página em uma revista semanal, tudo bem, poderia até tentar considerar que faz parte das notícias. Mas o pior é ver que existem publicações inteiras dedicadas a isso. E consumidas por uma geração que quer estar por dentro do que se passa no mundo dos famosos - e, talvez, um dia ser um deles, para ser famoso e, portanto, vítima da perseguição.
Isso quando as fofocas não vão para o lado sexual. Conspirações sobre a sexualidade de alguém são comuns, e ora essa pessoa é tratada como revolucionária, quebradora de paradigmas, ou é vítima do moralismo enlatado da sociedade. Estranho ver que a vida entre quatro paredes de uma pessoa pode significar tanto para milhões de outros que - aparentemente - não tem vida entre quatro paredes.
Mas tudo bem, não será esse post que acabará com o pão e circo, afinal the show must go on. E, para entreter a audiência, vale tudo. Inclusive desrespeitar a liberdade e o direito à privacidade. Atolar em informações desnecessárias, de forma a dificultar ou impedir o pensamento crítico e a reflexão. E, inclusive, trazer fotos "exclusivas" da modelo pega com outra pessoa, ou confissões sexuais ardentes. Tudo isso para uma geração que não tem mais o que fazer além de monitorar a vida de outras pessoas, tomando notas de cada passo e guardando todas as informações para, um dia, serem usadas como sabão na lavanderia de roupa-suja da vida.
Pergunto: Qual a relevância de tais informações? E por quê há tantas pessoas interessadas em saber se a Fulana da novela das 8 foi vista em uma praia ou se o Sicrano está pegando (ah, como eu odeio esse termo... mas esse não é o objetivo do post) a ex-mulher do Fulano?
Simplesmente, constato que há uma necessidade de - para completar o vazio na existência da maioria das pessoas - saber tudo sobre outras pessoas não tão relevantes, de forma a ter algo inútil para contar, imitar.
Um jeito simples de manter as pessoas entretidas, sufocadas em irrelevâncias e futilidades diversas, criando nelas a ideia de um estilo de vida insustentável, para que elas fiquem passivas aos fatos que realmente ocorrem. De manter as massas caladas, drogadas, por meio de uma fantasia de falsas felicidades e satisfações, como forma de manter a.
E, principalmente, esse tipo de conteúdo é uma das bases da cultura do sensacionalismo, tão querida pela mídia, aquela que transforma qualquer acontecimento - por mais insignificante que seja - em um espetáculo de circo, ou um festival de apedrejamento quando assim for necessário (como o caso de alguns programas de TV), aquela que transforma qualquer barraco em um camping completo. A apelação e a ignorância tornaram-se necessárias, hoje, para lutar pela audiência: basta olhar alguns dos programas dominicais ou de "humor".
Se fosse apenas uma página em uma revista semanal, tudo bem, poderia até tentar considerar que faz parte das notícias. Mas o pior é ver que existem publicações inteiras dedicadas a isso. E consumidas por uma geração que quer estar por dentro do que se passa no mundo dos famosos - e, talvez, um dia ser um deles, para ser famoso e, portanto, vítima da perseguição.
Isso quando as fofocas não vão para o lado sexual. Conspirações sobre a sexualidade de alguém são comuns, e ora essa pessoa é tratada como revolucionária, quebradora de paradigmas, ou é vítima do moralismo enlatado da sociedade. Estranho ver que a vida entre quatro paredes de uma pessoa pode significar tanto para milhões de outros que - aparentemente - não tem vida entre quatro paredes.
Mas tudo bem, não será esse post que acabará com o pão e circo, afinal the show must go on. E, para entreter a audiência, vale tudo. Inclusive desrespeitar a liberdade e o direito à privacidade. Atolar em informações desnecessárias, de forma a dificultar ou impedir o pensamento crítico e a reflexão. E, inclusive, trazer fotos "exclusivas" da modelo pega com outra pessoa, ou confissões sexuais ardentes. Tudo isso para uma geração que não tem mais o que fazer além de monitorar a vida de outras pessoas, tomando notas de cada passo e guardando todas as informações para, um dia, serem usadas como sabão na lavanderia de roupa-suja da vida.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
O problema é o professor?
Imaginem a cena: um professor chega na sala de aula e é recebido a paus e pedras verbais pelos seus alunos. porque o professor pau no cu só sabe fuder com os alunos. Quem o emprega também o trata como um verdadeiro peão, pagando salários ridículos se comparado ao que muitas outras figuras menos importantes recebem.
Assim sendo, ele não consegue atingir seu objetivo e - portanto - é alvo do velho discurso o problema do ensino é o professor. Evidente que, em vários casos, há profissionais incompetentes, mas muitas vezes o charlatanismo está mais acima na hierarquia, com "diretores" que não aceitam punir maus alunos e, ainda por cima, retiram qualquer poder punitivo do professor.
Assim, me pergunto: é possível realizar um bom trabalho sob tais condições insalubres? Qual pessoa se motivaria a ser tachada daquilo que citei no primeiro parágrafo?
Constatando o óbvio muitas vezes ignorado pela grande mídia, nem mesmo o melhor ensino, a revolução educacional tão desejada irá substituir a educação básica que deveria ser fornecida pelos pais - muitas vezes omissos, com medo de impor limites para seus filhos, porque isso prejudica a formação deles e é autoritário demais.
Alguns podem alegar que falta infra-estrutura nas escolas. Correto, realmente ela é precária em vários locais; mas muitas vezes, quem foram os seus destruidores? Os próprios alunos... graças à falta de limites. Queria não acreditar que os pais de um aluno com verdadeiro prazer em quebrar vidros deixavam ele fazer suas experiências com bolinhas de papel em casa. Surge, assim, mais uma pergunta: de que adiantam investimentos que serão destruídos... por alunos que não entendem que eles, e os pais deles, pagam por aquilo?
Constato, também, que em escolas particulares a situação não é muito melhor, pois a mentalidade do você sabe com quem está falando ou a do eu pago o seu salário impera, junto com a mercantilização do ensino e o fato de muitos alunos nunca terem ouvido um não dos seus pais. E, é claro, aprove os alunos caso o pai de um deles venha com um presentinho financeiro.
Estudei em uma delas por quase 10 anos e isso é bastante claro: o dinheiro compra o diploma, e a promessa de um ensino melhor muitas vezes não se dá devido... aos alunos, cujo único interesse é a festa da sexta-feira de noite, "com a vida pronta" graças ao papai. Não existe falta de estudo, o que existe - para eles - é professor chato, professor exigente demais.
Soma-se a isso o fato de muitos alunos simplesmente não terem interesse em pensar. Para eles, o professor perfeito - quando não falta à aula - é aquele que enche o quadro de matéria para ser decorada, que não exige um pensamento dolorido. Excelente para uma geração cada vez mais fútil, perfeito para adolescentes vazios, consumistas, cujo único interesse é um celular novo ou o funk do momento. Uma massa facilmente manipulável pela mídia, incapaz de ver as pessoas e os fatos além da aparência. Pensar é chato, para quê, se temos uma overdose de informações e ideias prontas à disposição?
Professor, especialmente no ensino superior, não é pai de aluno para ensiná-lo a ouvir e a respeitar a opinião dos outros. Nem juiz para mediar brigas dentro de uma turma. Ele está lá para realizar seu trabalho, e não para tapar buracos estruturais e arrumar falhas de construção.
E muito menos será ele quem irá reformar a geração ignorante, hipócrita, alienada, inconsequente e analfabeta funcional que vemos, nem irá domar os monstros que foram criados por pais que não querem restringir o crescimento dos filhos e deixam que eles aprendam tudo da pior forma: na rua, com os amigos (que, muitas vezes, os pais ignoram e fazem questão de não conhecer, afinal tem que deixar livre), novamente sem limites, fazendo o que bem entendem (até que a conta chega de uma forma violenta, quando já é tarde demais...).
Não considero mais possível uma mudança no sistema educacional que não comece em casa, ensinando coisas tão simples quanto o respeito às múltiplas opiniões e a capacidade de questionar e criticar (o que é diferente de mandar tomar no cu). Não há ensino escolar sem educação vinda de casa. Algo óbvio, mas que muitos pais convenientemente ignoram - para evitar terem que repensar e mudar seus hábitos. E que não passa na mídia, mais preocupada em crucificar e obter audiência do que em analisar e entender.
Assim sendo, ele não consegue atingir seu objetivo e - portanto - é alvo do velho discurso o problema do ensino é o professor. Evidente que, em vários casos, há profissionais incompetentes, mas muitas vezes o charlatanismo está mais acima na hierarquia, com "diretores" que não aceitam punir maus alunos e, ainda por cima, retiram qualquer poder punitivo do professor.
Assim, me pergunto: é possível realizar um bom trabalho sob tais condições insalubres? Qual pessoa se motivaria a ser tachada daquilo que citei no primeiro parágrafo?
Constatando o óbvio muitas vezes ignorado pela grande mídia, nem mesmo o melhor ensino, a revolução educacional tão desejada irá substituir a educação básica que deveria ser fornecida pelos pais - muitas vezes omissos, com medo de impor limites para seus filhos, porque isso prejudica a formação deles e é autoritário demais.
Alguns podem alegar que falta infra-estrutura nas escolas. Correto, realmente ela é precária em vários locais; mas muitas vezes, quem foram os seus destruidores? Os próprios alunos... graças à falta de limites. Queria não acreditar que os pais de um aluno com verdadeiro prazer em quebrar vidros deixavam ele fazer suas experiências com bolinhas de papel em casa. Surge, assim, mais uma pergunta: de que adiantam investimentos que serão destruídos... por alunos que não entendem que eles, e os pais deles, pagam por aquilo?
Constato, também, que em escolas particulares a situação não é muito melhor, pois a mentalidade do você sabe com quem está falando ou a do eu pago o seu salário impera, junto com a mercantilização do ensino e o fato de muitos alunos nunca terem ouvido um não dos seus pais. E, é claro, aprove os alunos caso o pai de um deles venha com um presentinho financeiro.
Estudei em uma delas por quase 10 anos e isso é bastante claro: o dinheiro compra o diploma, e a promessa de um ensino melhor muitas vezes não se dá devido... aos alunos, cujo único interesse é a festa da sexta-feira de noite, "com a vida pronta" graças ao papai. Não existe falta de estudo, o que existe - para eles - é professor chato, professor exigente demais.
Soma-se a isso o fato de muitos alunos simplesmente não terem interesse em pensar. Para eles, o professor perfeito - quando não falta à aula - é aquele que enche o quadro de matéria para ser decorada, que não exige um pensamento dolorido. Excelente para uma geração cada vez mais fútil, perfeito para adolescentes vazios, consumistas, cujo único interesse é um celular novo ou o funk do momento. Uma massa facilmente manipulável pela mídia, incapaz de ver as pessoas e os fatos além da aparência. Pensar é chato, para quê, se temos uma overdose de informações e ideias prontas à disposição?
Professor, especialmente no ensino superior, não é pai de aluno para ensiná-lo a ouvir e a respeitar a opinião dos outros. Nem juiz para mediar brigas dentro de uma turma. Ele está lá para realizar seu trabalho, e não para tapar buracos estruturais e arrumar falhas de construção.
E muito menos será ele quem irá reformar a geração ignorante, hipócrita, alienada, inconsequente e analfabeta funcional que vemos, nem irá domar os monstros que foram criados por pais que não querem restringir o crescimento dos filhos e deixam que eles aprendam tudo da pior forma: na rua, com os amigos (que, muitas vezes, os pais ignoram e fazem questão de não conhecer, afinal tem que deixar livre), novamente sem limites, fazendo o que bem entendem (até que a conta chega de uma forma violenta, quando já é tarde demais...).
Não considero mais possível uma mudança no sistema educacional que não comece em casa, ensinando coisas tão simples quanto o respeito às múltiplas opiniões e a capacidade de questionar e criticar (o que é diferente de mandar tomar no cu). Não há ensino escolar sem educação vinda de casa. Algo óbvio, mas que muitos pais convenientemente ignoram - para evitar terem que repensar e mudar seus hábitos. E que não passa na mídia, mais preocupada em crucificar e obter audiência do que em analisar e entender.
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